EUA se aproximam da marca de 300 milhões enquanto incha o número de americanos

Haya El Nasser

Os Estados Unidos estão se aproximando de um marco que pareceria impensável há 25 anos. Por volta de meados de outubro, nós nos tornaremos uma nação de 300 milhões de americanos.

Nós então embarcaremos em uma jornada relativamente rápida aos 400 milhões. Data alvo: 2041.

Como este país jovem se tornou tão grande tão rapidamente?

Imigração, longevidade, uma taxa de natalidade relativamente alta e estabilidade econômica somados levaram ao crescimento fenomenal. O país ganhou mais 100 milhões de pessoas desde 1967 para se tornar o terceiro país mais populoso do mundo, atrás da China e da Índia. Ele está crescendo mais rapidamente do que qualquer outro país industrializado.

O maior propulsor de crescimento é a imigração -legal e ilegal. Cerca de 53% dos 100 milhões de americanos adicionais desde os anos 60 são compostos de imigrantes recentes e seus descendentes, segundo Jeffrey Passel, demógrafo do Pew Hispanic Center. Sem eles, os Estados Unidos teriam cerca de 250 milhões de habitantes atualmente.

Os recém-chegados transformaram uma população predominantemente branca,
composta na maioria por descendentes de europeus, em uma sociedade
multicultural que reflete cada continente do globo. Alguns chegaram como refugiados de guerra. A maioria veio em busca de melhores oportunidades em um país que tem fortes direitos civis e uma economia estável. Assim que chegaram aqui, eles tiveram bebês, o que ajudou o país a manter uma taxa de natalidade relativamente alta, que é maior do que a da Europa e do Japão.

Para um país que equilibrou crescimento com prosperidade durante grande
parte de sua história, os 300 milhões estão levando a uma auto-análise sobre tudo, do uso da energia e consumo dos recursos naturais ao controle da fronteira e congestionamentos de trânsito. O relógio medidor da população do Census Bureau, o órgão de estatísticas dos Estados Unidos, atingirá o marco de 300 milhões quase um mês antes das eleições de novembro, nas quais a imigração ilegal é um tema volátil.

Isto também ocorrerá no momento em que o financiamento do Seguro Social e do Medicare, o seguro saúde para idosos e incapacitados, está em risco. À medida que 79 milhões de "baby boomers", a geração pós-Segunda Guerra Mundial, se aproximam da aposentadoria e estão vivendo mais, há menos pessoas em idade de trabalho para sustentar os benefícios com as deduções em folha de pagamento. Alguns argumentam que os imigrantes ajudarão a financiar o sistema e preencher as vagas de trabalho. Outros rebatem que os cerca de 12 milhões de imigrantes que estão aqui ilegalmente sobrecarregarão ainda mais a rede de proteção social e tirarão empregos de americanos.

O crescimento é visível

Metade dos americanos diz que sua comunidade cresceu muito nos últimos cinco anos, porém mais de três quartos dizem que o crescimento é o menor dos problemas ou nenhum problema onde vivem, segundo uma pesquisa USA Today/Gallup realizada no início de junho. Apesar de cerca de um terço dizer que o crescimento se tornará uma questão importante em suas comunidades, mais da metade diz que se tornará um grande problema para o país como um todo. Quase metade atribuiu o crescimento da população aos imigrantes. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

"Se o crescimento for bem planejado, é bom para a comunidade", disse Janice McCormac, 67 anos, uma moradora de Chesterfield, Missouri, um subúrbio de Saint Louis que passou de apenas 300 pessoas nesta década para cerca de 47 mil. "Eu nunca vi o crescimento como problema."

Estranhamente, a maioria dos americanos não tem idéia de quantas pessoas vivem nos Estados Unidos: 29% imaginaram a população em 100 milhões ou menos e 19% colocaram em 1 bilhão ou mais; apenas 12% se aproximaram de uma diferença de 50 milhões do número correto.

As pessoas poderão estar mais conscientizadas no final do ano. A agitação está crescendo à medida que o marco dos 300 milhões se aproxima. Alguns anunciantes de comidas para bebês planejam usar o número em suas campanhas de marketing. O Census Bureau, o contador oficial da população, e demógrafos proeminentes estão respondendo perguntas da imprensa de todo o mundo.

"O mundo está observando", disse William Frey, demógrafo da Instituição
Brookings. Ele recebeu ligações de jornalistas britânicos, perguntando em que hospital o americano de número 300 milhões nascerá, e de revistas de paternidade, tentando deduzir o dia exato do evento (a estimativa de Frey é de 17 de outubro, mas não se arriscou a imaginar o hospital).

Várias publicações querem saber de que raça e etnia o trecentésimo
milionésimo americano provavelmente será. Não há como apontar e identificar tal pessoa porque o número é uma estimativa, não uma contagem exata da população. Poderia ser um recém-nascido. Poderia ser um imigrante entrando no país. Há muita especulação.

Carl Haub, um demógrafo sênior do Population Reference Bureau sem fins
lucrativos, disse que o bebê nascido em outubro provavelmente será branco e não latino, porque os nascimentos de mulheres brancas não latinas ainda representam a maioria.

Frey discorda. O misterioso trecentésimo milionésimo americano provavelmente será latino, ele disse, porque os latinos são responsáveis por quase metade dos ganhos de população nos últimos quatro anos. "Os anglos são responsáveis por 18% dos ganhos; os outros 82% vem de outro lugar", ele disse.

À beira do declínio

Os Estados Unidos estão crescendo mais rapidamente que o México, Indonésia e China. O país está sozinho entre os países industrializados em seu crescimento populacional relativamente rápido.

As populações do Japão e da Rússia deverão encolher quase um quarto até
2050. Alemanha, Itália e a maioria dos países europeus não estão dando à luz bebês suficientes para impedir suas populações de diminuir.

"Há uma indisposição de fertilidade em (outros) países industrializados", disse Haub. "Europa, Japão, Coréia do Sul e Taiwan estão ficando desesperados. Os Estados Unidos são o único país fora a China e Índia com projeção de ultrapassar os 400 milhões."

As mulheres precisam dar à luz uma média de 2,1 bebês para compensar as
mortes e manter a população estável. A taxa de natalidade na Europa
Ocidental é de 1,6. É ainda mais baixa na Itália, Espanha e outros países do sul da Europa -1,4. A França, que tem feito mais para acomodar as necessidades das mães trabalhadoras, tem a taxa mais alta, de 1,9, disse Haub.

A Alemanha, onde deixar crianças em creches não é uma prática socialmente aceita, está propondo uma pensão familiar que pagaria às mães 67% da renda líquida de seu parceiro, até 1.800 euros por mês, por até um ano após o nascimento da criança. Alguns analistas estão defendendo a adoção de creches, o que atualmente é incomum na Alemanha.

Os Estados Unidos dificilmente cresceriam nos próximos 50 anos se não fosse pelos imigrantes latinos, que apresentam uma taxa de natalidade maior do que de brancos não latinos. As mulheres brancas, que deram à luz 56% das crianças nascidas aqui, têm uma média de 1,85 bebês. As negras têm uma média de cerca de 2 e as asiáticas de 1,9. As latinas apresentam a taxa mais elevada, de 2,8. A taxa de natalidade geral do país está pouco acima de 2 -ligeiramente abaixo do nível de reposição.

Quando a população americana estava em 200 milhões em 1967, as mulheres
tinham em média três filhos e o governo calculava que a população atingiria 300 milhões em 1990. Nos anos 80, a taxa de natalidade despencou e as estimativas do governo projetavam que o país só chegaria a tal número nos anos 2020. Mas o alto afluxo de imigrantes minou tais projeções.

Por que um país deseja ter mais bebês?

Para os países industrializados, os números significam poder econômico e cultural. Para permanecerem globalmente competitivos, os países precisam de trabalhadores. Além de injetar inovação no local de trabalho, os jovens ajudam a arcar com as necessidades dos idosos por meio dos impostos que pagam, disse Haub.

Apesar da imigração, o país está ficando mais velho à medida que os baby boomers mais velhos começaram a completar 60 anos neste ano. As pessoas também estão vivendo mais. Desde 1970, a expectativa de vida saltou 7 anos, para um recorde de 77,9 anos. O percentual de pessoas com 65 anos ou mais cresceu de 9,9% para 12,4%. A idade média subiu de 28,1 anos para 36,2. "A Europa terá um papel demográfico enormemente reduzido em coisas como potencial de mercado e força de trabalho", disse Haub.

A identidade nacional é outro fator, disse Passel. A Alemanha, por exemplo, não quer menos alemães no mundo.

Alguns especialistas dizem que mais pessoas causam mais problemas. Brian Dixon, diretor de relações de governo do Population Connection, um grupo popular de defesa antes conhecido como Zero Population Growth, disse que os desafios para os países que enfrentam pouco crescimento ou declínio da população não são tão difíceis quanto os enfrentados atualmente pelos Estados Unidos.

"Claramente, desenvolver um sistema de aposentadoria deve ser mais fácil do que lidar com a crise de saúde provocada pelo ar poluído ou sobre como trataremos o aumento de crianças com asma", ele disse. "Haverá espaço aberto suficiente, parques suficientes, moradias suficientes, empregos suficientes? O que isto representará para nossa qualidade de vida? Tratar do problema de uma população em envelhecimento é igual ao problema causado pelo crescimento
da população."

A imigração não deveria ser vista como uma questão doméstica, disse Dixon. "Imigração é realmente um problema de política externa", ele disse. "O que os Estados Unidos podem fazer para reduzir os problemas nos países em desenvolvimento que levam as pessoas a partir?" A meta, ele disse, deveria ser manter as pessoas em seus países de origem.

Recebendo o mundo

Os Estados Unidos praticamente fecharam suas portas aos imigrantes nos anos 20, após uma onda recorde de imigração que durou cerca de 30 anos. A Depressão e a Segunda Guerra Mundial se seguiram. Então os baby boomers nasceram de 1946 a 1964, chegando a um país de maioria branca que contava com poucos imigrantes recentes.

Tudo mudou quando o presidente Johnson assinou a Lei de Imigração e
Naturalização de 1965. A nova política abriu os Estados Unidos para não
europeus e para o Terceiro Mundo. "Este provavelmente foi o evento
demográfico isolado mais importante dos últimos 50 anos", disse Haub.

A lei visava menos atrair imigrantes, mas sim manter as leis de imigração em sintonia com o movimento dos direitos civis. A Lei de Direitos Civis de 1964 e a Lei de Direitos de Votação de 1965 visavam impedir a discriminação étnica e racial -presente nas antigas leis de imigração do país, que estabeleciam cotas baseadas na nacionalidade. A preferência era dada àqueles que tinham parentes nos Estados Unidos. Após 1965, os critérios de raça, religião, cor e nacionalidade deixaram de ser considerados.

O fim da guerra do Vietnã trouxe refugiados asiáticos. Em 1964, os Estados Unidos encerraram o programa "bracero", que permitia que trabalhadores rurais mexicanos viessem a este país para trabalhar e voltassem para casa. Em 1970, a economia mexicana entrou em parafuso e mais mexicanos vieram para ficar -muitos ilegalmente. Sem tal afluxo, disse Passel, a diversidade nunca teria chegado aos níveis atuais: 15% de latinos e 5% de asiáticos, em comparação a 5% de latinos e 1% de asiáticos em 1970.

"Nosso crescimento populacional, se não fosse por isso, mal teria sido
suficiente para manter a população constante", disse Joel Darmstadter, um membro sênior da Resources for the Future, um grupo de pesquisa sem fins lucrativos e não partidário especializado em recursos naturais e meio ambiente. Sua pesquisa mostra que a prosperidade coloca mais pressão sobre os recursos naturais do que o simples crescimento da população.

"Não são os imigrantes que comprarão aquelas casas caras em Phoenix ou
Tucson", disse Darmstadter. "Considerar a imigração como tendo grande peso nos problemas de uso da água ou consumo de energia é uma desculpa furada."

"Este é o ponto em que nossa herança de nação de imigrantes se torna nossa força", disse Frey. "Isto ajuda a revigorar nosso crescimento populacional e nossa ligação com as economias e culturas de outros países."

Bastante espaço

É difícil imaginar o país ficando sem espaço quando há deserto aberto até onde o olho pode ver a apenas 30 minutos ao sul ou oeste de Phoenix. "Três Reis", o filme de 1999 estrelado por George Clooney no papel de um soldado na Guerra do Golfo Pérsico, foi filmado aqui.

A cidade de Maricopa, Arizona, é um ponto na vastidão de tirar o fôlego do Deserto de Sonora. Há não muito tempo, o fazendeiro Kelly Anderson, seu primeiro prefeito, podia percorrer a rodovia estadual 347 em seu trator, encontrar um amigo no cruzamento e parar no meio da estrada de duas pistas para conversar e beber cerveja, sem temer atrapalhar o trânsito.

Agora, o crescimento avança de forma galopante por suas centenas de
quilômetros quadrados de solo árido, plantações de algodão e pastos de gado. Ela está transbordando dos dois maiores eixos metropolitanos do
Arizona -Phoenix ao norte e Tucson ao sul- e saltando as reservas indígenas que serviam como tampão natural e tornavam esta área remota e isolada. A população de Maricopa quadruplicou desde 2000 para mais de 17 mil. Ela deverá atingir 116 mil -o tamanho que Phoenix tinha no início dos anos 50- em 2010 e atingir 300 mil em 2025.

As palmeiras não nativas agora aparecem no horizonte em todas as direções, um sinal das subdivisões que se aproximam. Caminhões-tanque levam água para os locais de construção para umedecer a poeira revirada pelos tratores, um lembrete de que recursos naturais estão sendo devorados pelo crescimento.

O que está acontecendo na antes remota Maricopa está acontecendo por todo o país. Os Estados Unidos estão ficando mais lotados -83 pessoas por milha quadrada em 2004 contra 70,3 em 1990- mas estão muito menos densos do que outros países como França (287), China (361), Alemanha (609) e Japão (835).

O Arizona está ficando mais denso: 50,5 em 2004 contra 32,3 em 1990. Mas sua população por milha quadrada ainda é muito menor do que a de outras partes do país, incluindo a Califórnia (230), Pensilvânia (277) e Nova Jersey (1.173).

Algumas regiões não foram afetadas pelo aumento da população do país. Partes dos Estados nas Grandes Planícies sofreram perda de população e lamentam o êxodo de seus jovens. A densidade de Nebraska (22,7 pessoas por milha quadrada) e Dakota do Norte (9,2) mal se mexeu nesta década.

"Ainda estamos usando uma fração do espaço nacional", disse Robert Lang, diretor do Instituto Metropolitano do Instituto Politécnico da Virgínia. "Em 2050, o espaço ocupado será mais intensamente desenvolvido. Muitos locais estão literalmente sem terras. Eles estão tendo que crescer para o alto em vez de para os lados, mas ainda haverá as Grandes Planícies e vastos trechos do Oeste Intermontanhoso."

Estimulado pelo clima ensolarado do Arizona, abundância de terras e imóveis baratos, crescimento rápido e furioso tem sido um fato da vida ao redor de Phoenix há décadas.

Maricopa, assim como Casa Grande, ao sul de Phoenix, Goodyear e Buckeye, a oeste, e outras pequenas cidades nos limites da área metropolitana estão passando pelo mesmo tipo de boom que transformou subúrbios mais próximos, como Chandler e Glendale, de pingos no mapa em 1970 a cidades cujas populações atualmente passam de 200 mil habitantes.

Rich Dlugas, o prefeito em exercício de Chandler, oferece alguns conselhos: planeje, cobre taxas de impacto ambiental dos empreendedores imobiliários para ajudar com as despesas com ruas, escolas e outros serviços e para que não se transformem em cidades-dormitório.

"A terra é barata e você tem todas estas pessoas se mudando para as
comunidades, mas apenas morar não gera dinheiro", ele disse. As cidades do Arizona contam com imposto sobre venda, não com o imposto sobre propriedade. As áreas residenciais de Chandler já estarão construídas nos próximos cinco ou seis anos, quando a cidade espera que terá mais 40 mil moradores, mas ela já atraiu grandes empregadores como a Intel Corporation.

Estes subúrbios que estão desabrochando são a vanguarda de uma nação que terá que absorver outras 100 milhões de pessoas em 35 anos.

"Eu vivi no nordeste da Pensilvânia, e o declínio do crescimento é pior do que crescimento rápido", disse Jack Tomasik, diretor de planejamento da Associação de Governos do Centro do Arizona. "Mas o rápido crescimento certamente tem suas adversidades."

A estratégia deles: "Vamos aprender com os erros dos outros", disse James Cavanaugh, prefeito de Goodyear, uma comunidade que em 50 anos cresceu para 5 mil habitantes e em menos de 10 saltou para 45 mil.

As cidades que estão passando por um boom estão falando em criar a
infra-estrutura necessária para assegurar que o meio ambiente e os cofres públicos possam sustentar o crescimento, uma dificuldade enfrentada por alguns vizinhos maiores. Este é o motivo para Buckeye, Goodyear, Litchfield Park e Avondale terem unido forças e investido na aceleração do alargamento da Interestadual 10, a primeira vez que comunidades do Arizona fizeram isto, disse o prefeito de Buckeye, Bobby Bryant. Eles estão elaborando planos para anexação de tantas terras que cidades que atualmente estão a quilômetros de distância poderão se encontrar. Eles estão concebendo estratégias para atrair empresas e empregos, não apenas moradias, um equilíbrio delicado porque varejo e empregadores só aparecem depois que um número suficiente de pessoas já estão vivendo lá.

"O problema é que o crescimento populacional precede a infra-estrutura que é realmente necessária", disse Jack Tomasik, diretor de planejamento da Associação de Governos do Centro do Arizona.

"Nós sabemos que vamos crescer, mas estamos tentando crescer de uma forma que possamos controlar", ele disse. "Não é possível continuar com terrenos grandes, casas grandes e altas despesas com combustível."

Seis comunidades planejadas e 71 escolas primárias estão previstas. A cidade aprovou 77 licenças de construção de casas em 2000 e quase 8 mil em 2005. Há mais atenção ao projeto arquitetônico. A nova comunidade Verrado tem um centro ao estilo "novo urbanismo", com unidades residenciais que ficam a uma distância que pode ser percorrida a pé do clube de golfe e restaurante.

Goodyear rejeitou indústrias químicas e está em busca de empregos de alta remuneração ao redor do Aeroporto Goodyear Phoenix. Ela está tentando atrair faculdades e universidades privadas e times da primeira divisão do beisebol para pré-temporada. A cidade está criando um novo centro com a construção de uma biblioteca, prefeitura e centro de artes em uma única área.

Dixon, da Population Connection, concorda, mas "em vez do governo local
cuidar disto em partes, nós devíamos abordar isto como um assunto nacional".

Os Estados Unidos têm feito um "péssimo trabalho" na administração de
recursos naturais escassos, disse Darmstadter.

"Muitas políticas federais do passado não trataram a água como um bem
econômico e basicamente subsidiaram o uso da água para cultivo de plantações no deserto", ele disse. "Nossa política deve ser mais voltada para recursos naturais e uso das terras do que uma política populacional."

Maricopa não era nem mesmo uma cidade até outubro de 2003, quando cerca de 2 mil pessoas moravam lá.

Os funcionários municipais trabalham em trailers até que o prédio da
prefeitura seja construído. O prefeito está entrevistando chefes de polícia e candidatos estão vindo de todo o país.

"Se estamos crescendo neste ritmo, o que mais podemos fazer a não ser
administrar o afluxo?" disse Anderson, o primeiro prefeito de Maricopa. "Ela vai crescer independentemente disto."

Anderson e sua família venderam cerca de 3,8 quilômetros quadrados de terras para empreendedores imobiliários. Fazendeiros como ele também são empreendedores, ele disse.

"Nós desenvolvemos a plantação", ele disse. "Nós desenvolvemos o mercado para tal plantação." As casas são a nova plantação e os moradores o novo mercado.

Charles Walton, o prefeito de Casa Grande, repete tal sentimento. "A maioria dos moradores mais velhos como eu tentaria impedir o crescimento. Mas no minuto em que você tenta deter o crescimento, você arruína sua comunidade. É preciso aceitar o crescimento. Ele virá quer você queira ou não."

Mas um futuro de crescimento turbulento o incomoda. Ele teme que no final isto possa vir a prejudicar a qualidade de vida das futuras gerações.

"Eu acho que posso tolerar isto no meu tempo de vida", ele disse, "mas
lamento muito pelos meus netos". George El Khouri Andolfato

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