Imigrantes ilegais mudam-se de cidades dos EUA com leis severas

Emily Bazar

Imigrantes ilegais morando em Estados e cidades que adotaram políticas de imigração estritas estão fazendo as malas e mudando-se de volta para seus países ou para Estados vizinhos.

O êxodo foi alimentado por uma onda de leis que têm como alvo imigrantes ilegais em Oklahoma, Arizona, Colorado, Geórgia e em outras partes. Muitas foram aprovadas depois que os esforços do Congresso para reformar o sistema de imigração desmoronaram em junho.

Os imigrantes dizem que as leis geraram temores de inspeções no trabalho e deportação.

"As pessoas hoje estão realmente com medo, porque não sabem o que vai acontecer", diz Juliana Stout, editora do jornal El Nacional de Oklahoma. "Estão vendendo suas casas. Estão deixando o país."

Defensores das leis festejam a partida de imigrantes ilegais e dizem que as leis estão funcionando conforme a intenção.

O deputado de Oklahoma Randy Terrill, autor republicano da lei de seu Estado, diz que a fuga prova que está funcionando. "Era essa a intenção", diz ele. "Para mim tudo bem se exportarmos todos os estrangeiros ilegais para os Estados vizinhos."

A maior parte dos itens da lei de Oklahoma entra em vigor em novembro. Entre outras coisas, cortará benefícios como ajuda financeira para a faculdade e pensões.

Não há dados demográficos sobre a tendência, até porque é difícil acompanhar as pessoas que estão nos EUA ilegalmente. No entanto, escolas, agentes imobiliários e igrejas dizem que o movimento é claro.

Em Tulsa, as escolas observaram uma queda na inscrição de hispânicos.

Cerca e 60% dos 950 alunos da Escola Elementar Kendall-Whittier são hispânicos, disse a diretora Judy Feary. Desde 10 de setembro, diz ela, 14 partiram. Quatro outros disseram na semana passada que vão se mudar.

Há três semanas, um casal deixou os três filhos na escola e voltou depois do almoço com seus pertences em um trailer. Feary diz que levaram as crianças e disseram que estavam voltando para o México. "Estão com medo e citaram a lei de imigração", diz ela.

A escola de ensino fundamental Marshall, 60% hispânica, perdeu cerca de 10 alunos neste ano devido à lei de imigração, disse a diretora Kayla Robinson. Mudaram-se para o Texas. "Essas famílias estavam aqui há muito tempo", diz ela.

Os imigrantes ilegais também estão deixando a Geórgia, onde a lei requer que empresas que trabalhem para o governo e tenham mais de 500 funcionários verifiquem os documentos dos candidatos junto a um banco de dados federal antes de contratá-los, para saber se são autorizados a trabalhar.

Mario Reyes, ministro do Tabernáculo de Atlanta, diz que sua igreja perdeu cerca de 10 famílias neste verão. Sua filha, agente imobiliária, as está ajudando a vender suas casas.

As igrejas da cidade informam de perda similar, diz Antonio Mansogo, membro da Coalizão Nacional do Clérigo e Líderes Cristãos Latinos.

"Há tensão porque você não sabe quando a imigração vai aparecer, e muitas pessoas não querem correr o risco", diz ele.

A agente imobiliária Guadalupe Sosa, em Avondale, Arizona, ao lado de Phoenix, diz que a migração do Estado começou há três meses, pouco depois da governadora Janet Napolitano, democrata, sancionar uma lei que entrará em vigor em janeiro. Empresas que contratarem imigrantes ilegais poderão perder sua licença.

Das 10 casas que Sosa tem no mercado, metade pertence a famílias que planejam partir por causa da tensão com a imigração.

"Elas sabem que podem perder tudo, hoje ou amanhã", diz ela.

Maria Sanchez, 35, também migrou com sua irmã e sobrinho, que estão no país legalmente. Sanchez estava ilegal no país, mas conseguiu uma permissão de trabalho temporária.

Os três moravam em Aurora, Colorado, quando Sanchez foi demitida do emprego como gerente distrital de uma cadeia de lanchonetes por não ter um número de segurança social válido.

O Colorado aprovou várias medidas de imigração. Uma delas dá aos patrões 20 dias para verificar e xerocar documentos como habilitação e cartão de segurança social, que os novos funcionários devem fornecer para provar sua situação legal.

Por causa das leis, Sanchez, sua irmã e seu sobrinho partiram há cinco meses. "Mudei para o Utah, porque aqui não tem as mesmas leis", diz ela.

O senador estadual Dave Schultheis diz que não observou uma grande fuga de Colorado, mas ouviu informes que imigrantes ilegais estão partindo. "É certamente uma coisa boa", diz ele. "Queremos tornar o Colorado o Estado menos amigável às pessoas que estão aqui ilegalmente."

Em Hazleton, Pensilvânia, as famílias começaram a se mudar depois que a cidade aprovou uma lei de imigração no verão passado, diz Rudy Espinal, diretora da Associação de Empresas Hispânicas de Hazleton. A lei pretendia multar os proprietários de imóveis que alugassem para imigrantes ilegais e suspenderia a licença das empresas que os contratassem. Outra medida exigiria que os locatários registrassem-se na cidade e pagassem US$ 10 para tirar uma permissão para alugar.

Um juiz federal julgou as medidas inconstitucionais em julho, mas isso não impediu as pessoas de mudarem-se, diz ele.

"As pessoas ainda estão partindo", diz Espinal. "Algumas me disseram que estão partindo porque não querem que seus filhos cresçam em um ambiente assim."

O prefeito de Hazleton, Lou Barletta, responde que alguns imigrantes ilegais que se mudaram voltaram depois da decisão da justiça, contra a qual a prefeitura está recorrendo. "Vejo uma reversão", diz ele. "Em uma cidade pequena, fica óbvio. As escolas estão lotadas e há esperas de cinco horas na emergência."

Ele diz: "Não queremos expulsar os imigrantes, só os ilegais, que estão causando muitos dos problemas que temos." Deborah Weinberg

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