Popularidade de Bush atinge mínima de 29%

Susan Page
Em Washington

O índice de aprovação do presidente Bush caiu para o
recorde negativo de 29%, de acordo com pesquisa do USA Today/Gallup desenvolvida entre sexta-feira e domingo (08/7). A oposição à guerra no Iraque atingiu uma nova máxima.

Enquanto o Senado abre o debate nesta semana sobre aprovação de fundos para a guerra, a maioria avassaladora dos americanos diz que o aumento das forças americanas neste ano não tornou a situação no Iraque melhor.

Mais de sete em cada 10 pessoas são a favor da retirada de todas as tropas americanas do Iraque até o dia primeiro de abril, exceto por um número limitado envolvido em esforços de combate ao terrorismo.

Ainda assim, a maioria acha que o Congresso deve esperar o relatório do
general David Petraeus, comandante das forças americanas no Iraque, em
setembro, avaliando o reforço nas forças americanas. Enquanto 55% dizem que o Congresso deve esperar até então para desenvolver a nova política para o Iraque, 40% dizem que o Congresso deve agir já.

O índice em queda de Bush pode dificultar que ele impeça mais
deserções entre republicanos no debate desta semana. Senadores importantes, como Richard Lugar, de Indiana, e Pete Domenici, do Novo México, pediram nos últimos dias que o presidente mudasse o curso no Iraque.

"Fica muito mais difícil para o presidente manter com ele os republicanos da Câmara ou do Senado", disse Dean Lacy, professor de governo em Darthmouth que estuda a opinião pública. "Eles têm que concorrer à reeleição e agora entendem que Bush não pode ajudá-los e pode prejudicá-los."

O porta-voz da Casa Branca, Tony Fratto, recusou-se a discutir os resultados da pesquisa. "Realmente, não prestamos muito atenção às pesquisas", disse. "Sei que são divertidas, são novos ganchos que se criam, mas não fazemos decisões de política com base em qual direção o vento está soprando."

A pesquisa por telefone entrevistou 1.014 adultos e tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.

A pesquisa revelou insatisfação com as ações de Bush em particular e com a direção do país em geral:

- Dos entrevistados, 62% dizem que os EUA cometaram um erro em enviar tropas para o Iraque, a primeira vez que esse número passou de 60%.

- Dois terços disseram que Bush não deveria ter interferido no caso do
ex-assessor da Casa Branca Lewis "Scooter" Libby, que foi condenado a 2,5 anos de prisão por perjúrio e obstrução de justiça na investigação de quem vazou a identidade de uma agente da CIA. Bush anulou a sentença de prisão, mas manteve a condenação e a multa de US$ 250.000 (cerca de R$ 500.000). Para 6%, o ex-secretário do vice-presidente Cheney deveria ter recebido perdão total.

- A maioria disse não estar satisfeita com as oportunidades para a próxima geração de viver melhor que seus pais ou para as pessoas da classe operária subirem trabalhando duro.

O índice de aprovação de Bush é menor do que qualquer outro presidente
moderno obteve nesta altura do segundo mandato, exceto por Harry Truman, que teve 29% em julho de 1951.

Bush teve o maior índice de aprovação da história do Gallup - 90%, após os ataques de 11 de setembro - e um dos mais baixos. Frank Newport, editor da Gallup, diz que o instituto de opinião pública só encontrou uma aprovação presidencial tão baixa 32 vezes em mais de 1.500 pesquisas desde a Segunda Guerra Mundial.

Várias outras pesquisas de opinião recentes mostraram o índice de aprovação de Bush em baixas recordes, abaixo de 30%. Uma pesquisa da Newsweek de 3 de julho estimou-a em 26%.

A maioria dos entrevistados, 62%, diz que o Congresso não teria
justificativa para iniciar um impeachment contra Bush, uma questão levantada por alguns ativistas liberais e blogs. Dos republicanos, 91% se opõem à idéia. Dos democratas, 58% a defendem, contra 39%. Deborah Weinberg

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