UE tem opiniões mistas diante da expansão do programa de vistos dos EUA

Jeffrey Stinson
Em Londres

Quando o presidente Bush sancionou uma medida, na semana passada, para permitir que mais estrangeiros viajem para os EUA sem vistos, Gergely Paksi começou a fazer planos para visitar sua namorada na Flórida.

Acontece que o garçom de 26 anos, cidadão húngaro que mora em Londres, terá que esperar.

Bush expandiu o programa de isenção de visto (Visa Waiver Program), flexibilizando as regras de tal forma que cinco países europeus adicionais poderão participar. A Hungria não está entre eles.

As mudanças sancionadas por Bush permitirão que empresários e turistas da República Tcheca, Grécia, Chipre, Malta e Estônia entrem nos EUA sem vistos, que em geral demoram de quatro a 10 dias para serem obtidos.

Cidadãos de 27 países - principalmente das nações da Europa Ocidental, Austrália, Nova Zelândia e Japão - já usufruem da isenção de vistos para os EUA.

Nos últimos meses, a União Européia, frustrada, vinha pressionando os EUA para que estendessem o acesso livre de visto a todos seus 27 membros.

Os americanos não precisam tirar visto de turista de antemão para viajar para qualquer destino na União Européia. Eles precisam apenas apresentar seus passaportes.

A UE ameaçou restringir o acesso dos viajantes americanos à Europa, se não fossem feitas mudanças na política americana.

"Não podemos mais tolerar Estados membros de primeira e de segunda classe", disse Franco Frattini, vice-presidente da Comissão Européia responsável por questões de justiça.

Os cinco países adicionais conseguiram aprovação americana porque a lei assinada por Bush flexibilizou as regras existentes. Antes das mudanças, os países aliados qualificavam-se para o programa somente se menos de 3% dos pedidos de visto tivessem sido negados. A nova lei eleva o limite para 10%.

Para gregos, tchecos e outros, as mudanças não serão imediatas. Russ Knocke, porta-voz do Departamento de Segurança Interna, diz que o departamento precisará de meses para estabelecer os procedimentos que permitirão aos visitantes notificarem as autoridades americanas de seus planos de viagem dois ou três dias antes.

Mesmo com a mudança, Hungria, Polônia e România ficaram de fora. Os três são Estados da União Européia, membros da Otan e fortes defensores dos esforços anti-terrorismo dos EUA. Os três enviaram tropas ao Afeganistão ou participaram da coalizão liderada pelos EUA no Iraque.

"Para nós como país, é difícil, porque estamos entre os mais próximos (aliados) dos EUA", diz Wojciech Pisarski, porta-voz da embaixada da Polônia em Londres. "Nós, como novo membro da UE, deveríamos ter os mesmos direitos".

Os consulados americanos são treinados para identificar visitantes estrangeiros que possam ultrapassar sua estadia de 90 dias e morar ilegalmente nos EUA.

Paksi, o garçom, teve seu visto de turismo para os EUA negado duas vezes, apesar de apresentar saldo bancário. Ele diz que não entende porque os húngaros recebem tratamento diferente dos britânicos, franceses, alemães e outros aliados da Otan.

"Acho que, se estamos apoiando os EUA tanto quanto os britânicos, os EUA deveriam receber os cidadãos húngaros", diz Paksi.

Paksi diz que recusou a proposta quando um amigo mexicano ofereceu ajudá-lo a entrar ilegalmente nos EUA do México.

"Não quero entrar ilegalmente", diz ele. "Sei que os EUA têm muitos (imigrantes) ilegais, mas não quero fazer isso. Além da minha namorada, quero ver muitas coisas nos EUA. Não quero arriscar não poder voltar".

A Hungria está próxima a se qualificar para o programa de isenção de visto. O índice de vistos negados a húngaros foi de 12,7% no ano fiscal federal que terminou no dia 30 de setembro, de acordo com números do Departamento de Estado americano.

Gyorgy Odze, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Hungria em Budapeste, diz que alguns húngaros estão frustrados. O governo húngaro, entretanto, está animado com a nova lei americana e confia na palavra de Bush que "continuará a avançar a questão", especialmente uma vez que a Hungria está tão próxima do limite exigido, diz ele.

Paksi, enquanto isso, está pronto para fazer as malas rapidamente. "Só quero visitar", diz ele. "Não vou ficar ilegalmente. Vou voltar." Deborah Weinberg

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