Bush: "A Rússia não é nossa inimiga"

David Jackson*
Em Praga, República Tcheca

O presidente Bush aumentou suas apostas na terça-feira (5/6) para o duelo que se aproxima com o colega russo Vladimir Putin, defendendo o sistema de defesa de mísseis ao qual Putin se opõe e criticando a Rússia por seu lento ritmo em direção à democracia. As relações entre os EUA e a Rússia têm estado nervosas, mais recentemente por causa dos planos de Bush de instalar radares na República Tcheca e 10 mísseis interceptores na Polônia. Putin disse que pode ter que redirecionar os mísseis russos para cidades européias como resposta.

Segundo Bush, ele dirá a Putin quando encontrarem-se na quinta-feira que a "Rússia não é nosso inimigo". Bush disse que seu "princípio geral", no que diz respeito às relações entre EUA e a Rússia, é que a "Guerra Fria acabou. Terminou."

Bush e Putin vão passar mais tempo tentando eliminar suas diferenças nos dias 1 e 2 de julho quando Putin visitará a propriedade da família Bush em Kennebunkport, Maine.

Suas sessões "vão esclarecer certas tendências e não levar as relações a um buraco ainda pior, espera-se", disse Toby Gati, especialista em Rússia e ex-assessor do secretário de Estado. "Algumas vezes na diplomacia, evitar que as coisas piorem é o suficiente."

Antes de partir para a reunião de cúpula do Grupo dos Oito na Alemanha, Bush disse a uma conferência pela democracia em Praga que Moscou estava escorregando. "Na Rússia", disse Bush, "as reformas prometidas para dar poder aos cidadãos descarrilaram, com implicações preocupantes" para a democracia.

Defendendo seu movimento em defesa da democracia no Iraque e além, Bush disse que os EUA "estão comprometidos com o avanço da liberdade e da democracia como grandes alternativas à repressão e ao radicalismo".

Bush disse que a conferência inclui dissidentes de 17 regimes. Ele citou os esforços de ativistas democráticos da Síria, China, Belarus, Burma, Cuba, Vietnã e Egito -a maior parte dos quais não conseguiram chegar à conferência por estarem presos.

Ele admitiu questões entre os EUA, a China e a Rússia, mas disse que os EUA não iam desistir de seu apoio aos princípios democráticos - mesmo quando isso irrita aliados.

"Parte de um bom relacionamento é a capacidade de conversar abertamente sobre nossas discordâncias, então os EUA vão continuar a promover seus relacionamentos com esses países - e vamos fazer isso sem abandonar nossos princípios ou valores", disse o presidente.

Mais cedo, Bush discutiu os planos de defesa de mísseis com o presidente tcheco Vaclav Kalus e o primeiro-ministro Mirek Topolanek. Ao agradecê-los por seu apoio, Bush disse que os cidadãos tchecos e seus líderes não têm que escolher entre "serem amigos dos EUA ou amigos da Rússia. Podem ser os dois."

Bush disse que, quando conversar com Putin nesta semana, sua mensagem será "Vladimir - posso chamá-lo de Vladimir - você não deve temer o sistema de defesa de mísseis. De fato, por que não coopera conosco no sistema de defesa de mísseis?"

Putin disse a um grupo de repórteres recentemente que os planos de defesa de mísseis afetariam "o equilíbrio estratégico no mundo" e prometeu "criar um sistema para vencer este novo sistema."

A Casa Branca fez circular uma declaração de Putin à NBC News em 2000, em que disse que apoiava um esforço comum em defesa de mísseis contra nações como a Coréia do Norte. "Tais mecanismos são possíveis, se unirmos nossos esforços e os direcionarmos para neutralizar as ameaças contra os EUA, Rússia, nossos aliados ou a Europa em geral", disse Putin em 2000.

A proposta americana também enfrenta resistência na República Tcheca.

Uma recente pesquisa entre os tchecos mostrou que 61% se opunham à construção da base de radares de mísseis dentro de suas fronteiras e 71% queriam um referendo a respeito. Mais de 2.000 manifestantes marcharam pelas ruas de Praga no mês passado.

O vice-primeiro-ministro da República Tcheca, Alexandr Vondra, disse que o governo precisa melhor "explicar ao povo por que isso é importante", mas tem "tempo o suficiente para isso".

Bush chegou à Alemanha na terça-feira para dois dias de reuniões com os líderes das nações industrializadas do G-8. Ele vai à Polônia na sexta-feira para conversar com o governo sobre a proposta de mísseis de defesa.

*Barbara Slavi contribuiu de Washington
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