Como é a prisão de segurança super-máxima que poderia receber os detentos de Guantánamo

Kevin Johnson

A única prisão de segurança super-máxima do governo federal abriga uma verdadeira galeria dos criminosos mais perigosos do mundo, que passam seus dias e noites isolados em celas de concreto à prova de som. A maior parte das pessoas de fora nunca entra; a maior parte dos presos nunca sai.

"Ninguém jamais escapou", disse o presidente Obama na semana passada, referindo-se à fortaleza de Florence, Colorado, apelidada de "Alcatraz das Rochosas". Obama sugeriu enviar para lá alguns dos novos marginais: os presos do famoso centro de detenção da Baía de Guantánamo.

No dia 22 de janeiro, Obama emitiu uma ordem executiva que pedia o fechamento das instalações de Guantánamo dentro de um ano. A ordem colocou em andamento uma revisão da situação dos 240 presos para determinar se deveriam ser liberados ou, do contrário, como deveriam aguardar o julgamento. Referindo-se à prisão de Florence no início do mês, Obama disse que o governo ia pedir a transferência de ao menos alguns presos para o "mesmo tipo de instalações nas quais prendemos toda espécie de criminosos perigosos e violentos em nossas fronteiras".

Ainda assim, apesar de Guantánamo ter sido usada como um símbolo da brutalidade dos EUA durante a guerra ao terror, a Penitenciária de Segurança Máxima Federal de Florence tem fama própria.

Lar do "quem é quem" dos criminosos famosos
Entre os presos em Florence estão: Ramzi Yousef, arquiteto do primeiro atentado ao World Trade Center; Richard Reid, que tinha uma bomba no sapato; Robert Hanssen, ex-agente do FBI que se tornou espião russo; o conspirador do atentado de Oklahoma Terry Nichols; o "Unabomber", Ted Kaczynski, e líderes de gagues que representam uma constelação de grupos violentos, desde a Aryan Brotherhood e Gangster Disciples até os Latin Kings.

A penitenciária com 490 leitos também é um local onde, de acordo com o consultor de prisões James Aiken, a mente humana "apodrece".

Diferentemente da maior parte das outras prisões no país, nas quais os presos têm bastante liberdade para se misturarem em pavilhões e desenvolverem suas próprias ordens de hierarquia, a prisão de segurança super-máxima de Florence é baseada no isolamento. Não há interação alguma entre os presos - 23 horas por dia, eles ficam trancados em pequenas celas independentes. Quando chega sua hora de exercício, são acorrentados e escoltados para andarem em gaiolas individuais, com visão limitada do exterior.

Uma medida do ambiente sombrio da prisão foi oferecida pela juíza distrital Leonie Brinkema, há três anos, quando ela condenou o terrorista da Al Qaeda Zacarias Moussaoui a passar o resto da vida ali.

"Senhor Moussaoui, olhe para esta corte. Quando o processo terminar, todos nesta sala estarão livres para ir onde quiserem... para verem o sol... para ouvirem os pássaros. Você vai passar o resto da sua vida em uma prisão de segurança super-máxima... para parafrasear o poeta T.S. Eliot, você vai morrer com uma lamúria. Nunca terá a chance de falar novamente."

O advogado Ronald Kuby, que representou uma dúzia de presos na prisão de Colorado, descreveu o ambiente isolado como "desumano e destruidor da alma".

"As prisões tendem a ser ambientes brutais e arbitrários, mas Florence foi criada com o propósito de quebrar a pessoa", disse Kuby.

Transferir presos de Guantánamo para Florence "não seria uma solução para o problema de Guantánamo", segundo Kuby.

"Os piores dos piores vão para Florence depois de julgados, quando perdem a presunção de inocência. Esses (presos de Guantánamo) não foram condenados por nada. Expô-los a essas condições não é a missão do encarceramento pré-julgamento".

A porta-voz do Escritório Prisional Traci Billingstley defendeu as condições em Florence, dizendo que apesar do contato entre os presos ser restrito há contato com os funcionários da prisão "o tempo todo".

"É muito humana", disse ela.

Ainda não há decisão de remoção dos presos de Guantánamo
O advogado Bernard Kleinman, que visitou a prisão ao menos seis vezes enquanto representava Yousef, disse que os presos de Guantánamo provavelmente teriam "mais liberdade de movimento em Guantánamo".

Durante suas visitas a Florence, Kleinman disse que observou que seu cliente foi se tornando mais "retraído" devido à falta de contato humano.

O advogado disse que Yousef, 41, descreveu um breve encontro com outro preso, condenado por homicídio múltiplo, Thomas Silverstein, "Tom o Terrível". O raro contato, contudo, não foi confortante. "Você sabe, aquele cara é totalmente louco", teria dito Yousef.

Kleinman disse que frequentemente Yousef se recusa a deixar a cela para se exercitar, porque não gosta das revistas íntimas. "São incrivelmente humilhantes", disse Kleinman.

Em seu discurso de segurança nacional na semana passada, Obama não afirmou especificamente que alguns dos 240 presos em Guantánamo seriam transferidos para Florence. Mas ele sugeriu fortemente que o governo estava considerando a prisão de Colorado como possível destino.

"Ao fazermos essas decisões, temos que ter em mente o seguinte fato: ninguém nunca escapou de uma de nossas prisões de segurança super-máxima, que detém centenas de terroristas condenados", disse Obama.

Essa "supermax" é Florence.

O porta-voz do Departamento de Justiça Dean Boyd disse que nenhuma decisão tinha sido tomada sobre onde os presos ficariam. Um relatório de política de detenção que vai recomendar as transferências para os presos deve ser entregue à Casa Branca em julho.

Se Florence entrar para a lista de destinos, Bryan Lowry, presidente do sindicato de funcionários de prisões federais disse que terá que haver mudanças. De acordo com o Escritório de Prisões, todos os leitos de Florence, com exceção de um, estão tomados, e não há planos imediatos de expansão.

Tradução: Deborah Weinberg

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos