Laços agrícolas com o Afeganistão

Tom Vanden Brook
Na Base Aérea de Bagram, Afeganistão

Crescer em uma fazenda sem eletricidade ou encanamento interno nas colinas arredondadas e cobertas por mata do sudoeste de Wisconsin pode ser o melhor treinamento que o coronel Martin Leppert teve para o que está enfrentando aqui.

Leppert comanda o novo programa da Guarda Nacional, encabeçado por soldados-fazendeiros da região central dos Estados Unidos, para ensinar os afegãos a melhorar a produtividade de suas plantações e rebanhos.

"Eu posso entender o que eles estão enfrentando", ele disse. "Eu tive um pouco de experiência afegã na minha criação. É uma vida difícil."

No Afeganistão, oito entre 10 trabalhadores ganham a vida com dificuldade em uma paisagem inóspita. Apenas 12% das terras em um país do tamanho do Estado do Texas podem sustentar plantações. Secas devastadoras são comuns aqui; pastoreio excessivo esgotou os pastos. Pequenas melhorias podem ajudar a tornar a produção mais viável, disse Leppert. Elas também podem ajudar alguns fazendeiros a abandonarem o cultivo da papoula do ópio, que alimenta o comércio de heroína e por sua vez nutre militantes como o Taleban.

A guerra no Afeganistão, disse Anthony Cordesman, um analista militar do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais, será vencida nas áreas rurais com programas como o esforço da Equipe de Desenvolvimento do Agronegócio da Guarda. Ajuda como essa será tão importante quanto balas, ele disse. Os afegãos não rejeitarão o Taleban muçulmano fundamentalista e o comércio de narcóticos até que se sintam mais seguros e vejam os esforços do governo melhorarem suas vidas.

"Essas são as táticas que foram responsáveis por virtualmente todos os sucessos modernos em guerras irregulares, e os esforços da Guarda são um exemplo do único caminho para o sucesso", ele disse.

As equipes da Guarda Nacional começaram a ser enviadas para cá neste ano. O programa se baseia nos esforços dos últimos 20 anos da Guarda Nacional para melhorar a atividade rural na América do Sul e Central.

O general David McKiernan, o principal comandante das tropas americanas e da Otan no Afeganistão, chama o programa de "tremendo" e saúda os membros da Guarda.

"Eles trazem consigo experiência e técnicas que são absolutamente necessárias neste país", ele disse.

O foco se encontra nas regiões leste e central do Afeganistão. Soldados da Guarda de oito Estados -Indiana, Kansas, Kentucky, Missouri, Nebraska, Oklahoma, Tennessee e Texas- estão participando ou a caminho. Um mês de treinamento é seguido por 11 meses em campo.

As equipes avaliam as necessidades dos agricultores e freqüentemente pedem por um pequeno pedaço de terra para demonstrar para eles como as novas práticas podem aumentar suas colheitas.

Perto de Bagram, os agricultores cultivam uvas em montes de terra há gerações. As uvas ficam no solo, limitando a produtividade, as expondo à contaminação pelo fertilizante e absorvendo a água que foi levada até elas por valas.

As equipes lhes ensinam a construírem treliças e a fazer com que os vinhedos subam por elas acima do solo, assim como técnicas de irrigação para reduzir a quantidade necessária de água.

"Nós estamos aqui para fornecer soluções afegãs para os problemas afegãos", disse Leppert.

Segundo o coronel Rondal Turner, chefe do Estado-Maior da Guarda Nacional de Kentucky, ajuda o fato de muitos soldados da Guarda serem um pouco mais velhos, um pouco mais maduros do que a maioria dos soldados. Ele percebeu que as barreiras de língua e culturais desaparecem rapidamente.

"Isso se encaixa muito bem com nosso pessoal, nossos soldados", disse Turner. "Muitos de nossos soldados são agricultores de meio-período. Nós temos pomares e vinhedos, plantações de tabaco, milho e trigo em casa, iguais a estas."

Ele se encontrou recentemente com anciões da aldeia para discutir como a Guarda Nacional de Kentucky poderia ajudar.

"Eu me lembrei de quando era criança, quando os fazendeiros mais velhos conversavam sobre o que funcionava e o que não funcionava no empório da cidade", ele disse. "Temos isso em comum com eles. Eles são agricultores decentes. Eles querem aumentar sua produção."

O tenente-coronel Howard Schauer, da Guarda Nacional de Nebraska, trabalhou como trabalhador rural e como fiscal estadual de carne. Um dos maiores desafios para os produtores rurais afegãos, ele disse, é que as décadas de conflito destruíram as tradições agrícolas. Antes da ocupação soviética em 1979 e da guerra civil que se seguiu, o Afeganistão podia alimentar a si mesmo e exportar o excedente de sua produção de alimentos. Hoje, o país precisa importar trigo e muitos cidadãos dependem de programas internacionais de ajuda para alimentação, segundo o Departamento de Estado.

"Eles perderam toda uma geração de produtores rurais em 30 anos de guerra", disse Schauer. "Muitos deles aprendiam a plantar após verem seus pais e avós. Isso desapareceu. Nosso desafio é mostrar para eles os benefícios. Eles são trabalhadores esforçados, que trabalham arduamente e não são nem um pouco tolos."

Eles precisam, segundo ele, de ajuda para plantar o tipo certo de capim para que os rebanhos possam pastar. "No momento, eles possuem uma erva daninha com que um bode mal consegue se alimentar", ele disse.

O Afeganistão continua sendo um lugar altamente perigoso para os afegãos e para os soldados da Guarda que trabalham com eles. Leppert disse que as forças de segurança correspondem a mais da metade de cada equipe de cerca de 50 soldados. Mas trabalhar no campo e compartilhar o risco é fundamental.

"Eu nunca olho para os afegãos como inimigos", disse Leppert. "'Prove que estou errado', é o meu lema. Você não vai confiar em mim a menos que eu esteja lá como você, a menos que eu me sente e beba chá com você, seja apenas um ser humano com estas pessoas. Nós somos diplomatas dos Estados Unidos."

Ainda assim, ele diz, seus soldados não hesitariam em usar suas armas.

"Nós somos como o Corpo de Paz, mas com atitude." George El Khouri Andolfato

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