Choque de subculturas entre os jovens mexicanos

Chris Hawley
na Cidade do México

É sábado no mercado de pulgas Chopo, e jovens cheios de ansiedade da crescente classe média do México vieram para andar em grupo.

Góticos, skatistas, punks e "emos" circulam, conferindo discos usados e comprando camisetas.

O mercado Chopo é um campo neutro. Mas em outras partes do México, uma onda de ataques de punks e outros grupos contra os emos chamou a atenção para o rápido crescimento destas "tribos urbanas" de adolescentes e jovens adultos insatisfeitos e interessados em tecnologia.

"Antes, o México era bastante homogêneo", disse Gerardo Reyes, um dos "darks", conhecidos como góticos nos Estados Unidos. "Agora os jovens estão se dividindo, fazendo suas próprias coisas."

O México já viu movimentos jovens antes, quando versões domésticas de hippies e punks surgiram nos anos 60 e 70. Na última década, o número de subgrupos aumentou, disse Hector Castillo, um sociólogo da Universidade Autônoma Nacional do México.

O fenômeno deriva do crescente acesso do México à música e moda de outros países, à migração de pessoas para as cidades, um fortalecimento da economia e de uma nação relativamente jovem, ele disse. Quase 60% dos mexicanos têm menos de 30 anos, em comparação a 42% dos americanos, segundo o órgão de recenseamento do México.

As divisões entre jovens se tornaram violentas em março, quando postagens na Internet e mensagens por celular começaram a surgir, incitando darks, "punketos" (punks) e outros grupos a expulsarem os emos de seu ponto de encontro na praça principal da cidade de Querétaro.

Movimento emo
Emo vem de emotivo. Os seguidores escutam música alternativa com letras tristes, penteiam seu cabelo sobre seus olhos e vestem camisetas justas e tênis. O movimento chegou ao México vindo da Europa e dos Estados Unidos há cerca de cinco anos, disse Castillo.

Em 7 de março, centenas de adolescentes expulsaram os emos da praça, espancando três deles. Imagens na televisão mostravam um emo imobilizado contra uma parede enquanto a turba entoava: "Ele quer chorar! Ele quer chorar!" A polícia prendeu 28 pessoas.

Uma semana depois, a tropa de choque da polícia foi chamada depois que punks arremessaram garrafas contra uma manifestação pró-emo na Praça Insurgentes, um ponto emo na Cidade do México. A tensão diminuiu depois que um grupo de Hare Krishnas marchou pelo local, aparentemente sem saber o que estava acontecendo.

Os confrontos se espalharam por outras cidades nos Estados centrais de Queretaro, Jalisco e Guerrero. Vídeos das brigas e dos discursos antiemo começaram a aparecer no YouTube.

"Você está no metrô e ouve alguém dizer coisas como 'Morra, emo'", disse Jose Luis Caballero, 21 anos. "A coisa está bem feia."

Rosalia Lopez, 18 anos, uma emo, disse que ela e duas amigas foram atacadas por "raperos", ou fãs de música rap, no final do mês, do lado de fora de uma estação do metrô. Eles seguraram uma faca contra a bochecha dela, mas a deixaram ir embora depois que ela começou a chorar.

Os ataques levaram a marchas e comícios pela paz, incluindo um em 5 de abril, na Praça dos Insurgentes.

A proliferação de culturas jovens está ligada ao fortalecimento da economia do México, disse Castillo.

O produto interno bruto per capita do México aumentou para US$ 3.084, em 1997, para US$ 8.190, em 2007. As famílias estão menores: o número médio de filhos por mulher caiu 22%, para 2,1, na mesma década.

Conexões culturais
Isto significa que as famílias mexicanas - pelo menos nas cidades - possuem mais renda disponível para gastar em roupas e tecnologia. Estas coisas ajudam adolescentes de mentalidade semelhante a encontrarem uns aos outros e compartilharem música, fofoca e moda.

"A Internet, em especial, é a chave ou porta para abrir estas conexões, estas novas redes", disse Castillo.

O percentual de lares mexicanos com computador quase dobrou de 11,8%, em 2001, para 22,1%, no ano passado. O percentual de lares mexicanos com televisão a cabo ou por satélite também quase dobrou, de 13,5% para 24,7%, no mesmo período. O México possui o 12º maior número de celulares em uso no mundo: 57 milhões.

Mas ao mesmo tempo em que as famílias ficaram mais ricas, a vida doméstica se tornou mais difícil para muitos jovens, disse Roberto Bermudez, outro sociólogo da Universidade Autônoma Nacional. O índice de divórcios no México aumentou constantemente, de 7,4%, em 2000, para 12,3%, em 2006. "Estes grupos são um fenômeno de classe média, mas ao mesmo tempo, muitos destes jovens vêm de famílias em desintegração", ele disse.

No mercado Chopo, Ruben Arias, 19 anos, que descreveu a si mesmo como um "anarco-punk", disse que os jovens mexicanos provavelmente continuarão se subdividindo à medida que o país se torna mais globalizado e tecnologicamente avançado.

Ele disse que a cobertura da mídia alimentou o furor antiemo e ele previu que no final isso passará.

"Eu não sou antiemo", ele disse, balançando seu cabelo moicano de 45 centímetros de altura. "As pessoas têm que ter liberdade para ser como querem." George El Khouri Andolfato

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