Pesquisadores dos EUA pedem a criação de leis para impedir pedestres de atravessarem a rua mandando mensagens pelo celular

Chuck Raasch Em Washington (EUA)

Algumas pessoas não podem andar e falar ao mesmo tempo. Ou pelo menos não deveriam.

Os motoristas da cidade entendem. É hora de declarar dois novos riscos no trânsito: Caminhar Enviando Mensagem de Texto (CEMT) e Caminhar Falando ao Celular (CFC).

Sobe o grande número de pedestres com iPod que não conseguem ouvir os sons da rua ao seu redor e você conclui que há uma crescente desconexão entre o mundo dos motoristas e o dos pedestres urbanos.

Os pedestres têm certos direitos inalienáveis. Os motoristas devem parar para os pedestres nas faixas de pedestres. E os motoristas estão acostumados a evitar os ciclistas que serpenteiam no trânsito, ignorando todas as leis de trânsito.

Mas enquanto os motoristas são alertados a pararem de falar ao celular, eles precisam ficar atentos aos pedestres falando ao celular e trocando mensagens de texto que atravessam as ruas desatentamente.

A maioria dos motoristas da cidade tem histórias sobre ser obrigado a desviar ou frear para um pedestre falando ao celular ou trocando mensagem de texto. Em uma rua movimentada na capital americana recentemente, um trocador de mensagem de texto sem noção, com ambos os polegares a mil, atravessou uma rua sem perceber, até chegar à metade dela, que todas as buzinas estavam sendo tocadas para ele.

Os números de acidentes de trânsito podem não revelar o problema. Em todo o país [Estados Unidos], as mortes no trânsito caíram para 37.313 no ano passado, o número mais baixo desde 1961 e uma queda de 14% em comparação a 2000, segundo a Administração Nacional de Segurança no Trânsito e nas Estradas dos Estados Unidos. Parte da queda no número geral de mortes se deve aos carros mais seguros. Menos quilômetros estão sendo rodados em um tempo de alta dos preços da gasolina e recessão econômica.

Mas as mortes de pedestres permaneceram em cerca de 4.300 a 4.800 por ano ao longo da última década. O crescimento projetado da população nos subúrbios próximos e cidades, à medida que o preço da gasolina permanece alto, virtualmente garante uma maior interação entre motoristas e pedestres no futuro próximo.

O pesquisador Peter Loeb, da Universidade Rutgers, em Newark, e William A. Clarke, da Universidade Bentley, em Massachusetts, divulgaram um estudo no início deste ano apontando que os celulares inicialmente ajudaram a reduzir as mortes nos anos 80, ao permitirem que os veículos de emergência chegassem aos locais de acidente mais rapidamente.

Mas de forma interessante, Loeb e Clarke também concluíram que quando os Estados Unidos chegaram a 121 milhões de celulares em uso há cerca de uma década, os efeitos negativos sobre os motoristas sobrepujaram seu uso como salvador de vidas.

Atualmente há mais de 250 milhões de celulares em uso nos Estados Unidos, e o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes estima que um entre 10 motoristas estará falando no celular ao volante.

Não é de se estranhar que seis Estados (Califórnia, Connecticut, Nova Jersey, Nova York, Utah e Washington), juntamente com o Distrito de Colúmbia, proibiram dirigir falando ao celular segurado-o ao lado do ouvido.

Loeb e Clarke sugeriram que a proibição deve ser expandida. Eles não puderam calcular o percentual de pedestres envolvidos em acidente que estavam usando celulares ou outros aparelhos eletrônicos, mas acham que a tendência merece leis mais duras.

"Dada a existência de mais de 255 milhões de usuários de celular nos Estados Unidos, isso faz acreditar que os efeitos negativos do uso de celulares nos casos de acidentes com pedestres são muito maiores do que os efeitos positivos", concluíram Loeb e Clarke. "Políticas que reduziriam o uso de celular por motoristas e por pedestres ao atravessar as ruas deveriam ser adotadas."

Tradução: George El Khouri Andolfato

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