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01/07/2006
Músicas contra a guerra estão sendo ouvidas

Edna Gundersen

Canções contra a guerra estão em marcha. Artistas de todos os tipos estão se unindo em uma causa que muitos viam como uma criptonita contra carreiraw há três anos, quando o fervor patriótico favorecia hinos à bandeira e punia críticos.

Enquanto a frustração da população com a guerra cresceu, também os decibéis das músicas contra o presidente e suas políticas. No outono, os Rolling Stones gravaram a controversa "Sweet Neo-Con", e System of a Down gritaram contra os "caretas patéticos e ignorantes que sacodem a bandeira" em seu álbum "Hypnotize".

Hoje, o ambiente e o mercado estão recebendo "Let's Impeach the President", uma das faixas mais sarcásticas de "Living with War", de Neil Young. Ele resolveu escrevê-la porque sentiu que os mais jovens não estavam se expressando.

De fato, exércitos de músicos estão criando canções contra a guerra. Na terça-feira (04/7) chega às lojas "The Diaries of Private Henry Hill", da banda nova-iorquina Blow Up Hollywood, que usou os diários de um soldado morto para inspirar o conceito de seu abrasador álbum anti-guerra. O trio experimental de art-rock TV on the Radio derruba Bush em "Dry Drunk Emperor". Nerina Pallot, cantora britânica em ascensão, teme receber a notícia da morte de um soldado em "Everybody's Gone to War".

James Blunt, Ben Harper, Merle Haggard e outros artistas famosos também estão cantando. "Waiting on the World to Change", do álbum "Continuum" de John Mayers está chegando às rádios. Ele pondera: "Se tivéssemos o poder de trazer nossos vizinhos da guerra de volta para casa / eles nunca teriam perdido um Natal, nada mais de laços em suas portas."

"I'm with Stupid", nova música do Pet Shop Boys, descreve um cartão apaixonado de Tony Blair para Bush. Respondendo à política externa de Bush, Flaming Lips grita em "Haven't Got a Clue": "Cada vez que você descreve o que está fazendo, quero ainda mais te dar um soco na cara." Todd Snider bate em Bush sem citar nomes em "You Got Away With It (A Tale of Two Fraternity Brothers)". E Billy bragg vem cantando "Bush War Blues", uma variação do "Bourgeois Blues", em sua turnê Hope Not Hate.

E outras estão no forno. Em seu disco "Game Theory", a ser lançado no dia 29 de agosto, The Roots examina a guerra em "False Media" e a espionagem interna do governo em "New World". A faixa do título do próximo álbum de Polyphonic Sprree, "The Fragile Army", ataca Bush.

Em uma volta literal à guerra do Vietnã, "Sailover" de P.F. Sloan, que será lançado no dia 22 de agosto, inclui uma gravação recente de "Eve of Destruction". Sloan escreveu o clássico contra a guerra, sucesso de McGuire em 1965.

Outra daquele ano que voltou, "Bring Them Home" de Pete Seeger, parece uma resposta de Bruce Springsteen ao refrão de Bush "Bring'em on". O Chefe está tocando a canção anti-guerra na turnê com sua banda Seeger Sessions, junto com a antiga balada irlandesa "Mrs. McGrath", que declara: "Todas as guerras no exterior, proclamo, vivem de sangue e da dor das mães."

A safra vem terminar um congelamento imposto sobre a música depois de 11 de setembro, quando o Clear Channel aconselhou suas 1.200 rádios a suspenderem 150 músicas "questionáveis", desde a "Suicide Solution", de Black Sabbath, até "Imagine" de John Lennon. As Dixie Chicks foram prejudicadas depois que Natalie Maines falou mal de Bush. E Madonna foi punida por seu vídeo anti-guerra "American Life". As rádios tocavam canções patriotas como "Have You Forgotten?" de Darryl Worley e "Courtesy of the Red, White and Blue" de Toby Keith.

Com a mudança de humor, a frente conservadora da música está em baixa. A última canção em apoio à guerra com alcance significativo foi "The Bumper of My SUV", de 2004, da cantora country Chely Wright (e é mais uma música em apoio às tropas).

Apesar de os anos 60 terem gerado canções de protesto populares de Bob Dylan, Creedence Clearwater Revival e Pete Seeger, poucos exemplos modernos aparecem entre as mais tocadas, diz Sean Ross, vice-presidente de música e programação da Edison Media Research.

"Não é que ninguém tenha aparecido, é que ninguém fez um hit que também fosse uma declaração definitiva", disse Ross.

Desde a invasão do Iraque, apenas Green Day conseguiu fazer sucesso com música anti-guerra, vendendo 5,5 milhões de cópias de "American Idiot" de 2004, e derrubou uma barreira quando "Holiday" (com sua frase "sieg heil to the president") passou a ser tocada em rádios adultas contemporâneas. Rádios de rock adotaram "Megalomaniac" do Incubus ("Você não é Jesus/ Você não é Elvis/ Você não é a resposta") em 2004 e a "Where Is the Love", do Black Eyed Peas ("Uma guerra está acontecendo, mas as razões estão escondidas"), em 2003. A ferina "Bushleaguer", de Pearl Jam, foi ignorada há quatro anos, enquanto a atual "World Wide Suicide" está atingindo o primeiro lugar das paradas.

Um aumento de canções de esquerda não significa que o país está perto da paz. A música política prega aos convertidos, diz Johnny Wendell, ex-músico punk que hoje é apresentador da estação de rádio da Ktlk-AM 1150 de Los Angeles.

"São um barômetro de como as pessoas se sentem", diz ele.

Quando Bush determinou a invasão do Iraque, o sentimento que prevalecia entre os roqueiros era de futilidade, diz ele. Os artistas se seguraram "não só porque era ruim para a carreira, mas porque seu trabalho não ia atrair atenção. A maré virou quando ficou óbvio que a missão não tinha sido cumprida, as razões proferidas para a guerra se provavam falsas e as baixas começaram a aumentar. Não é que se tornou seguro (falar), mas o ambiente geral do país mudou."

Mesmo que o sentimento anti-guerra do país cresça, Wendell duvida que uma única canção cativará as massas.

"Uma enorme diferença entre os anos 60 e hoje é como o mercado está dividido e um milhão de peças", diz ele. "Não acho que uma única peca de música de protesto pode galvanizar o público, como fez 'Like a Rolling Stone'."

Apesar de gostar de ouvir as vozes de repúdio, não dá pontos a músicos punk e rappers não por assumirem riscos.

"Neil Young não está inovando", diz ele. "Você espera algo assim de Propagandhi. Mas das Dixie Chicks? Isso é uma revolução. Natalie Maines assumiu uma postura contra a guerra antes dessa atrocidade e lhe custou muito."

O baixista do Pearl Jam, Jeff Ament, acredita que o macartismo pós 11 de setembro abafou a natureza rebelde do rock.

"O país estava indo para o inferno, e ninguém dizia nada", diz Ament. "Há alguma solidariedade agora."

Justin Sane, da Anti-Flag, diz que sua invectiva raivosa em "For Blood and Empire" "falar a verdade ao poder" e resulta de uma forte crença na democracia, na Constituição e na obrigação de identificar e confrontar a injustiça.

Se tocassem o sucesso atual "The Press Corpse" da Anti-Flag "há dois anos, eu ficaria surpreso", diz Sane. "Mas na medida em que mais sacos voltam para casa e as pessoas decidem que Bush não está falando a verdade, não fico surpreso. As pessoas que apoiaram a invasão há três anos estão se sentindo frustradas."

A Anti-Flag sofreu pressão para que se retratasse depois de 11 de setembro, quando "houve uma série de insultos, as pessoas nos diziam para calar a boca, mudar de nome", diz Sane. "O medo tem sido o maior aliado deste regime. Então poucos artistas colocaram seus pescoços na linha depois a mídia da direita fez das Dixie Chicks um exemplo. Sinto-me honrado de fazer parte do grupo que não se deixou ser coagido."

A banda, que fez a inscrição de 10.000 eleitores durante a excursão Warped, de 2004, promove sua mensagem no palco e fora dele. Recentemente lançou a campanha Military Free Zone, que ajuda estudantes do ensino médio a optarem por sair dos movimentos de recrutamento impostos pelo governo permitidos pelo Ato Nenhuma Criança para Trás.

O que tem a ver com música? Tudo, diz Sane.

"Eu me envolvi no ativismo depois de ouvir bandas como The Clash", diz ele. "Os jovens em nossos shows dizem que nunca se importaram com questões até ouvirem nossa banda. A música pode ser um instrumento eficaz na arena política."

Canções políticas ajudaram a formar sua visão de mundo, e Sane está certo que as músicas da banda influenciaram os fãs, inclusive soldados. O Iraque é alta prioridade, em grande parte porque ele acha que os jovens impressionáveis vítimas.

"Para mim, é lógico", diz ele. "Se essa guerra não era sobre armas de destruição em massa, era sobre o quê? Siga o dinheiro e você verá lucros com a guerra como nunca antes. Não consigo ver jovens lutando para o benefício de uns poucos indivíduos muito poderosos."

O músico e antigo ativista Michael Franti diz que também sentiu a mudança de maré de 11 de setembro, "quando todo o país perdeu o fôlego, e alguns no governo usaram esse medo e dor para nos dar um ultimato: 'Ou vocês estão conosco ou com os terroristas. Eu pensei: 'Será que não há algum ponto entre esses dois opostos distantes antes de sairmos marchando para a guerra?' Os que tentaram dizer isso foram martelados como pregos."

A ansiedade que afligia os artistas começou a diminuir "depois do Katrina", diz Franti. "Tirou a lã de cima do lobo. As pessoas disseram: 'Espere, por que eles estão literalmente morrendo de fome em Nova Orleans, enquanto todos os helicópteros e recursos estão no Iraque?' Não acho que seja responsabilidade do artista fazer política. A responsabilidade é fazer grande arte e encontrar alguma verdade. Se você olhar a verdade de frente hoje, não consegue ficar calado."

Há dois anos, Franti foi ao Iraque, Israel e territórios palestinos com um violão e uma câmera de vídeo, uma viagem capturada pelo documentário "I Know I'm Not Alone" e "Yell Fire!", disco de reggae, rock, rap e soul politicamente carregado, ambos programados para lançamento no dia 25 de julho.

A música é claramente contra a guerra "mas também garante às pessoas que não estão sozinhas", diz Franti. "Quando fui ao Iraque, achei que ia voltar com um caderno cheio de músicas de protesto contra a guerra. Mas todo mundo que conheci lá queria ouvir canções que os faziam dançar e músicas doces sobre uma pessoa amada."

Franti não espera trazer as tropas de volta com sua arte.

"Não sei se a música pode mudar o mundo do dia para a noite", diz ele, "mas sei que pode nos ajudar a passar por uma noite difícil, e algumas vezes é isso que precisamos para manter a tenacidade de fazer grandes mudanças acontecerem."

Qualquer boa música anti-guerra tem que ser primeiro uma boa música, diz Paul Simon, cujo lamento "Wartime Prayers" fica longe das manchetes.

"As músicas que duram têm relação com algum tema universal", diz ele. "São sempre sobre compaixão, amor, perda, sofrimento, coisas profundas que ocorrem no curso de uma vida. Músicas que são sobre um tópico têm seu momento perto do evento, mas depois de um tempo, quando o evento se vai, também vão as músicas."

Tradução:

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