Bush: "Não estou satisfeito" com a guerra no Iraque

David Jackson e Kick Jervis
em Washington

O presidente Bush admitiu na quarta-feira (25/10) que as forças americanas estão sofrendo baixas pesadas no Iraque e que muitos americanos "não estão satisfeitos com a situação".

Bush disse: "Tampouco estou satisfeito."

Mas enquanto Bush prometeu pressionar os líderes iraquianos a aceitarem maior responsabilidade para governar sua nação dividida, o primeiro-ministro Nouri Al-Maliki rejeitou os pedidos americanos feitos 24 horas antes para que o Iraque estabelecesse um cronograma para reprimir a violência sectária.

Al-Maliki menosprezou os comentários do general George Casey, principal comandante americano no Iraque, e do embaixador americano Zalmay Khalilzad, dizendo que eram movidos por preocupações de Bush com as eleições de 7 de novembro.

"Afirmo que este governo representa a vontade do povo e ninguém tem o direito de impor um cronograma sobre ele", disse Al-Maliki em Bagdá. "Tenho certeza que esta não é a política oficial do governo americano, mas um resultado da campanha de eleição."

Al-Maliki também negou conhecimento prévio de uma ação das forças americanas e iraquianas na quarta-feira à Cidade de Sadr, reduto de uma milícia xiita liderada pelo clérigo Muqtada Al-Sadr. Al-Maliki disse que não tinha sido consultado e que tal ação "não será repetida".

O discurso duro de Al-Maliki contra as iniciativas americanas é um esforço público para agradar à base de poder em seu tênue governo de coalizão -principalmente o movimento de Al Sadr e a facção xiita rival, o Conselho Supremo para Revolução Islâmica no Iraque, ou Sciri, disse Chirs Toensing, diretor do Projeto de Informação e Pesquisa do Oriente Médio, em Washington.

"Quando nega seu papel na ação militar, ele está falando aos Sadristas; quando nega os cronogramas, está falando ao Sciri e ao Dawa (partido do próprio Maliki)", disse Toensing. "É uma corda bamba bem estreita para andar."

Bush, falando aos repórteres na Casa Branca, concordou que não se pode forçar condições sobre o governo soberano do Iraque. Ele deixou claro, entretanto, que a paciência americana com Al-Maliki não é infinita.

"Converso com ele freqüentemente e lembro-lhe que estamos com ele desde que continue a tomar duras decisões. É isso que esperamos", disse Bush. "Vamos pressioná-lo, mas não vamos pressioná-lo ao ponto que não possa atingir o objetivo" de um Iraque estável.

Bush continuou negando pedidos democratas para que estabeleça um cronograma fixo para o início da retirada das tropas americanas do Iraque. Ele repetiu seu argumento que uma vitória no Iraque é essencial à batalha maior contra o terrorismo. "Estamos vencendo e vamos vencer, a não ser que partamos antes do serviço estar terminado", disse ele.

Bush citou sucessos no Iraque, tais como a captura de Saddam Hussein em dezembro de 2003 e uma série de eleições bem sucedidas. Ele também listou fracassos, inclusive a perda de vidas americanas e não terem sido encontradas armas de destruição em massa. "A responsabilidade final", disse Bush, "é minha".

Democratas, que acreditam que a preocupação do eleitor com a guerra pode alimentar perdas republicanas nas eleições ao Congresso, disseram que a aparente desconexão entre Bush e Al-Maliki reflete a confusão da Casa Branca no Iraque.

"A política do governo Bush para o Iraque, como o próprio país, está em completa confusão", disse o líder da minoria no Senado Harry Reid, democrata de Nevada. "Um dia, o governo pede um cronograma, no outro, o primeiro-ministro iraquiano Maliki se recusa."

A mais recente pesquisa de opinião do USA Today/Gallup, feita entre 20 e 22 de outubro, encontrou os eleitores mais concentrados em questões nacionais do que em qualquer eleição anterior ao Congresso e pessimistas coma guerra no Iraque. Dos entrevistados, 19% disseram que os EUA estão vencendo no Iraque, o menor número até hoje. Deborah Weinberg

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