Medo da criminalidade aumenta demanda por segurança no México

Chris Hawley
Na Cidade do México

O desenho dos aparelhos de alta tecnologia era capaz de deixar James Bond com inveja.

Em uma recente feira de segurança realizada aqui, as empresas estavam vendendo geradores de cortina de fumaça e câmeras escondidas em apontadores de lápis. Havia também farejadores de bomba portáteis, portas à prova de balas e minúsculos dispositivos de rastreamento destinados a frustrar seqüestradores.

Os clientes visados não eram agentes secretos britânicos, mas mexicanos à procura de novas formas de se protegerem da criminalidade. A indústria de segurança está prosperando no México, à medida que a guerra entre os cartéis do narcotráfico e uma onda de seqüestros assustam a população.

"Eu acho que o medo está crescendo", disse Niv Yarimi, diretor de vendas da Guibor Private Security, uma empresa de segurança de propriedade israelense que viu seus negócios triplicarem no México no ano passado. "Há uma sensação de que o crime organizado está três passos à frente dos serviços de segurança e da polícia."

A taxa de homicídios no México na verdade caiu cerca de um terço ao longo da última década, segundo o Instituto dos Cidadãos para Estudos sobre Insegurança, um grupo que monitora a criminalidade. Mas a carnificina da guerra das drogas - com o aumento das decapitações, ataques com granada e tiroteios envolvendo armas de fogo pesado - convenceu muitos mexicanos de que não podem mais depender da polícia para ajuda.

Um aumento da construção de residências e uma queda no preço das câmeras de segurança também ajudaram a impulsionar as vendas de produtos relacionados a segurança, à medida que mais mexicanos de classe média podem armar suas casas com sistemas de alarme, disseram as empresas de segurança.

"As pessoas estão tomando a iniciativa e fazendo o que podem", disse Guillermo Palma, diretor mexicano de vendas para a Pelco, uma fabricante americana de sistemas de vídeo de segurança. "A cultura dos mexicanos mudou. (Eles agora dizem:) 'Por que devo esperar até que algo ruim aconteça comigo?'"

Alimentando a sensação de insegurança há uma guerra territorial de 2 anos entre o Cartel de Sinaloa, do oeste do México, e o Cartel do Golfo, do leste do país. Confrontos com rifles de assalto e lançadores de granada se tornaram comuns em Nuevo Laredo, Acapulco, Monterrey e outros pontos ao longo dos corredores do tráfico de cocaína.

O presidente Felipe Calderón prometeu combater as gangues do narcotráfico. Logo após sua posse em dezembro, ele começou a enviar milhares de soldados e agentes federais para conter a violência no oeste e norte do México.

"O México não deve e não irá cair nas mãos dos criminosos", disse Calderón no mês passado. "Nós devemos empregar toda a força do Estado para resgatar nossas ruas, nossos parques, nossas cidades, nossas escolas."

Muitos mexicanos temem que a posição dura de Calderón apenas agravará as coisas, pelo menos a curto prazo. Cerca de 85% dos mexicanos acreditam que a ofensiva contra os cartéis do narcotráfico aumentará a violência e metade acredita que eles nunca serão controlados, segundo uma pesquisa nacional a domicílio envolvendo 1.200 entrevistados, realizada em março e feita pela empresa de pesquisa Parametria. A pesquisa apresenta margem de erro de 2,8 pontos percentuais para mais ou para menos.

"Todas as pessoas, nós vivemos em um estado de pânico sobre o que pode nos acontecer", disse Karina Ríos Hernandez, 22 anos, uma atendente de um café Starbucks na Cidade do México. "Todos culpam o governo. Ele não consegue garantir nossa segurança."

Enquanto isso, várias autoridades de manutenção da lei foram assassinadas em Tijuana, Nuevo Laredo, Agua Prieta e outras cidades. As autoridades mexicanas atribuíram a maioria das mortes aos cartéis do narcotráfico.

Na feira Expo-Seguridad no mês passado, pelo menos quatro empresas ofereciam dispositivos de rastreamento destinados a combater seqüestros e roubos de automóveis. Uma empresa, a Enlace de Vida, estava vendendo um "botão de pânico" de pulso que os executivos podem usar para acionar a segurança particular.

O governo federal do México tentou responder ao crime instalando "sistemas de segurança urbanos" - redes de câmeras ao ar livre monitoradas por computadores - em 16 dos 31 Estados do país.

Em Tijuana, a prefeitura instalou nos últimos dois anos 320 câmeras e 70 microfones ajustados para detectar disparos de armas de fogo. O Estado tomado pela violência de Tamaulipas, que faz fronteira com o Texas, anunciou planos em novembro para um sistema de câmeras por todo o Estado chamado de Programa da Fronteira Norte.

Logo, mesmo os vigilantes da cidade serão vigiados. Em janeiro, o prefeito da Cidade do México, Marcelo Ebrard, anunciou que a cidade instalará câmeras em 70 gabinetes de promotores e detetives para reduzir a corrupção policial. George El Khouri Andolfato

UOL Cursos Online

Todos os cursos