Será que as relações EUA-Rússia podem se recuperar no Maine?

David Jackson
Em Washington

Os altos e baixos do relacionamento entre os Estados Unidos e a Rússia ocuparão o centro das atenções no próximo fim de semana, à medida que o presidente Bush e o presidente Vladimir Putin tentarem acertar suas diferenças.

Putin visitará a residência da família Bush em Kennebunkport, Maine, no domingo (1/7) e na segunda-feira, e não se sabe qual será sua postura. Ele será o mesmo líder que ameaçou apontar mísseis russos para a Europa Ocidental, como fez no mês passado? Ou mais parecido com aquele que disse para Bush, em 7 de junho, que estava "satisfeito com o espírito de franqueza" entre os países?

Seja qual for seu humor, Bush e Putin têm muito a discutir. A agenda inclui defesa antimísseis, novas sanções para coibir as ambições nucleares do Irã, possível independência para Kosovo e o destino da democracia na Rússia. "Esta pode ser a última oportunidade para melhorar as relações entre Estados Unidos e Rússia antes dos dois líderes deixarem o cargo em 2008 e 2009", disse Ariel Cohen, um especialista russo da Fundação Heritage.

A Casa Branca diminuiu as expectativas na quarta-feira e contestou a idéia desta reunião ser um "encontro de cúpula". "Eu alertaria contra a expectativa de grandes, novos anúncios", disse o porta-voz da Casa Branca, Tony Snow. "Esta é, na verdade, uma oportunidade para os dois líderes conversarem honesta e francamente um com o outro."

O anfitrião do encontro é o pai de Bush, que apregoou o clima descontraído e os prazeres rústicos de sua residência costeira em Walker's Point. "Pescar faz bem para a alma", disse Bush pai para a "WGME-TV" em Portland, Maine. "A pesca ajuda uma pessoa a conhecer a outra."

Bush e Putin se encontram no momento em que uma nova pesquisa mostra que nenhum deles inspira confiança ao redor do mundo. Menos de 40% dos entrevistados no Reino Unido, Alemanha, França, Espanha, Canadá e Itália confiam que Bush ou Putin "fará a coisa certa em relação aos assuntos globais", segundo o Centro Pew de Pesquisa.

A diferença é que Putin é popular em casa, onde 84% dos russos manifestaram confiança em seu presidente. Bush conta com um índice de confiança de 45% nos Estados Unidos, segundo a pesquisa Pew.

O encontro foi provocado em parte pela disputa em torno da defesa antimísseis. Bush deseja implementar partes de um novo sistema na República Tcheca e na Polônia, o que Putin vê como uma ameaça à Rússia. Putin prometeu apontar mísseis russos para a Europa.

Após semanas de escalada das tensões, Putin surpreendeu Bush em meio ao encontro de cúpula do Grupo dos 8 neste mês, quando propôs um sistema antimísseis conjunto americano-russo em uma instalação de radar existente no Azerbaijão. Especialistas russos e americanos estão analisando o plano.

Apesar de tanto Bush quanto Putin dizerem que mantêm um bom relacionamento pessoal, Putin fez alguns ataques ao governo de Bush. Entre eles, Putin disse em fevereiro que "nós somos constantemente ensinados sobre democracia, mas por algum motivo aqueles que nos ensinam não querem aprender eles mesmos". Bush colocou as disputas de lado no último encontro com Putin, preferindo citar "o desejo de trabalharmos juntos".

James Lindsay, diretor do Centro Robert S. Strauss para Segurança e Direito Internacionais da Universidade do Texas, disse que será difícil para Putin voltar atrás em seus comentários anteriores. "Falar duro cai muito bem na Rússia", ele disse. Ainda assim, Lindsay acredita que o ambiente terá um efeito calmante. "Geralmente é considerado indelicadeza ir à casa de alguém e ter um acesso de raiva", disse. George El Khouri Andolfato

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