Visita de líder cazaque exige sutileza diplomática

Barbara Slavin
Em Washington

O presidente Bush se encontrará na sexta-feira com o líder do rico em petróleo Cazaquistão, uma visita um tanto embaraçosa devido ao retrospecto ruim do país em direitos humanos e dúvidas sobre seu compromisso com a democracia.

A visita do presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev, à Casa Branca é o segundo ato de equilibrismo diplomático de Bush nesta semana. Na quarta-feira, Bush recebeu os rixentos presidentes do Afeganistão e do Paquistão, em uma tentativa de fazer com combatam em conjunto o terrorismo.

Nazarbayev e Bush discutirão energia, a economia do Cazaquistão e os esforços para combater o terrorismo e o tráfico de drogas, disse a Casa Branca.

Bush também encorajará o Cazaquistão a "acelerar o progresso das reformas democráticas", disse Frederick Jones, um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional.

Nazarbayev, 66 anos, governa o Cazaquistão desde 1989, quando ele ainda era uma república soviética. O mais recente relatório de direitos humanos do Departamento de Estado considera "ruim" o retrospecto do Cazaquistão. Ele disse que o regime impõe "limites severos aos direitos dos cidadãos de mudar seu governo".

Rachel Denber, vice-diretora do Human Rights Watch para Europa e Ásia Central, disse que ele permanece no poder por meio da manipulação das eleições, a mais recente em dezembro.

Para Nazarbayev, a visita confirma a valorização por parte do governo Bush do petróleo do Cazaquistão e de sua posição estratégica entre a Rússia, China e o Mar Cáspio. O Cazaquistão produz 1,2 milhão de barris de petróleo por dia, mas tem o potencial de ser um grande produtor em uma década.

Empresas americanas como Chevron gastaram US$ 6 bilhões lá desde 1993 -mais de um terço do investimento estrangeiro no país, disse o Departamento de Estado.

Nazarbayev tem se aliado aos Estados Unidos em assuntos importantes. Ele contornou a Rússia com um oleoduto, apesar da intensa pressão do Kremlin.

Ele também abriu mão das armas nucleares do país da era soviética. O líder cazaque obteve avanços na redução da pobreza e na promoção do ensino secular em uma sociedade de maioria muçulmana, disse Frederick Starr, chefe do programa para Ásia Central da Escola de Estudos Avançados e Internacionais da Universidade Johns Hopkins.

Dois líderes da oposição morreram em circunstâncias suspeitas no ano passado. Zamanbek Nurkadilov recebeu dois tiros no peito e um na cabeça. Um oficial de investigação descartou a hipótese de suicídio. Na morte de Altynbek Sarsenbayev, membros do serviço de segurança do país estavam entre as 10 pessoas condenadas pelo assassinato. Nazarbayev nega envolvimento.

Por meses antes de sua morte, Sarsenbayev dizia que apreciava o "apoio moral" americano à democracia, mas alertava que "palavras suaves e inação" estavam encorajando a liderança autoritária do país a "oprimir seu próprio povo".

Richard Boucher, secretário-assistente de Estado para Centro e Sul da Ásia, disse que os Estados Unidos questionam "regularmente" o Cazaquistão em relação a direitos humanos, mas não pode ter "políticas unidimensionais".

Ele disse que os dois países têm "um relacionamento equilibrado baseado em cooperação de segurança, desenvolvimento econômico e que avança na direção da estabilidade democrática". George El Khouri Andolfato

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