Marte é o novo astro da exploração espacial

Dan Vergano

Antes um cemitério para sondas espaciais, Marte é agora um importante destino na exploração científica, com a mais recente sonda da Nasa voltada a explorar novo território no Planeta Vermelho.

Lançada em 5 de agosto, a missão Phoenix da agência espacial está em uma viagem de 10 meses às planícies do norte de Marte. Se pousar com sucesso, a cápsula "Scout" de US$ 400 milhões cavará o solo e gelo locais, em busca de assinaturas de condições favoráveis à vida no passado ancestral do planeta.

AFP PHOTO/HO/NASA/JPL/Cornell 
Imagem feita pelo Opportunity mostra a região de impacto de escudo em Marte

"Agora sabemos que há imensos depósitos de gelo onde a Phoenix pousará", disse a cientista da missão, Diana Blaney, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, em Pasadena, Califórnia.

O lançamento ocorre em meio a um renascimento nos estudos marcianos, com os duráveis veículos-robô de Marte - os laboratórios geológicos móveis que pousaram em janeiro de 2004 - seguindo para um quarto ano de exploração e uma esquadrilha de sondas orbitais circulando o planeta.

"No momento está empolgante e as coisas estão ficando cada vez melhores no que estamos aprendendo sobre Marte", disse Louis Friedman, chefe da Sociedade Planetária, em Pasadena.

Nos "dias sombrios de 1999", como disse Friedman, a ciência de Marte parecia condenada com a queda da Mars Polar Lander da Nasa, de US$ 120 milhões, e da Mars Climate Orbiter, de US$ 125 milhões, naquele mesmo ano. A missão Phoenix usa instrumentos projetados para a sonda polar perdida e segue seus passos, mas com uma melhor direção, disse Blaney. "Agora nós sabemos que a água em forma de gelo está lá".

"Eu me lembro dos tempos sombrios", acrescentou Blaney. "Agora está muito mais agitado". Uma tempestade de areia em Marte que desligou temporariamente os veículos-robô, que são alimentados por energia solar, foi quase de ajuda aos cientistas da missão, disse Blaney, que também é vice-cientista do projeto para tal missão. "Nós precisamos de uma chance para recuperar nosso fôlego".

Água pode estar nas profundezas
"Siga a água" tem sido o mantra da Nasa para a exploração de Marte na última década, enquanto busca por sinais do ingrediente crucial da vida. Desde que o veículo-robô chamado Opportunity (o outro é o Spirit) descobriu camadas de rocha deixadas por águas salgadas, novas descobertas mudaram fundamentalmente a visão cientifica de Marte, disse William Hartmann, do Instituto de Ciência Planetária, em Tucson.

"No mínimo, a última década de exploração de Marte intensificou nossa empolgação sobre seguir o rastro da história da água em Marte", ele disse.

Um punhado de missões evoluiu em uma rede científica plena:

-A sonda orbital Mars Odyssey de 2001, que relatou os primeiros sinais das camadas de gelo sob a superfície marciana.

-A sonda orbital Mars Express da Agência Espacial Européia, de 2004, que encontrou evidência de camadas de gelo ainda mais profundas.

-Os veículos-robô de 2004, que continuam operando mais de dois anos após pousarem em Marte, com o robô Opportunity se preparando para entrar em sua cratera mais profunda, a cratera Victoria, para explorar rocha sedimentar.

-A sonda orbital Mars Reconnaissance de 2006, que sondou a atmosfera marciana e enviou imagens de alta resolução dos veículos-robô percorrendo a superfície do planeta.

Neste ano, a Nasa informou a perda da Mars Global Surveyor de 1997, que avistou sinais de sulcos recentes nas crateras marcianas em 2000, alimentando a busca por sinais de água. Tais esperanças foram corroboradas pelos resultados do veículo-robô e descobertas mais recentes.

"Sim, parece que havia muita água", disse Hartmann, parte da equipe de ciência da Mars Express. As partes mais antigas de Marte mostram muita quantidade de argilas e minerais saturados de água, por exemplo, sugerindo formação em um clima úmido há bilhões de anos. Posteriormente o planeta secou, se tornando o deserto atualmente familiar das fotos da superfície de Marte.

Tanto cientistas franceses quanto americanos descobriram que a inclinação polar de Marte balança para cima e para baixo, talvez em até 70 graus, na direção do Sol a cada 10 milhões de anos aproximadamente, disse Hartmann. (Marte está inclinado 25 graus no momento, próximo da inclinação da Terra de 23,5 graus, que é estável devido à gravidade da Lua.)

Modelos de computador sugerem que quando o eixo inclina mais na direção do Sol, o calor incide sobre a camada de gelo polar no verão, explicando os sinais de derretimento do gelo e jorros de água. "Nós passamos da imagem de Marte como um local árido a um lugar com provavelmente alguma água", disse Blaney. "No mínimo, está começando a parecer um pouco mais como a Terra".

Hartmann sugere que a principal pergunta é se existe bactéria em Marte que tenha se adaptado às condições e "ganharia vida" quando exposta à água.

Levar um homem a Marte?
A próxima grande missão será em 2009, quando a Nasa espera pousar seu Mars Science Laboratory Rover movido a energia nuclear, projetado para responder a pergunta de Hartmann sobre se Marte poderia sustentar micróbios.

"Nós precisamos associar a missão a futuros pousos", disse Friedman, cuja sociedade patrocinou um DVD a bordo da sonda Phoenix, contendo uma coleção de histórias e os nomes de mais de um quarto de milhão de pessoas que apoiaram a missão Marte, visando ser uma biblioteca para futuros astronautas.

A verdadeira pergunta na exploração de Marte, ele acrescentou, é se o sucesso das missões robóticas pode ser traduzido em pousos de astronautas.

"Marte é a meta eventual de qualquer programa espacial humano", disse Friedman. "Apesar de todo o sucesso que temos agora, temos que nos lembrar que não é algo ordinário explorar outro planeta". George El Khouri Andolfato

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