Madonna fala sobre o furor da adoção

Karen Thomas

Madonna chamou de "chocantes" as críticas à sua adoção em uma entrevista para o "The Oprah Winfrey Show" em 25 de outubro, a primeira vez que a cantora se manifestou sobre os rumores e controvérsia em torno da adoção de um menino de 1 ano de Maláui.

Mas especialistas disseram que ela e seu marido, Guy Ritchie, escolheram uma área do mundo onde adoção internacional ainda é território não mapeado e ela não deveria se surpreender com o furor.

Em "Oprah", Madonna falou sobre a pobreza desoladora de Maláui - esgoto a céu aberto, crianças de 8 anos cuidando de lares e mães moribundas - e do esforço emocional para trazer para casa uma criança para uma vida melhor.

É uma reação comum, disse Vicki Peterson, diretora executiva da Wide Horizons for Children Inc., a agência que ajudou a atriz Angelina Jolie a adotar sua filha, Zahara, atualmente com 1 ano, na Etiópia.

"O impacto é profundo e você não consegue ir embora de áreas onde as crianças vivem em tais condições sem mudar sua vida", disse Peterson, que aplaude os esforços de Madonna para adotar e a aparição da cantora em "Oprah". "Qualquer coisa que ela puder fazer para espalhar a notícia de que aquelas crianças precisam de ajuda é apreciada."

Mas ao escolher adotar em Maláui, Madonna se abriu para desafios adicionais, "porque as leis são profundamente inconsistentes em todos os países", disse Justin Dzonzi, do Comitê Consultivo de Direitos Humanos, uma coalizão de grupos de direitos humanos que pediu na Justiça de Maláui para estar envolvido no processo de adoção. Uma audiência está marcada para 27 de outubro.

Quando Madonna disse que "não há leis de adoção em Maláui", ele está em grande parte correta, ele disse: não há definição para adoção internacional.

Dzonzi disse que Madonna "pode ter simplificado exageradamente" a idéia de se lançar no salvamento de uma criança, "mas ela deve ter uma equipe de especialistas legais a orientando". Seu grupo não está contestando a adoção para impedi-la; ele quer envolvimento para assegurar que os direitos legais das crianças sejam mantidos.

Madonna disse a Winfrey que sua assistente social lhe orientou a considerar outros países africanos para uma adoção menos controversa.

Outro problema: Maláui está entre os países africanos onde o termo "adoção" não faz parte da linguagem falada, disse Peterson.

Madonna culpa a imprensa por torcer as palavras do pai de David, Yohane Banda, que ganhou manchetes em todo mundo nesta semana ao dizer que não estava ciente de que estava dando seu filho "definitivamente". (Ele disse à "Time" nesta semana que não contestará a adoção.)

A confusão é "fácil de entender", disse Dzonzi. "O malauiano comum não
entende a diferença entre pais de criação e adoção."

Sobre David e a adoção

Madonna conversou com a apresentadora de talk show Oprah Winfrey em Chicago, via satélite de Londres. Entre seus comentários:

- Quanto ao menino que planeja adotar: "David vive neste orfanato desde que tinha duas semanas de idade. Ele sobreviveu à malária e tuberculose e ninguém de sua família o visitou desde que chegou. Segundo meu ponto de vista, não havia ninguém cuidando do bem-estar de David".

- Quanto aos relatos de que recebeu tratamento preferencial: "Quem me dera minha riqueza e posição pudessem ter feito as coisas andarem mais
rapidamente. Eu lhe garanto que não importa quem você seja ou quanto
dinheiro tenha: nada anda rápido na África. Não há leis de adoção em Maláui. E fui alertada pela minha assistente social que devido a não haver leis conhecidas em Maláui, eles mais ou menos as criariam no andamento do processo. E ela me disse: 'Escolha a Etiópia. Vá para o Quênia. Não vá para Maláui, porque você apenas vai enfrentar dificuldades'".

-Sobre adoção internacional: "Eu imploro a todas estas pessoas para irem à África e verem o que vi e caminharem por aquelas aldeias... Verem crianças de 8 anos responsáveis por lares. Verem mães morrendo, com lesões de sarcoma de Kaposi por todo corpo. Verem os esgotos a céu aberto por toda parte. Verem o que vi. É um estado de emergência. No meu entender, as leis de adoção precisam ser mudadas para se adequarem àquele estado de emergência. Eu acho que se todos forem para lá, eles vão querer levar uma daquelas crianças para casa e dar-lhes uma vida melhor". George El Khouri Andolfato

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