Todas as vassouras estão voando para a Escócia

Jeffrey Stinson
Em Edimburgo, Escócia

A sala de trás do café Elephant House, no qual J.K. Rowling trabalhou nos dois primeiros volumes do seu conjunto de sete livros da série "Harry Potter", tem uma vista para o cemitério Greyfriars, bem como para as ruas de piso de pedra de Cowgate e Grassmarket, além de um panorama majestoso do Castelo de Edimburgo.

Este fato é inegável. Mas ninguém ainda sabe se tais paisagens serviram como inspiração direta para a fantástica saga de Rowling.

O que se pode afirmar com grande certeza é que, com o último dos seus sete livros, "Harry Potter and the DeathlyHallows" (cujo título em português deverá ser "Harry Potter e as Relíquias da Morte"), cujo lançamento está marcado para 21 de julho, a mística Edimburgo será um ponto de visita obrigatório para os fãs mais entusiastas de Potter neste verão do Hemisfério Norte.

"Já vendemos quase todas as nossas viagens", diz Jeannie Barresi, proprietária da agência de viagens Beyond Travel, em Colorado Springs, que oferece pacotes completos de visita à Escócia e à Inglaterra dentro da temática Harry Potter. "O momento do lançamento neste ano é muito bom".

"A atenção está redobrada pelo fato de este ser o último livro", diz Susan Russel, da VisitScotland, a agência de turismo do país. "J. (Rowling) escreveu grande parte da sua obra quando morava na cidade. Existem vários pontos que serão reconhecidos pelos fãs de Potter".

Vejamos por exemplo o castelo sobre a parte velha da cidade: ele abriga o Stone of Scone, o trono no qual os antigos reis escoceses eram coroados. Uma fênix adorna a face do Memorial Nacional Escocês da Guerra no local. Teria sido essa a inspiração de Rowling para o seu primeiro livro, "Harry Potter and the Sorcerer's Stone" ("Harry Potter e a Pedra Filosofal"), e o quinto, "Harry Potter and the Order of the Phoenix" ("Harry Potter e a Ordem da Fênix")?

Seria o Grande Salão do castelo, com o seu teto abobadado e os seus vitrais, a fonte de inspiração para o grande salão de jantar da escola Hogwarts? Ou será que tal inspiração foi proporcionada pelo grande santuário na próxima Catedral de Saint Giles?

Ou quem sabe o Fettes College, com as suas gárgulas góticas na área de Stockbridge, teria sido a inspiração para o castelo Hogwarts? Rowling só forneceu uma resposta oblíqua em uma entrevista em 2005 ao "Glasgow Herald". Na ocasião, ela disse: "Se eu tivesse ficado em casa, não estaria em um lugar no qual as idéias surgiriam".

O que Rowling disse de mais definitivo foi que Edimburgo, onde ela tem uma casa desde 1994, gerou mundo de Potter. "Edimburgo é uma cidade do tipo 'Médico e o Monstro'", afirma Wendy Doran, guia da agência de turismo Mercat Tours. "De dia temos ciência, poesia e arquitetura. À noite assassinatos, enforcamentos e tortura. Isso de fato estimula a imaginação dos escritores".

E os fãs de Potter só precisam usar a imaginação caso vierem para cá. Basta ver, por exemplo, os 66 "closes", ou becos, do Castelo de Edimburgo ao Royal Mile. Essas passagens medievais estreitas conduzem a jardins, casas ornamentadas, antigos casarões, lojas e bares. É fácil imaginá-las como modelos para a fictícia ruela Diagon Alley, na qual Harry e os seus amigos encontrariam doces, livros, corujas e varinhas de condão.

E por falar em varinhas de condão: a cidade é cheia de ash trees (ou rowans), um arbusto que segundo a tradição afugentaria as bruxas.

Será que a inspiração de Rowling às vezes foi obtida um pouco mais longe daqui? Teria, por exemplo, a antiga vila de pescadores de Newhaven, na costa norte de Edimburgo, provocado a criação literária do arquiinimigo de Harry, o maligno Lorde Voldemort? Nos livros, o seu nome nunca é pronunciado - assim como, entre as supersticiosas mulheres de pescadores de Newhaven no século 19, nunca se falava os nomes de pessoas ou animais considerados como portadores de azar.

De forma similar, teria Deacon Brodie, um funcionário municipal do século 18, cujo nome é atualmente homenageado pelo Café Deacon Brodie e pela Taverna Deacon Brodie, servido de modelo para alguns notáveis personagens de Rowling que se revelaram bastante diferente do que pareciam ser à primeira vista? O Brodie da vida real era um talentoso marceneiro durante o dia e um ladrão durante a noite - até ter sido preso e enforcado em um cadafalso por ele inventado. Mas ele de fato morreu? Segundo a lenda Brodie fez uma correia protetora para escapar do laço da forca e, mais tarde, foi visto em Paris.

Para os fãs de Potter que desejam eliminar todas as incertezas, há ainda o café Elephant House, onde, de fato, Rowling trabalhou nos seus dois primeiros livros. Ou o Hotel Balmoral, onde a autora terminou o último livro da série Harry Potter neste ano. Ela comemorou a ocasião em 11 de janeiro assinando um monumento no local.

Mas os fãs mais imaginativos podem bancar os detetives literários por conta própria. Como se o último livro não fosse suficiente para estimular a imaginação desses fãs, o lançamento do quinto filme, "Harry Potter e a Ordem da Fênix", está marcado para 11 de julho. UOL

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