Empresas de tecnologia americanas vão para o Brasil

Michelle Kessler
Em São Francisco

Cheguem para o lado, Índia e China. O Brasil é o mais recente país com uma economia emergente a atrair investimentos de empresas americanas de tecnologia.

O Brasil, que é ligeiramente menor do que os EUA e tem cerca de dois terços da sua população, há muito tem potencial para se tornar um mercado tecnológico significativo. Mas a instabilidade econômica detinha o crescimento.

Agora isso está mudando. Os gastos com tecnologia no Brasil devem pular de US$ 20,5 bilhões (aproximadamente R$ 41 bilhões) neste ano para US$ 32,3 bilhões (cerca de R$ 64,6 bilhões) em 2011, diz um pesquisador do IDC.

As empresas de tecnologia americanas de mudança incluem:

  • Dell. A segunda fabricante de PC neste mês abriu uma importante planta de montagem perto de São Paulo. A Dell eventualmente terá cerca de 1.200 funcionários no Brasil -quase o dobro do que tinha em 2005.

  • Draper Fisher Jurvetson. A firma proeminente de capital de risco do Vale do Silício abriu seu primeiro fundo Brasil neste mês, em parceria com uma empresa local. Tem US$ 40 milhões (cerca de R$ 80 bilhões) em capital e um segundo fundo de cerca de US$ 100 milhões seguirá em breve, diz o diretor gerente Don Wood.

  • MySpace. A gigante da rede social, agora de propriedade da news Corp., planeja lançar o MySpace Brasil neste verão.

    Outras empresas estão fazendo investidas similares. A IBM, veterana no Brasil, anunciou recentemente uma parceria com a empresa de vídeogame local, Hoplon Infotainment. Como a língua oficial do Brasil é o português, a Mozilla está anunciando uma versão em português de seu browser da Web Firefox. A Intel lançou um "venture fund" brasileiro de US$ 50 milhões (aproximadamente R$ 100 milhões).

    O Brasil está crescendo rapidamente e "gostaríamos de fazer parte disso", diz Terry Kahler, vice-presidente da Dell na América Latina.

    O crescimento econômico do Brasil foi atrasado por décadas pela inflação que chegou acima de 70% ao mês, disse Patrice Franko, professora de economia do Colégio Colby. Anos de reforma estão colocando a moeda brasileira, o "real", sob controle, diz ela.

    A instabilidade financeira deixou um legado misto. O produto interno bruto per capita do Brasil é de cerca de US$ 8.600 (cerca de R$ 17.200), comparado com US$ 43.500 (cerca de R$ 87.000) nos EUA. Mas o Brasil também tem espírito empresarial e um sistema bancário altamente desenvolvido, diz Franko.

    Agora, devido à moeda mais estável, "temos uma classe média emergindo", diz Elber Mazaro, gerente de marketing da Intel do Brasil.

    O crescimento não é limitado a empresas americanas. A maior fabricante de PCs do Brasil não é a Dell ou a IBM, mas a Positivo Informática, de Curitiba.

    "Fazer negócios no Brasil continua difícil. Os impostos são altos. O Brasil tem um mercado próspero de bens importados ilegalmente", diz Kahler. Além disso, a distância entre ricos e pobres - alguns em favelas afetadas por drogas - está crescendo, diz Franko. Isso levou a um aumento da violência. Os funcionários estrangeiros "estão morando em enclaves de segurança privatizada, para se protegerem", diz ela. Deborah Weinberg
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