EUA devem retomar treinamento de militares na América Latina

Bárbara Slavin
em Washington

Uma preocupação com vitórias da esquerda na América Latina levou o presidente Bush a discretamente dar permissão para os EUA voltarem a treinar militares de 11 países da América Latina e Caribe.

O governo espera que o treinamento crie laços com países na região e enfraqueça a tendência à esquerda. Daniel Ortega, inimigo americano na região nos anos 80, foi eleito presidente da Nicarágua nesta semana. Os bolivianos escolheram outro esquerdista, Evo Morales, no ano passado.

A proibição de fornecer treinamento militar foi originalmente formulada para pressionar os países a isentarem os soldados americanos de julgamentos de crimes de guerra. A lei americana de 2002 proíbe os países de receberem assistência militar e treinamento caso se recusem a dar imunidade aos membros do serviço militar americano que de outra forma poderiam ser levados à Corte Criminal Internacional. A lei, entretanto, permite licenças presidenciais.

A Casa Branca suspendeu a proibição em 21 países, a metade, aproximadamente, na América Latina e Caribe, por meio de um memorando presidencial no dia 2 de outubro para a secretária de Estado Condoleezza Rice. A proibição em dar armas aos países persiste. A venda de armas comerciais não foi afetada, diz Jose Ruiz, porta-voz do Comando Sul dos EUA.

A proibição de treinamento custou a influência dos EUA. A questão ganhou urgência depois que uma série de candidatos de esquerda chegaram ao poder na América Latina. Rice disse em uma visita à região neste ano que o impacto da proibição foi o "mesmo que atirar no próprio pé".

A China ocupou o espaço. Ruiz disse que a China "procurou todos os países da região de nossa responsabilidade", trocou militares de alta patente com Equador, Bolívia, Chile e Cuba e forneceu assistência militar e treinamento à Jamaica e à Venezuela.

A proibição continua em vigor em alguns países. A Venezuela, cujo feroz presidente Hugo Chávez é crítico do governo Bush, continua inelegível porque consta de uma lista do Departamento de Estado de países que teriam permitido o tráfico de mulheres e crianças para exploração sexual e trabalho forçado. Cuba também está fora por causa de um longo embargo americano contra o regime de Fidel.

Ruiz diz que esforços estão sendo feitos para que as verbas sejam transferidas neste ano e o treinamento de oficiais estrangeiros dos países aprovados seja iniciado no próximo ano. O treinamento será conduzido nos EUA.

Países elegíveis: Barbados, Bolívia, Brasil, Costa Rica, Equador, México, Paraguai, Peru, São Vicente e Granadinas, Trinidad e Tobago e Uruguai. Deborah Weinberg

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