Hepatite C pode aumentar risco de linfoma não-Hodgkin

De Liz Szabo

As pessoas infectadas com o vírus da hepatite C podem correr um maior risco de ter um câncer chamado linfoma não-Hodgkin, segundo um estudo publicado na quarta-feira, 9/5, no "Journal of the American Medical Association".

Os médicos há muito sabem que o vírus causa hepatite crônica, uma inflamação do fígado, assim como cirrose e câncer de fígado. Mas a nova análise é uma das maiores a encontrar uma relação entre a hepatite C e o linfoma, segundo John Niederhuber, diretor do Instituto Nacional do Câncer (NCI), que ajudou a financiar o estudo.

Os médicos revisaram os prontuários de pacientes no sistema médico do Departamento de Assuntos de Veteranos, incluindo 146 mil com hepatite C e 572 mil que não foram infectados. Em todo o país, cerca de 4,1 milhões de americanos estão infectados com hepatite C, que normalmente é disseminada pelo uso intravenoso de drogas.

Após mais de cinco anos de acompanhamento, os pacientes com hepatite C apresentaram uma probabilidade 20% a 30% maior de desenvolver o linfoma não-Hodgkin, que se desenvolve nas células imunológicas chamadas linfócitos, segundo o estudo, também financiado pelo Centro Médico Michael E. DeBakey de Assuntos de Veteranos, em Houston.

Segundo o estudo, os cientistas também descobriram que a hepatite C triplica o risco de ocorrência de um linfoma muito raro, chamado macroglobulinemia de Waldenstrom.

Mas o risco geral de câncer entre os pacientes permanece baixo, disse Eric Engels do NCI, um autor do estudo. Se os médicos acompanharem 500 pacientes infectados com hepatite C por dez anos, por exemplo, a expectativa seria do vírus causar apenas um caso adicional de linfoma não-Hodgkin, aumentando o número de pacientes afetados de cinco para seis.

Os médicos podem reduzir o risco de câncer e outras doenças tratando a hepatite C com medicamentos antivirais, disse Engels.

Os pacientes no estudo vieram apenas dos hospitais de veteranos e eram na maioria brancos. Os infectados com hepatite C tinham maior probabilidade de terem servido durante a época da Guerra do Vietnã. É possível, disseram os autores, que a relação entre hepatite C e câncer possa ser ligeiramente diferente entre outros tipos de pacientes, como aqueles com planos de saúde particulares ou sem histórico militar.

Mas o estudo pode ajudar os cientistas a entenderem melhor a ligação entre infecção e câncer, disse Marshall Lichtman, vice-presidente executivo para pesquisa e progresso médico da Leukemia & Lymphoma Society. Vários agentes infecciosos -o vírus Epstein-Barr, HIV e uma bactéria chamada Helicobacter pylori- estão associados ao linfoma.

Engels disse que estes organismos podem causar câncer desta forma: as células imunológicas rumam para o local da infecção, então fazem várias cópias de si mesmas para superar em número os vírus e bactérias que querem matar. Apesar da maioria das cópias ser normal, algumas poucas apresentam erros genéticos, ou mutações, que levam ao câncer.

Em todo mundo, cerca de um entre cinco cânceres é causado por uma infecção, disse Engels. Os médicos podem prevenir alguns destes cânceres com vacinas, como a para hepatite B, que pode reduzir o risco de câncer de fígado, ou a nova vacina contra o papillomavírus humano, que protege contra a maioria dos cânceres cervicais. George El Khouri Andolfato

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