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12/10/2007 - 00h45

Micróbios prejudiciais à saúde na Terra tornam-se mais perigosos no espaço

USA Today
Traci Watson
Quando a astronauta Peggy Whitson entrar no laboratório orbital nesta sexta-feira, 12, para uma estada de seis meses, ela terá a companhia de dois colegas humanos -assim como de incontáveis outros que são invisíveis a olho nu, desde micróbios capazes de corroer metais até germes que podem causar sérias infecções nas pessoas.

O espaço exterior é um lugar frio e estéril, mas as espaçonaves não. À medida que a estação espacial de nove anos vai envelhecendo, é provável que nela cresçam microorganismos capazes de representar um risco para os moradores humanos e para a própria estação. E um motivo a mais de preocupação é o fato de os cientistas terem observado sinais de que o sistema imunológico humano debilita-se durante as viagens espaciais.

"Aonde quer que o ser humano vá, os micróbios também vão", afirma Cheryl Nickerson, da Universidade do Estado do Arizona, que estuda micro-organismos patogênicos. "A maioria desses germes que estão em órbita não é perigosa, mas sem dúvida existe um risco para a tripulação".

Em um estudo publicado na última terça-feira no "Proceedings of the National Academy of Sciences", o periódico oficial da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, Nickerson revela ter descoberto que a bactéria salmonella torna-se letal após passar algumas semanas no espaço. A bactéria orbitou a Terra em uma experiência realizada a bordo do ônibus espacial Discovery em 2006.

Casos registrados

Nenhum astronauta conhece mais os riscos da vida na estação espacial do que Whitson, que será a primeira integrante do grupo de astronautas da Nasa a permanecer na estação por duas vezes. Ela deverá entrar flutuando pela escotilha da estação na sexta-feira, aproximadamente ao meio-dia pelo horário da costa leste dos Estados Unidos.

O fato positivo para Whitson e os seus colegas astronautas é que os germes espaciais jamais provocaram doenças graves nos astronautas da estação espacial. Graças a medidas de combate a micróbios, a estação é extremamente limpa quando comparada às residências terrestres. Mesmo assim, os ocupantes microscópicos da estação podem tornar a vida dos astronautas mais difícil e menos higiênica:

- Em 2003, bactérias contribuíram para entupir as bombas dos sistemas de resfriamento de todos os três trajes para atividades extra-veiculares mantidos à bordo da estação. Isso obrigou a tripulação a sair da espaçonave usando trajes de reserva, com os quais é mais difícil trabalhar. A bactéria culpada pelo problema vivia na água usada como fluido de refrigeração.

- Estudos feitos com amostras da água da estação espacial revelaram que os níveis bacterianos no próprio sistema de refrigeração da estação espacial estava aumentando bem mais rapidamente do que o esperado, gerando temores de que os germes corroessem as estruturas mais delicadas do sistema. Desde então esse nível parou de subir, e a Nasa acrescentará um novo produto químico ao sistema para matar os germes.

- Os astronautas tiveram que espalhar desinfetante em uma grande área de fungos que cresceram em uma das paredes da estação. A causa do problema foram toalhas úmidas que tocaram a parede quando a tripulação as pendurou para secar.

Limpeza rigorosa não impede invasores

A estação espacial está longe de ser infestada por germes como a estação espacial russa Mir, que abrigava ácaros de poeira, bactérias da espécie Escherichia coli e dezenas de outros micróbios inesperados.

A estação espacial não tem ácaros de poeira, mas ela abriga um sortido zoológico de residentes microscópicos. Os cientistas encontraram colônias de estafilococos que entraram clandestinamente na estação, e que podem causar abscessos em pessoas com sistemas imunológicos fracos, bem como bactérias que decompõem desinfetantes.

Em certas ocasiões, as paredes e outras superfícies da estação espacial ficaram cobertas por uma quantidade de micróbios suficiente para violar o limite estabelecido pela Nasa. O vaso sanitário, as alças de apoio e as grades que cobrem os ductos de ventilação são lugares especialmente hospitaleiros para bactérias e fungos.

Um dos depósitos de água da estação apresentou um nível de bactérias 18 vezes superior ao padrão estabelecido pela Nasa. A adição de mais desinfetante à água e a substituição do sistema de tubulações destruiu a bactéria, afirma Duane Pierson, chefe do departamento de microbiologia do Centro Espacial Johnson, da Nasa.

Pirson afirma que os padrões da Nasa são tão rígidos que poucas residências seriam capazes de atendê-los. Para garantir que a estação espacial atenda a tais critérios, ela conta com 13 filtros de ar que sugam bactérias e fungos.

A tripulação esfrega as paredes da estação com água oxigenada em intervalos de algumas semanas. E a água potável contém iodo para purificá-la.

"Nós nos preocupamos com a tripulação", afirma Pierson. "Estamos meio que lidando com o desconhecido".

Até o momento, as piores doenças provocadas por germes que acometeram os astronautas foram pequenas infecções em cortes cutâneos, afirma Pierson.

O maior risco poderá ser enfrentado por tripulações lançadas ao espaço para viagens de longa distância. A Nasa quer enviar astronautas à Lua para lá permanecerem por até 90 dias, e também está cogitando realizar uma missão tripulada à Marte, que levaria pelo menos vários anos para a ida e a volta.

Existem indicações de que viver no espaço prejudica o sistema imunológico. Segundo Pierson, isso não é motivo de surpresa, tendo em vista a fadiga e o estresse que acometem aqueles que permanecem naquele ambiente.

"Não há dúvida de que o risco de infecção para a tripulação aumentará", afirma Nickerson. "É melhor termos respostas para algumas das questões relativas às maneiras de proteger os astronautas".





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