"Duetos" casuais ao estilo de Tony Bennett

Elysa Gardner em Nova York

Ao entrar na suíte de hotel de Tony Bennett, você é imediatamente recebido por Boo, uma cadela maltesa atrevida que acaba de fazer 15 anos.

"Ela é a estrela da família", diz Bennett, tão inatingido pela idade quanto sua companheira canina. Pergunte sobre sua recente festa de 80 anos, e o ícone pop vivaz pega fotos e começa a mostrá-las com o entusiasmo de uma criança.

Brendan McDermid/Reteurs 
Tony Bennett e Billy Joel repetem dueto gravado em CD em apresentação em Nova York

"Aqui estão Bruce Willis e Harry Belafonte - nós começamos juntos", diz Bennett. Ele aponta para uma bela morena e uma ruiva - suas filhas, Johanna e Antonia - e uma loura linda, Susan Crow, sua companheira de longa data.

Mas Bennett tem uma montanha de motivos para se orgulhar. No dia 26 de setembro será o lançamento de "Tony Bennett Duets/An American Classic", uma compilação de duetos dele com Barbra Streisand, Paul McCartney, Stevie Wonder, Elton John, Bono, Sting, James Taylor, Billy Joel e Dixie Chicks.

Produzido por Phil Ramone, que também trabalhou em "Duets" de Frank Sinatra, "Classic" também conta com artistas mais jovens como John Legend, Juanes e Michael Buble, que se unem a Bennett em algumas das grandes canções americanas que ele ainda esposa. Diferentemente do Sr.

Olhos Azuis, Bennett gravou todos os duetos ao vivo. "Meu filho Danny (agente de Bennett) e eu fomos aonde os artistas moravam ou se apresentavam", explica Bennett. "Fomos ao Reino Unido para trabalhar com George Michael e Paul McCartney. Tim McGraw, Elvis Costello e Diana Krall vieram ao meu estúdio em Englewood, N.J., e depois fomos para diferentes partes do país."

O resultado é uma série de interpretações que parecem conversas musicais, com Bennett e parceiros apreciando um encontro fácil e obviamente afetuoso.

"Não buscamos a perfeição", disse Bennett. "Era como uma sessão de jam vocal. Simplesmente trocamos frases entre nós."

Alguns dos colaboradores mais jovens de Bennett ficaram surpresos, acrescenta, com o ambiente relaxado e o ritmo rápido das sessões. "Em geral, gravo em duas ou três tentativas. Quando eles gravam atualmente, levam 25 semanas. Então ficaram espantados com a espontaneidade."

Vários convidados do disco (e Christina Aguilera) vão aparecer no programa "Tony Bennett: An American Classic", um especial da NBC que estréia no dia 21 de novembro. Dirigido pelo vencedor do Oscar Rob Marshall ("Chicago", "Memórias de uma Gueixa"), o programa inclui cenas com Willis, Robert De Niro, Catherine Zeta-Jones, Billy Crystal e John Travolta.

"É como a história da minha vida musical, com esses artistas maravilhosos e atores de cinema", diz Bennett. "Não quero passar a impressão que estou vendendo o programa, mas é diferente de tudo que já vi. Rob Marshall é um gênio."

Enquanto fala, Bennett, pintor realizado, está sentado diante de um desenho de dançarinos que foi incluído no especial. O trabalho inacabado faz parte de uma série que ele incluirá em um livro de memórias encomendado por Barnes & Noble, que deverá ser lançado no próximo ano. "Mitch Albom está escrevendo o prefácio, o que é maravilhoso", diz ele.

Dada sua tendência em elogiar os outros, faz sentido que este sobrevivente do showbiz expresse admiração -e preocupação- com os cantores intérpretes iniciantes de hoje.

"Você assiste 'American Idol' e vê o talento que esses jovens têm, o potencial", diz ele. "Rosemary Clooney e eu fomos os primeiros American Idols; começamos em um programa. Mas aqueles tempos eram diferentes. Agora você tem que fazer dinheiro logo. Se o primeiro disco emplacar, o artista tem gastar muito dinheiro com promoção, contador, advogados, agentes. Depois, se o segundo não agradar, eles mandam aquele músico embora e usam o próximo. Para mim isso é muito cruel."

Para ajudar a estimular os jovens artistas, Bennett fundou uma escola, a Frank Sinatra School of the Arts, no Queens, onde nasceu. Bennett também tem um estúdio de gravação dirigido por seu filho Dae, engenheiro de som.

"Tenho uma vida abençoada", diz Bennett, e ativa. Jogo tênis três vezes por semana "e me exercito sempre. E ainda me apresento. Trabalhamos cerca de sete noites por mês, e o resto do tempo passo pintando."

Um de seus trabalhos, um quadro do Central Park, foi recentemente aceito pelo Instituto Smithsonian. A Organização das Nações Unidas prestou outra homenagem, tornando Bennett um "cidadão do mundo" oficial. "Eu pensei: 'Nossa, como foi que isso tudo aconteceu comigo, que comecei como um garçom cantante em Astoria?'"

E Bennett não vê razão para não acreditar que o melhor ainda está por vir. "Ainda não terminei o que quero fazer. Há tantas vantagens em fazer o que se gosta." Deborah Weinberg

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