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04/05/2007 - 00h15

Cientistas descobrem vínculo entre gene da longevidade e dietas hipocalóricas

USA Today
Dan Vergano
Cientistas identificaram o primeiro gene essencial para o prolongamento da vida de animais submetidos a dietas de baixa caloria, fazendo surgir a possibilidade da fabricação de uma pílula da longevidade.

Em pesquisas anteriores, a "restrição calórica" prolongou a vida, às vezes em até 40% acima da média, de criaturas tão diversas quanto ratos e vermes. Alguns estudos feitos com pessoas e macacos estão verificando se essas dietas de quase fome, que consistem talvez de 70% das calorias consumidas em uma dieta normal, também os ajudarão a viver mais.

"Mas essas dietas são bastante difíceis de serem seguidas", afirma Andrew Dillin, do Instituto Salk de Estudos Biológicos, em La Jolla, Califórnia, cuja equipe internacional de pesquisa genética foi citada na edição de quinta-feira (03/05) do periódico "Nature". A descoberta do gene, chamado PHA-4, faz com que surjam esperanças quanto à descoberta do mecanismo genético por trás das restrições calóricas que pode permitir que as pessoas vivam mais tempo sem precisar passar fome.

No passado outros genes foram vinculados a dietas hipocalóricas e ao aumento da longevidade, mas, no novo estudo, a equipe descobriu que a presença ou a ausência do PHA-4 em vermes é o fator fundamental para determinar se uma dieta de fome prolonga as suas vidas, independentemente de eles contarem ou não com quaisquer desses genes.

Dillin chama o PHA-4 de gene "primordial" que controla um processo que provavelmente surgiu em condições de oscilação entre abundância e fome no passado, quando as criaturas que desenvolveram metabolismos que funcionavam mais eficientemente sob condições de fome sobreviveram. Versões do gene, que a equipe patenteou em vermes, são encontradas também em mamíferos, e os cientistas realizaram experimentos com ratos para verificar o seu efeito.

"Estamos no limiar de algumas descobertas enormes sobre a restrição calórica", afirma o biólogo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, Leonard Guarente, que não participou do estudo sobre o PHA-4. Várias descobertas recentes, tais como aquela feita no ano passado por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Harvard, de que o resveratrol, encontrado no vinho tinto, aumenta a longevidade em ratos, também fizeram com que crescessem as esperanças quanto aos tratamentos que possibilitem uma vida mais longa.

"A minha suspeita é que esse tratamento não venha a ser um substituto para um estilo de vida saudável. Ainda é necessário fazer ginástica", diz Guarente. "Mas se o indivíduo está em forma, nós descobriremos algo capaz de melhorar ainda mais essa boa forma, e se ele não estiver com bom condicionamento físico, provavelmente descobriremos algo que também o ajudará".

No decorrer do estudo, a equipe de Dillin ativou e desativou o gene por meio do acréscimo de compostos "silenciadores" do PHA-4 ao alimento dos vermes. Se experimentos similares funcionarem em ratos, uma etapa final será incrementar a atividade da versão mamífera desse gene em humanos.

Dillin observa que a fome não é algo de novo na história humana, mas nos séculos anteriores as pessoas não contavam com antibióticos, saneamento e hospitais, e isso provavelmente anulou qualquer benefício em termos de longevidade que possa ter sido provocado pela fome.

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