Máquinas detectoras de ansiedade poderão localizar terroristas

Thomas Frank
Em Upper Marlboro, Maryland (EUA)

Uma cena do aeroporto do futuro: a pulsação de um homem acelera quando ele passa por um posto de controle. Seu batimento cardíaco e a respiração mais forte fazem disparar um alarme. Uma máquina sente a temperatura de sua pele aumentar. Analistas se aproximam para interrogá-lo.

Sinais de um terrorista? Ou simplesmente um passageiro nervoso com a perspectiva de um longo vôo?

Pode parecer orwelliano, mas na última quinta-feira (18) o Departamento de Segurança Interna mostrou uma versão precoce de rastreadores fisiológicos que poderão identificar terroristas. A divisão de pesquisa do departamento está longe de usar as máquinas em um aeroporto ou um prédio de escritórios - mesmo que elas funcionem. Mas as autoridades acreditam que a idéia poderá transformar a segurança fazendo uma análise biológica para identificar pessoas perigosas.

Os críticos duvidam que esse sistema possa funcionar. A idéia, segundo eles, submete viajantes inocentes à intrusão de um exame médico.

O maquinário futurista funciona segundo a mesma teoria do polígrafo, procurando oscilações acentuadas na temperatura corporal, na pulsação e respiração que indiquem o tipo de ansiedade típica de um suposto terrorista ou criminoso. Ao contrário de um detector de mentiras, em que os sujeitos são conectados a sensores enquanto respondem a perguntas, a "Tecnologia de Rastreamento de Atributo Futuro" (FAST, na sigla em inglês) examina as pessoas enquanto elas passam entre um conjunto de câmeras.

"Estamos pegando coisas com sensores que podem não ser necessariamente detectadas pelo olho humano", disse Jennifer Martin, consultora da divisão de Ciência e Tecnologia da Segurança Interna.

O projeto de cinco anos, que está no segundo, é a última iniciativa do departamento para conter o terrorismo localizando pessoas suspeitas. A Administração de Segurança no Transporte (TSA, na sigla em inglês) treinou mais de 2.000 analistas para observar passageiros enquanto caminham por aeroportos, questionando os que parecem estranhamente agitados ou nervosos.

O sistema seria portátil e rápido, disse o gerente do projeto, Robert Burns, imaginando máquinas que examinam as pessoas enquanto caminham por aeroportos, estações de trem ou estádios. As que forem identificadas pelas máquinas seriam entrevistadas na frente das câmeras para medir movimentos faciais diminutos em busca de sinais de mentira.

Como o programa da TSA, o FAST levanta questões de confiabilidade. Mesmo que as máquinas consigam localizar com precisão alguém cujo batimento cardíaco aumenta rapidamente, isso pode ser sinal da agitação de saber que o vôo está atrasado, disse Timothy Levine, um especialista em comportamento enganoso da Universidade Estadual de Michigan. "O que determina seu índice cardíaco é uma série de razões além da intenção hostil", disse Levine. "Essa é toda a razão porque os perfis comportamentais não funcionam."

John Verdi, advogado do Centro de Informação de Privacidade Eletrônica, chama o rastreamento fisiológico de "exame médico" que o governo não deveria realizar. "Isto é substancialmente mais invasivo que as verificações nos aeroportos", disse Verdi.

Burns disse que as medições não serão arquivadas e fariam uma leitura rápida de uma pessoa. Pesquisas anteriores, segundo Burns, descobriram que as pessoas que pretendem causar danos agem de maneira diferente das ansiosas ou incomodadas.

Para identificar as reações fisiológicas que indicam intenção hostil, os pesquisadores montaram dois trailers parecidos com laboratórios em um centro eqüestre perto de Washington. A Ciência e Tecnologia recrutou 140 moradores com anúncios em jornal e pela Internet, buscando cobaias para um "estudo de segurança". Cada pessoa receberá US$ 150.

Na quinta-feira, os sujeitos entraram um a um em um trailer com um posto de controle improvisado. Uma câmera de calor mediu a temperatura da pele. Uma câmera de movimento procurou ligeiros movimentos da pele para medir os índices cardíacos e de respiração.

Enquanto um rastreador questionava cada cobaia, cinco observadores em outro trailer procuravam oscilações fortes nas faixas computadorizadas que exibem as características fisiológicas da pessoa.

Alguns sujeitos foram instruídos antecipadamente para tentar causar uma ruptura quando passassem pelo posto de controle e para mentir sobre suas intenções quando fossem questionados. As respostas fisiológicas dessas pessoas estão sendo usadas para criar um banco de dados de sinais de alguém que pretende cometer um atentado. Novos testes estão planejados para o próximo ano. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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