Pandemia na era do Twitter

Chuck Raasch Em Washington

Se você visitou recentemente o Twitter, o bloco de notas Post-it dos sites sociais, você pode ter pego pessoas twittando que o surto de gripe H1N1 foi na verdade uma guerra bacteriológica, ou que comer carne de porco pode transmitir a gripe.

Uma desinformação viral como esta aumentou o espectro da pandemia de rede social. O preço da carne de porco caiu. Rumores e especulações antes disseminados ao redor do bebedouro agora se tornavam globais em um nanossegundo.

A indústria da carne de porco contra-atacou, emitindo declarações e dando entrevistas para a imprensa destacando que a gripe era transmitida por contato entre pessoas, e mudando o nome "gripe suína". Logo, funcionários do governo não mediam esforços para se referir a ela por seu rótulo H1N1. O governo também contra-atacou.

Janet Napolitano, a secretária de Segurança Interna, disse a um comitê do Senado na quarta-feira que almoçou sanduíches de presunto com queijo por uma semana. Os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) levou os twitts a sério. Até quinta-feira, o número de pessoas que acompanhavam o "CDCemergency" no Twitter ultrapassava 110 mil. O CDCemergency frequentemente twittava links para orientações e perguntas & respostas, além de escrever "microblogs" como: "Pare de disseminar germes. Cubra seu nariz e boca c/ lenço quando tossir ou espirrar".

(Para os que não entendem de Twitter, abreviações são necessárias em uma rede que limita os autores a 140 caracteres por twitt e que teria cortado a sentença que você está lendo agora dez palavras atrás.)

Há duas lições com a experiência do Twitter:

1) O admirável mundo novo das redes sociais mudou os desafios do governo durante ameaças de pandemia. Twitter, Facebook, YouTube e sites semelhantes podem ser poderosos conectores para o bem, mas também podem lançar armas de desinformação em massa. Profissionais de relações públicas dizem que os planos cuidadosamente elaborados de comunicação do governo e das empresas durante a ameaça de gripe aviária em 2005-2006 se tornaram obsoletos quando esta mais recente ameaça de pandemia chegou.

"É difícil de acreditar, mas três anos fizeram muita diferença nas comunicações", disse Bill Pendergast, um vice-presidente sênior da gigante de relações públicas Fleishman-Hillard.

Durante um webnário sobre comunicações pandêmicas na terça-feira, Pendergast acrescentou: "Se a campanha presidencial de Obama foi a primeira campanha Internet 2.0, esta pode ser a primeira questão de saúde global de Internet 2.0".

2) Apesar da fé na capacidade do governo de acertar ter sido abalada (o furacão Katrina, a falta de armas de destruição em massa no Iraque), muitos ainda se voltam ao governo em busca de informação confiável. O desempenho dos CDC até o momento provavelmente aumentará a confiança na capacidade do governo de lidar com uma pandemia, e seu uso das redes sociais tem sido uma parte importante de sua estratégia.

Exceto pelo comentário do vice-presidente Joe Biden de que aconselharia sua família a evitar aviões e o metrô (o que ELE sabe que não sabemos?), o governo em geral aconselhou cautela em resposta ao surto de gripe H1N1, não pânico, e pediu aos cidadãos que fizessem pequenas coisas práticas, como lavar as mãos e abafar os espirros, que se somam às coisas grandes no agregado.

Mark Senak, um especialista em comunicações em crises de saúde, disse que os CDC "exibiram uma boa dose de inteligência no emprego da mídia digital durante a crise".

Um vice-presidente sênior da Fleishman-Hillard que foi o principal consultor de comunicações durante a crise de Aids dos anos 80, Senak elogiou as atualizações dos CDC no Twitter, apesar de ter dito que os CDC poderiam ter postado mais vídeos factuais no YouTube.

Falando durante um webnário da Fleishman-Hillard, Senak disse ter ficado "surpreso não apenas com o grau de informação errada" no Twitter, mas "atônito com o simples volume de pessoas que estavam falando sobre se deviam ou não comer carne de porco".

Ele disse que isso o fez perceber que os comunicadores devem recalibrar as transmissões para atender "nichos".

Intencionalmente ou não, Senak descreveu os desafios relacionados à pandemia diante dos comunicadores como os mesmos enfrentados pelos profissionais de saúde. As redes sociais são uma nova forma viral de uma velha condição, uma com a capacidade de saltar da rede online de uma pessoa para outra com o clique de um mouse, e se expandir exponencialmente à medida que é transmitida.

"Nós estamos falando sobre mensagens segmentadas que vão para um nó em particular e então são repassadas", disse Senak. "Se há uma coisa que mudou desde 2006, é a velocidade da informação ao longo desses nós."

Tradução: George El Khouri Andolfato

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