É chegada a era do Estado grande

Chuck Raasch
Em Washington

No meio da sua presidência, Bill Clinton pronunciou audaciosamente o fim da era do Estado grande. Muitos norte-americanos não acreditaram nele, e os eventos da última década corroboraram suas dúvidas.

O governo federal está maior, mais caro e mais envolvido do que nunca na vida dos americanos. Sob o governo republicano anterior, houve um enorme plano de resgate econômico, gastos com guerra e mais poderes de vigilância. O crescimento sem precedentes, contudo, ocorreu nos últimos quatro meses, com gastos de mais de US$ 1 trilhão em cortes de impostos e dívidas para resgatar bancos, fabricantes de automóveis e proprietários de casas com hipotecas atrasadas.

Talvez sejam necessários anos para os americanos compreenderem a magnitude da mudança.

É por isso que a parte mais importante do discurso do presidente Barack Obama na noite de terça-feira (24/2) para uma sessão conjunta do Congresso não foram os detalhes de seus planos para economia, saúde e educação, nem o tom otimista que ele tentou imprimir depois de ser criticado por "rebaixar" a economia.

O ponto principal estava na afirmativa de Obama que a era de um estado grande é esta - apesar de desaprovar o conceito.

Nos próximos quatro anos, o efeito de seu plano determinará se a eleição de Obama no último outono foi o início da ascensão do liberalismo ou se levará ao ressurgimento conservador na política americana.

Talvez demore para os americanos entenderem o conceito de um governo federal - cuja eficiência e necessidade vêm sendo criticados desde os anos 70 - como salvador da indústria privada fracassada.

Se a economia melhorar, e o povo der crédito às soluções audaciosas de governo grande de Obama, os democratas podem ficar no comando por um longo tempo. Entretanto, se o plano de Obama não criar ou salvar 3,5 milhões de empregos como ele prometeu, futuras gerações podem ser sentenciadas a um baixo padrão de vida, e o fracasso político ficará com os democratas por longo tempo.

Relação entre Obama e Congresso
dos EUA tem tropeços e acordos

Em seu discurso ao Congresso, Obama fez uma advertência padrão. É necessário um grande estado, disse Obama, quando explicou porque o primeiro US$ 1 trilhão de déficit não será suficiente.

"Não porque eu acredite em um estado maior - eu não acredito", disse Obama. "Não porque eu não me preocupe com a enorme dívida que herdamos - eu me preocupo. Eu pedi ação porque o fracasso em fazê-lo teria custado mais empregos e mais dificuldades."

O pacote de estímulo de Obama de US$ 787 bilhões (aproximadamente R$ 1,6 trilhão) em cortes de impostos e gastos do governo é certamente um dos maiores marcadores de qualquer novo presidente, e talvez o mais adiantado.

Ronald Reagan só promoveu cortes de impostos depois de sobreviver a uma tentativa de assassinato dois meses depois de assumir o cargo. Os cortes de impostos de George W. Bush vieram em um verão plácido em seu primeiro de presidência. A iniciativa da saúde de Clinton morreu na chegada.

O grande paradoxo de Obama é que ele continua a falar de bipartidarismo depois de presidir um primeiro mês altamente partidário em Washington. Seu pacote de estímulo foi aprovado com apenas três senadores e nenhum deputado republicano a bordo. Talvez haja oportunidade para o bipartidarismo na reforma da saúde, mas o depósito de Obama de US$ 600 bilhões para este fim provavelmente não agradará muitos conservadores.

Os conservadores, desiludidos e sem rumo depois da derrota nas eleições de novembro, estão unidos em um ponto. Para eles, Obama sempre foi um liberal que defende um estado grande. Apenas aconteceu que agora ele pode ser assim por necessidade nacional.

Se você quer deixar um conservador apoplético, compare as habilidades de comunicação de Obama com as de Ronald Reagan.

"Obama não é como Reagan. Ele é um Big Brother, é Orweliano", disse o rei dos programas auditório Rush Limbaugh, acusando Obama de usar o desespero do momento para levar os EUA para o socialismo.

Tradução: Deborah Weinberg

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos