Carreira de Castroneves sofre reviravolta chocante

Mark DeCotis

Sabemos que Helio Castroneves é capaz de pilotar um carro de corrida.

Sabemos que ele é capaz de pular uma cerca e de dançar.

Sabemos ainda que ele é uma excelente pessoa para se entrevistar, tão rápido com uma piada e um sorriso quanto com o seu pé direito e os seus reflexos de gato.

Mas, uma fraude fiscal? Eis um fato genuinamente chocante, mas é isso que os policiais federais estão alegando. Eles dizem que Castroneves deixou de pagar impostos sobre uma renda de US$ 5,5 milhões entre 1999 e 2004. E, agora, o piloto talentoso e celebridade amigável tem pela frente, na melhor das hipóteses, um futuro incerto, e, na pior, um período na prisão durante o qual todo o seu charme, brilho e animação não só não valerão nada como poderão até chamar atenção para a sua pessoa como alvo. Afinal, quem dentre os seus companheiros de prisão não adoraria lucrar com as desventuras de Castroneves?

Castroneves não é o primeiro atleta famoso a atrair a atenção dos fiscais da receita. E, à medida que os salários continuam subindo, atraindo os atletas profissionais para cada vez mais longe da população contribuinte e mergulhando-os mais e mais na estratosfera do consumo ostensivo e da realidade alterada, ele não será o último.

O grupo dos alvos passados inclui o lendário campeão de boxe da categoria peso-pesado, Joe Louis, o campeão alemão de tênis Boris Becker, a lenda do beisebol Pete Rose, o astro do futebol Lawrence Taylor e o problemático ex-talento do beisebol Darryl Strawberry. Todos eles foram perseguidos com o mesmo vigor e entusiasmo com que corriam atrás das realizações e da excelência nas suas profissões, e todos descobriram que, por mais que lutassem ou corressem, não eram capazes de escapar do longo braço da lei.

Todos pagaram um preço enorme, o mesmo preço enorme com o qual Castroneves se depara quando ele, os seus advogados e assessores procuram publicamente apresentar calma. Enquanto isto, longe dos olhos do público, eles lutam febrilmente para repelir as acusações ou, caso isto seja impossível, obter o melhor acordo possível. E parte de qualquer acordo certamente seria evitar a deportação, que é uma possibilidade concreta, já que o brasileiro não é cidadão norte-americano.

Esta é uma opção draconiana, mas Castroneves já está sentido o peso disto. Ele foi libertado condicionalmente mediante o pagamento de uma fiança de US$ 10 milhões, e não pode deixar o país, o que significa que não poderá competir no evento da Série IndyCar no final do mês na Austrália. Mas isso é apenas o começo. É possível que a carreira de Castroneves na equipe de Roger Penske esteja em perigo, ou, talvez, até mesmo encerrada.

E, embora a atitude e a decisão final de Penske ainda seja objeto de conjuntura e debate, o fato é que a decisão final será só dele. Ele tomará essa decisão baseado naquilo que for o melhor para o seu negócio e os seus interesses. Penske não tornou-se um bilionário sendo um mal empresário, ou pensando com o coração, em vez de com a cabeça.

Talvez Castroneves seja capaz de aprender uma lição com o seu patrão no que diz respeito a cercar-se das pessoas certas e tomar as decisões corretas no que se refere à administração do dinheiro e ao pagamento de impostos. Caso se acredite nas alegações dos federais, Castroneves é mesmo culpado de tudo e agora arcará com as conseqüências.

Qualquer que seja o desfecho disso, uma coisa é certa: a reputação de Castroneves foi maculada, e se ele fosse um pouco mais conhecido, estaria sendo alvo dos shows televisivos de humor noturno. Mas não há nada de engraçado em relação ao que enfrentam aqueles que relutam em compartilhar uma parcela de dinheiro ganho com dificuldade. UOL

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