Traição conjugal tem a ver com excesso de confiança e "direito a emoções", dizem especialistas

Janet Kornblum

Excesso de confiança? Arrogância? A necessidade de correr grandes riscos?

Como é que alguém tão poderoso e inteligente como o governador do Estado de Nova York, Eliot Spitzer, foi se meter em tal vexame político, acusado de encontrar-se com uma prostituta no mês passado em um hotel em Washington, D.C.?

E como é que esse cenário continua se repetindo? Por acaso Spitzer, 48, casado e pai de três filhas, não viu Bill Clinton se encrencar todo devido ao seu caso com Monica Lewinsky? E não presenciou também a decepção pública com as celebridades quando estas admitiram trair os cônjuges? O que teria compelido alguém como Spitzer a seguir uma rota que conduz com tanta freqüência ao escândalo e à humilhação?

"Excesso de confiança", afirma o rabino Brad Hirschfeld, autor do livro "You Don't Have to Be Wrong for Me to Be Right: Finding Faith Without Fanaticism" ("Você Não Precisa Estar Errado Para Que Eu Esteja Certo: Encontrando a Fé Sem Fanatismo"). "Aquilo que faz com que uma pessoa imagine ser suficientemente poderosa e intrépida para tornar-se diretor-presidente de uma grande companhia, governador do Estado de Nova York ou presidente dos Estados Unidos é provavelmente a mesma sensação de grandiosidade que permite a ela imaginar que nunca será pega. É uma sensação de que se está acima das regras normais".
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Hiroko Masuike/The New York Times
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"O tipo de pessoa que tende a ser eleita para um cargo público é também o tipo que assume riscos - grandes riscos", afirma Frank Farley, professor de psicologia da educação da Universidade Temple, em Filadélfia. "Eles crêem que controlam os seus destinos. É a emoção de fazer esse tipo de coisa. Se Spitzer quisesse simplesmente ter um caso, ele poderia ter feito tal coisa de uma maneira menos arriscada".

"Trata-se também da sensação de que se tem direito a emoções", opina Ruth Houston, autora do livro "Is He Cheating on You? 829 Telltale Signs" ("Ele está lhe traindo? 829 Sinais Denunciadores"). "Quando vemos figuras públicas, políticos e celebridades traindo, eles muitas vezes estão fazendo esse tipo de coisa por serem quem são - e acreditam que podem trair impunemente".

Mas Ann Rosen Spector, psicóloga da Universidade Estadual Rutgers, em Nova Jersey, não acredita que a pura arrogância explique esse tipo de comportamento arriscado: "Parece mais provável que ele tenha sentido um desejo sexual enorme, ou então que tenha sido tomado por uma vontade de agir no limite de risco".

"Independentemente das razões, as relações extraconjugais podem destruir o mundo de um cônjuge", afirma Peggy Vaughan, autora do livro "The Monogamy Myth" ("O Mito da Monogamia") e fundadora da Beyond Affairs Network, um grupo para aqueles que lidam com a infidelidade do cônjuge. "O cônjuge não é aquela pessoa que você achava que fosse, o casamento também é diferente do que você pensava. Mas a decepção ainda é a mesma, e é daí que vem a dor. Os cônjuges se recuperam da descoberta de que os seus parceiros fizeram sexo com outras pessoas muito antes de se recuperarem do fato de terem sido enganados".

"Mesmo assim, muitos homens que têm casos extraconjugais não fazem tal coisa por terem um casamento infeliz", diz ela. "Muitos vêem isso como não tendo nada a ver com as suas mulheres. Eles amam genuinamente as suas mulheres e as suas famílias, só que também gostam dessas escapulidas. É só quando a situação emerge é é exposta publicamente que eles são obrigados a pensar na conexão entre esse dois mundos". UOL

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