Danica Patrick se define como mais do que uma motorista

Curt Cavin
em Indianápolis

Se Danica Patrick está transformando a fórmula Indy, sua família está fazendo o mesmo por ela.

T.J. Patrick lembra-se de sua filha chegando em casa depois de uma temporada de corrida na Europa em 1999. O consumo de álcool e festas freqüentes tinham acrescentado 7 kg a seu esqueleto adolescente. Rejeições de namorados e meses de competições brutais a tinham endurecido.

Robin Jerstad/Reuters - 9.mai.2006 
Danica Patrick segura seu capacete no circuito de Indianápolis, palco da legendária prova Indy 500

"Ela aprendeu a não confiar em ninguém", disse o pai. "Ela criou uma concha dura em volta dela."

Danica Patrick, hoje com 24, lembra-se das mentiras, das bebidas e da irresponsabilidade.

"Eu era realmente fria", disse ela.

Patrick já tinha perdido parte da frieza quando conheceu Paul Hospenthal, fisioterapeuta de Phoenix, em 2001. Ela ainda era muito insegura e só confiava nos mais próximos, mas deu a Hospenthal uma chance, porque gostou de seu jeito relaxado e seguro.

Seu relacionamento nasceu como uma amizade, e Hospenthal se tornou seu melhor amigo. Eram inseparáveis no telefone e depois nas corridas. Eles se casaram no dia 19 de novembro.

Hoje, sua parceria a define.

"Ela fez uma volta de 180º", disse seu pai. "Ela conta muito com o Paul. Ele é a referência dela."

Hospenthal, de Tacoma, Washington, tem 40 anos, quase 17 a mais que Patrick. Como trabalhou com atletas de elite do golfe e do beisebol, ele entende as pressões do esporte profissional. Ele adverte sobre as conseqüências não intencionais de se promover um atleta demais, ou no momento errado.

"Por exemplo, se eu apareço em uma revista de celebridade, as pessoas podem começar a me seguir na rua, inspecionar meu lixo", disse ela. "Essa é uma vida diferente do que eu quero, e isso o afeta também. Falamos sobre compreender as coisas e encontrar um equilíbrio. Quanto dinheiro é preciso para viver a vida que agente quer? É encontrar um patamar."

Hospenthal não tenta dividir os holofotes com a esposa; ele opera em torno dela. Na semana passada, quando ela estava assinando cópias de sua nova autobiografia, "Crossing the Line" (cruzando a linha) em uma livraria, ele ficou sentado em um canto lendo por duas horas.

"Faço o que posso para tornar o dia dela melhor", disse ele. "Algumas vezes é estar por perto e dar apoio, mas algumas vezes é fazer uma entrega ou comprar alguma coisa. Como acontecia no beisebol: algumas vezes é ver (Mark) McGwire sentado e deixar ele quieto".

Ele observa como Patrick mudou seu jeito egocêntrico.

"Ela faz o mesmo por mim, quando estou trabalhando em casa", disse ele. "Ela sempre pensa uma forma de tornar meu dia melhor, talvez passar minhas roupas, fazer café da manhã, empacotar meu almoço ou fazer alguma coisa que eu precise na rua. Nosso relacionamento é fácil assim. É confortável."

Patrick lembra-se de estar sentada sozinha em um Starbucks em Long Beach, Califórnia, no final de semana de sua primeira corrida Toyota Atlantics, em 2004.

Ela olhou para o cinema do outro lado da rua e viu que estava passando "A Paixão de Cristo". Ela aproveitou para assistir o filme e saiu com perguntas. Do hotel, ela ligou para Hospenthal, com quem namorava há 18 meses. Ele disse a ela que era católico.

"Eu de fato não era nada, mas sempre tive uma fé, no fundo do coração, que não sabia de onde vinha", disse ela. "Eu nunca tinha ido à igreja; nós sempre tínhamos corrida aos domingos. Eu fiquei intrigada. Comecei a fazer perguntas. Conversamos muito sobre isso."

Patrick professou sua fé formalmente em 2005, outro dos momentos que mudaram a vida no ano passado: a fórmula Indy 500, o catolicismo e o casamento.

A religião "me ajuda justificar as situações; a entender que há uma razão para tudo", disse ela. "Faz-me sentir melhor em momentos que eu poderia ficar desapontada ou com raiva."

Patrick ainda fala o que vem à cabeça e é ríspida com as pessoas quando está com fome ou está se sentindo cobrada demais. Ela está tentando ser mais como o marido.

"Ele é um homem muito inteligente e controlado", diz ela. "Quando diz alguma coisa, ele tem certeza que falará corretamente porque já pensou a respeito. Minha boca simplesmente se abre."

A diferença entre Paul e Danica são similares às de seus pais, T.J. e Bev Patrick. T.J. admite que fala antes de pensar as conseqüências; Danica amorosamente chama-o de "meu homem honesto". Bev é a juíza quando os temperamentos explodem.

As diferentes personalidades na família ajudam a guiar a carreira de Danica. T.J. dá conselhos para as corridas, dirige seu motor para casa e organiza os trailers de produtos. Bev lida com as finanças e as preocupações.

Hospenthal é seu co-piloto no sentido figurado, ao menos nos dias em que não está com a chave na mão. Eles têm uma regra: Se não quiser dirigir, ceda o direito à crítica. Danica obedece à regra. Faz parte de sua transformação. Deborah Weinberg

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