Quatro anos depois, Bush pede mais tempo para vitória no Iraque

Chuck Raasch
em Washington

O presidente que falou na segunda-feira (19/3), no quarto aniversário da invasão do Iraque, era um homem bem diferente daquele comandante-em-chefe otimista que declarou a "missão cumprida" na fase inicial da guerra.

George W. Bush, de cabelos mais grisalhos e mais comedido do que nunca, descreveu o Iraque como uma guerra que "pode ser vencida" e mais uma vez procurou estabelecer um duvidoso vínculo entre o Iraque e o 11 de setembro - pelo menos no que se refere às conseqüências de uma retirada. Não se viu mais aquele presidente arrogante que discursou no convés de um porta-aviões, tendo ao fundo uma faixa com a frase "Missão cumprida", em 1º de maio de 2003, pouco depois da queda de Bagdá. Até outubro do ano passado, Bush assegurava ao povo norte-americano que os Estados Unidos estavam "sem sombra de dúvida" vencendo no Iraque.

Mas no quarto aniversário da invasão, a mensagem do presidente consistiu mais em um pedido do que em um pronunciamento. Segundo ele, "a luta é difícil, mas pode ser vencida". Bush disse que o acréscimo de mais de 21 mil soldados - medida à qual se opõem os democratas no Congresso e a maioria da população, de acordo com as pesquisas - está nos seus estágios iniciais, e pediu mais tempo para que o plano surta efeito. "O sucesso demorará meses, e não semanas ou dias", disse. Implícito nesta declaração está o fato de Bush reconhecer que, sob o ponto de vista político, não conta com anos para fazer com que o seu plano tenha resultados.

"Houve um bom progresso", argumentou George Bush, chamando atenção para a aprovação pelos iraquianos de uma lei referente a verbas advindas do petróleo, do treinamento adicional de tropas e de outras medidas tomadas por um governo incipiente. "Existe muito mais trabalho a ser feito".

Ele respondeu indiretamente à crescente oposição à guerra no Congresso, onde os democratas estão exercendo pressões por uma retirada gradual das tropas norte-americanas, ao advertir os parlamentares para que estes não mexam nas verbas emergenciais para o financiamento da guerra. "Retirar as tropas norte-americanas do Iraque poderia ser algo satisfatório no curto prazo, mas eu acredito que as conseqüências para a segurança norte-americana seriam devastadoras", afirmou Bush.

O seu discurso foi altamente simbólico. Falando durante sete minutos no Salão Roosevelt da Casa Branca, Bush procurou se vincular intrinsecamente a um outro presidente, de uma outra guerra. Mas a Segunda Guerra Mundial de Franklin Delano Roosevelt terminou em menos de quatro anos.

Ao pedir mais tempo e paciência em relação ao Iraque - uma argumentação cada vez mais difícil de ser defendida em um Congresso dominado pelos democratas e em uma nação cansada da guerra - Bush se defronta com obstáculos que Franklin Delano Roosevelt jamais enfrentou. Esta guerra não pode ser vencida, no estilo de Franklin Delano Roosevelt, com a conquista de territórios e a deposição de ditadores. Isso já ocorreu com a remoção do poder e a execução de Saddam Hussein.

Fundamentalmente, Bush está travando uma batalha por coração e mentes tanto no Iraque quanto nos Estados Unidos. E, recentemente, ele vem perdendo essa batalha em ambas as frentes.

Uma nova pesquisa USA Today/ABC News divulgada nesta segunda-feira revela que os iraquianos estão bem menos esperançosos e que eles se sentem muito menos seguros agora do que há dois anos. Ao mesmo tempo, uma pesquisa da CNN divulgada no mesmo dia demonstrou que o apoio à guerra caiu dos 72% registrados nos estágios iniciais do conflito para apenas 32% nos dias de hoje. E ocorreram protestos contra a guerra f em cidades de todo o país durante o final de semana.

Nada que Bush possa dizer agora é capaz de competir com as realidades presenciadas no território iraquiano. Como presidente, Bush ainda conta com o púlpito intimidador inerente ao cargo, mas ele sabe que a guerra - e a sua presidência - depende muito mais de acontecimentos que ainda estão por ocorrer no desenrolar daquilo que é basicamente um plano derradeiro. "Haverá dias bons e dias ruins pela frente enquanto o plano de segurança é aplicado", afirmou o presidente. UOL

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