Americanos crêem que presença dos EUA no Iraque não impede guerra civil

De Susan Page e William Risser, em Washington
Com contribuição de Rick Jervis

A maior parte dos americanos não acredita que a presença continuada das tropas dos EUA no Iraque impedirá o irrompimento de uma guerra civil plena no país, nem protegerá os EUA de novos ataques terroristas, segundo uma pesquisa do USA Today/Gallup.

Os resultados da pesquisa, desenvolvida de sexta-feira(4/5) a domingo (6/5), marcam a falta de influência dos argumentos do governo Bush junto ao público americano, enquanto membros da Casa Branca e democratas do Congresso negociam um projeto de lei provisório para financiar a guerra.

Diante do amplo pessimismo sobre o que está por vir no Iraque e na região, somente um terço dos entrevistados disseram se importar "muito" se os EUA não fossem considerados vitoriosos na guerra. Eles foram superados pelos 43% que disseram que essa noção os incomodaria "não muito" ou "nada".

"Perdemos a guerra quando fomos para lá. Não acho que exista uma situação de 'vitória' aqui. Toda vez que perdemos outro soldado é mais perda", diz Judy Champion, 58, enfermeira de Indianápolis que estava entre os pesquisados.

Seis de cada dez entrevistados apóiam o estabelecimento de um cronograma de retirada e que seja mantido independentemente do que vier a acontecer no Iraque. Por outro lado, 36% dizem que os EUA deveriam manter as tropas no Iraque até que a situação no local melhore.

Um cronograma "nos limita e dá ao inimigo um prazo para sua estratégia", diz Rodney Neifer, 39, de Lumber Bridge, Carolina do Norte. Veterano do Iraque, membro das Forças Especiais do Exército, ele também participou da pesquisa. "A guerra civil, a limpeza étnica e... a concentração dos interesses no exterior -esses preços não são aceitáveis."

Na semana passada, o presidente Bush vetou um fundo para a guerra do Iraque de US$ 124 bilhões (em torno de R$ 248 bilhões) porque incluía um cronograma de retirada das forças de combate até o final de março do ano que vem. Um possível acordo em discussão seria o estabelecimento de metas para o Iraque.

Na pesquisa, três em cada quatro americanos apoiaram a adoção de um sistema de metas que o governo iraquiano teria que cumprir para continuar recebendo assistência econômica e militar.

Enquanto 22% dizem que os EUA têm mais chances de serem atacados por terroristas se as tropas forem retiradas -o argumento fundamental de Bush-, 17% dizem que o envio de tropas aumenta as possibilidades de um ataque. Outros 58% dizem que não faz diferença.

A maior parte dos americanos expressou pessimismo com o futuro do Iraque e do Oriente Médio: se as tropas americanas forem retiradas no ano que vem, 68% prevêem uma guerra civil no Iraque; 55% prevêem ataques terroristas nos EUA, e 52%, uma guerra mais ampla no Oriente Médio. Se as tropas permanecerem, 61% prevêem uma crescente hostilidade em relação aos EUA na região, e 51%, novos ataques terroristas.

Um terço ou menos dizem que as tropas americanas impedirão desdobramentos catastróficos. Enquanto 32% dizem que manter as forças americanas evitará uma guerra civil plena, 47% prevêem que isso acontecerá mesmo com as tropas no país.

O general Raymond Odierno, segundo comandante militar americano no Iraque, disse que a estratégia de guerra será reexaminada em setembro, tomando como base o progresso da segurança iraquiana.

"Certamente vamos precisar dar uma avaliação honesta se está funcionando", disse Odierno ao USA Today. Deborah Weinberg

UOL Cursos Online

Todos os cursos