O "Estranho Mundo" de Tim Burton volta

Claudia Puig
Santa Monica, Califórnia

"O Estranho Mundo de Jack", de Tim Burton, ganhou uma nova dimensão a sua estranheza, depois de todos esses anos. E a soma dos anos dá, apropriadamente, 13.

Com o Halloween se aproximando, a sexta-feira 13 que acaba de passar e a celebração de seu aniversário significativo, "O Estranho Mundo de Jack" voltará às telas no dia 20 de outubro, desta vez em três dimensões.

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"O Estranho Mundo de Jack" volta às telas no dia 20 de outubro, desta vez em três dimensões

E até o próprio criador Burton se viu novamente envolvido pelo mundo gótico e repulsivo de Jack Skellington, o rei da cidade do Halloween.

"Torna o filme estranhamente melhor; você passa a vê-lo como deveria ser -completamente dimensional. (A nova versão) pega a história e de fato a aprofunda. Vejo detalhes nos cenários que não me lembrava de ter visto", diz Burton, 48, em uma visita à Califórnia do Sul, onde nasceu. Atualmente, ele mora em Londres.

Burton resistiu a mexer no filme de 1993 que se tornou um clássico cult. Com tantos filmes atuais lançando segundos e até terceiros episódios, o "Estranho Mundo" de Burton está sozinho. Não haverá outro episódio, diz ele. Mas isso não será por falta de tentativas da Disney, que lançou o filme.

Burton -cujos filmes mais recentes foram "A Noiva Cadáver" e "A Fantástica Fábrica de Chocolate"- está em fase de pré-produção da adaptação para o cinema de outra história macabra "Sweeney Todd". Ele recusa os pedidos de novos episódios a "cada novo regime que entra" na Disney. "Apenas digo não. Então, não haverá um 'Jack Visita o Mundo do Dia de Ação de Graças'".

Parte de seu desejo de manter o filme único tem a ver com a conexão que a história contada em animação de stop-motion teve com os fãs. "Não dá para brincar com isso", diz Burton. "Não é uma coisa de mercado de massa. É algo especializado."

A popularidade crescente do filme surpreendeu até Burton. "Meio que me apanhou de surpresa", diz ele. "Na minha cabeça, o objetivo era um pagamento emocional pelos especiais de Natal como 'Rudolph the Red-Nosed Reindeer' e 'O Grinch', coisas que me lembro especificamente de sentar e assistir. É muito legal quando você encontra alguém que diz que (o filme) teve um impacto, porque você sabe que é de coração."

A história é sobre Jack Skellington, o entediado rei do Mundo do Halloween (com a voz falada de Chris Sarandon e Danny Elfman cantando) que tenta dominar o Natal, contra o conselho de Sally (voz de Catherine O'Hara), a boneca de pano apaixonada por ele. É sombriamente perverso e excêntrico, mas ainda sim tem uma doçura inerente, não sentimental.

Burton está convencido de que o público, especialmente as crianças, não gosta das mensagens bobas de alguns filmes de animação.

"Corre para pegar a sacola de vômito! Hoje se tira proveito das crianças, e isso realmente deixa a pessoa enojada", diz ele. "As crianças têm mais consciência do que qualquer um."

Atualmente, os estúdios lançam filmes animados com uma freqüência maior do que nunca. Ainda assim, "O Estranho Mundo de Jack" é o tipo raro de filme que se sobressai e mantém seu brilho -e seu público feliz- mesmo depois de 13 anos.

"Por muito tempo os estúdios não entendiam o poder da animação", diz Burton. "Levou tempo para pegar. A mesma coisa acontece em qualquer gênero: eles o saturam, colocam um travesseiro por cima e o sufocam. Quantos filmes de animais falando poderemos ter?"

Apesar de ser chamado em inglês de "Tim Burton's Nightmare Before Christmas" , Burton não o dirigiu -e sim Henry Selick- e apesar de ter concebido a história, Caroline Thompson ficou com os créditos do roteiro.

Será o nome de Burton um tipo de marketing?

"Eles acharam que seria a melhor forma de dizer qual era o estilo da história, em relação a um filme de terror, já que o título era parecido com 'A Hora do Pesadelo', esse tipo de coisa", diz ele. "Achei que o meu nome poderia de fato assustar ainda mais as pessoas. Mas eles acharam diferente."

Enquanto isso, Burton está se preparando para seu feriado favorito, com Helena Bonham Carter e seu filho, Billy Raymond, 3. "Gosto desse período entre o Halloween e o Natal", diz ele. "É uma época do ano elétrica, emotiva."

E agora que é pai, ele pode compartilhar as assombrações. Apesar de Billy Raymond não estar pronto para a experiência do cinema, ele gosta de brincar com seus brinquedos do filme, diz Burton. "Ele gosta do Jack. Ele tem um enorme travesseiro do Jack", diz ele, procurando fotos na carteira de seu filho vestido com uma fantasia de esqueleto.

Quando dissemos que o filho de cabelos dourados lembra sua mãe atriz, Burton concordou. "Por sorte, ele parece mais com ela. Provavelmente é melhor assim." Deborah Weinberg

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