Estudo diz que menores online correm risco de serem vítimas de pornografia infantil

Wendy Koch

Em algum momento durante o ano, é solicitado para um entre 25 menores que navegam na Internet para que envie uma foto sexual de si mesmo, apontou um estudo que será divulgado na sexta-feira.

Os menores que atendem podem se tornar tanto vítimas quanto perpetradores da pornografia infantil, disse a co-autora do estudo, Kimberly Mitchell, uma professora de psicologia do Centro de Pesquisa de Crimes Contra a Criança da Universidade de New Hampshire.

"Eles são requisitados a produzir pornografia infantil", disse Mitchell, notando que isto é um crime. "Nós achamos que a maioria dos menores não compreende totalmente o que está em jogo aqui. Eles podem ver apenas como algo rude ou às vezes algo lisonjeiro."

O estudo foi baseado em uma pesquisa nacional representativa, realizada em 2005 e envolvendo 1.500 menores com idades entre 10 e 17 anos. Quase 10%, ou 136, foram convidados a enviarem fotos de si mesmos; para 65% foram pedidas fotos sexuais.

A boa notícia: apenas um enviou imagens sexuais.

"As crianças não são ingênuas a respeito", disse David Finkelhor, diretor do centro de New Hampshire. "Por outro lado, dado o grande número de pessoas que usam a Internet e para as quais é solicitado, coisas ruins podem acontecer."

Finkelhor disse que disseminação de câmeras digitais e webcams está colocando mais menores em risco. Ele disse que eles podem se sentir menos inibidos em tirar suas roupas diante de uma câmera do que diante de uma pessoa.

Mais menores estão postando fotos pessoais online e se tornando vítimas de pornografia infantil, disse Ernie Allen, presidente do Centro Nacional de Crianças Desaparecidas e Exploradas. Ele disse que entre 1.100 menores identificados por seu centro como vítimas de pornografia infantil, 5% produziram fotos de si mesmos.

Ele disse que as crianças precisam entender que quando postam algo, elas estão "potencialmente enviando para o mundo todo e não podem voltar atrás". Ele disse que 89% das 500 mil denúncias sobre exploração infantil que seu centro recebeu nos últimos nove anos (www.cybertipline.com) envolve pornografia infantil.

O estudo também revelou que um número crescente de menores sofre abusos online, freqüentemente por outros menores, e estão mais expostos a pornografia infantil indesejada. Um entre três menores viu tal pornografia enquanto navegava na Internet em 2005, um aumento em comparação a um entre quatro em 2000.

"Nós estamos recebendo muitos casos" de menores recebendo solicitações para enviarem fotos online e alguns usam câmeras de celular para atender, disse Flint Waters, principal agente da força-tarefa de Crimes Contra a Criança pela Internet do Estado de Wyoming.

Waters disse que ainda não processou nenhum menor pela produção de tais fotos. "Você geralmente pensa no menor como vítima", ele disse. Além disse, ele acrescentou, "não há escassez de traficantes quarentões para caçarmos".

Um caso bastante divulgado de menor que recebeu solicitação online de fotos sexuais é Justin Berry, que começou a postá-las aos 13 anos. Ele testemunhou perante o Congresso no ano passado, quando tinha 19 anos, e desde então tem ajudado as autoridades a rastrear os homens que o incitaram. Berry não foi processado.

Mitchell disse que os que apresentam maior probabilidade de receber solicitação de fotos são garotas, menores negros, aquelas com um relacionamento online estreito e vítimas de abuso físico e sexual prévio. Ela disse que apenas 12% dos 65 casos em seu estudo que envolviam solicitação de fotos sexuais foram denunciados às autoridades. George El Khouri Andolfato

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