Putin diz que teve conversas "muito substanciais" com Bush

David Jackson
Em Kennebunkport, Estados Unidos

O presidente americano George Bush ouviu na segunda-feira (2/7) do colega russo Vladimir Putin as novas propostas "inovadoras" para o sistema de defesa de mísseis, mas recusou-se a mudar sua decisão de ancorá-lo na República Tcheca e na Polônia.

Reuters 
O russo Vladimir Putin disse que ele e George Bush estão 'prontos para ouvir um ao outro'

As sugestões de Putin incluíram envolver outros países nas negociações sobre o sistema de defesa de mísseis baseado na Europa e localizar algumas facilidades de radares no Sul da Rússia. Ele surpreendeu Bush no mês passado, com a oferta de abrigar o sistema em uma antiga instalação de radares no Azerbaijão, depois de criticar duramente os planos americanos e ameaçar mudar a direção dos mísseis russos.

Em meio a passeios de barco e pescaria de bagre nas terras da família Bush, Putin expôs suas mais recentes alternativas antimísseis enquanto os dois líderes tentavam resolver suas diferenças. Eles discutiram, por exemplo, o ritmo do avanço da democracia russa e discordaram no que fazer para deter as ambições nucleares do Irã.

Os dois pareciam contentes com o tom das conversas. "Se acredito nele? Sim, acredito", disse Bush. "Gosto de tudo que ele diz? Não. E suspeito que ele não goste de tudo que eu digo. Mas somos capazes de falar de uma forma que demonstra respeito mútuo."

De sua parte, Putin agradeceu a Bush e a seu pai, seus anfitriões, pelo ambiente "muito caloroso e caseiro" das reuniões. "As negociações foram muito substanciais", disse Putin, acrescentando que ele e Bush "estão prontos para ouvir um ao outro".

O presidente russo, falando por meio de um intérprete, brincou dizendo: "O baralho foi todo distribuído e estamos aqui para jogar - e espero fortemente que estejamos jogando o mesmo jogo."

Putin disse que as conversas regionais de defesa de mísseis poderiam ser conduzidas pelo conselho Rússia-Otan e poderiam levar a "uma parceria estratégica na área de segurança" por toda a Europa. Bush chamou a idéia de trazer outros países para a discussão da defesa de mísseis de "construtiva e corajosa" e disse que os dois países iam aprofundá-la.

Sobre os aspectos técnicos das propostas de Putin, o assessor de segurança nacional de Bush, Stephen Hadley, disse que especialistas dos dois lados estão estudando as sugestões. Bush indicou que ele e Putin iam se reunir em setembro, em uma conferência econômica na Austrália.

Hadley disse que a reunião em Maine não fora programada para ser uma reunião de cúpula formal, e sim "uma oportunidade de os dois líderes passarem tempo juntos informalmente".

Sobre o Irã e seu desenvolvimento nuclear, Bush disse: estamos "próximos de reconhecer que temos que trabalhar juntos para enviar uma mensagem comum." Putin recusou-se a endossar sanções mais duras sobre o Irã que Bush propõe. E citou "sinais" iranianos de que o país está disposto a cooperar com a Agência de Energia Internacional Atômica.

Os dois líderes disseram que também debateram a democracia. Bush criticou a repressão de oponentes políticos e da mídia por Putin, dizendo que essas ações minaram a promessa russa de democracia que emergiu após o colapso da União Soviética. "É perfeita ao olhar americano? Não necessariamente", disse Bush. "A mudança é verdadeira? Absolutamente."

Putin disse que a Rússia nunca aceitaria "pressão para usar para interferir com nossos assuntos domésticos para nos forçar a fazer coisas de uma forma que não julgamos corretas".

Bush e Putin começaram o segundo dia de suas conversas com um café da manhã substancial de omelete e salsicha, depois foram para a água com o pai de Bush. O atual e o ex-presidente congratularam Putin por fisgar o único peixe do dia: um bagre listrado que o líder russo jogou de volta à água. Deborah Weinberg

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