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Steve Outing > Parem as máquinas


Uma Olhadinha na "Midiamorfose" de Roger Fidler

STEVE OUTING

O futurista da mídia e defensor de jornais em tela plana Roger Fidler é um dos nomes mais visíveis no setor de novas mídias jornalísticas. Por três anos, ele comandou o Laboratório de Design da Informação da Knight-Ridder, em Boulder, Colorado, onde sua equipe trabalhava num protótipo do sistema digital portátil visto como "o jornal do futuro" antes que a Knight Ridder cortasse a verba do setor na metade de 1995. Atualmente, o pioneiro das novas mídias é profissional residente e coordenador do recém criado Laboratório de Design da Informação na escola de jornalismo da Universidade Kent State, e continua a trabalhar na tecnologia de telas planas e seus aplicativos para a mídia com o Liquid Cristal Institute da mesma universidade.

Há algum tempo, Fidler vem também escrevendo um livro, "Mediamorphosis: Understanding New Media," ["Midiamorfose: Compreendendo as Novas Mídias"] que será publicado pela Pine Forge Press em janeiro de 1997. Porque esse trabalho vem sendo aguardado ansiosamente, oferecerei hoje um excerto do livro, com a autorização do autor.

Fidler diz: "Comecei a pesquisar para este livro no final de 1991, quando era um Fellow do Freedom Forum na Universidade Columbia. Completei a versão final do manuscrito em maio de 1996, de modo que o trabalho levou cerca de cinco anos. Nesse período, evoluiu de um livro sobre o futuro dos jornais apenas a um trabalho muito mais abrangente sobre a transformação digital de todos os meios de comunicação.

As raízes de Fidler nas novas mídias remontam a 1979, quando ele parte da equipe que trabalhava com o Viewtron, o malfadado serviço de videotexto Knight-Ridder. Ele também, foi o fundador e presidente da Presslink (subsidiária da Knight-Ridder), e trabalhou no mercado de notícias como jornalista, projetista e tecnólogo por três décadas e meia.

O trecho seguinte é parte do Capítulo 1:

Roger F. Fidler, "Mediamorphosis: Understanding New Media." Thousand Oaks, CA: Pine Forge Press, 1997, 320 páginas. ISBN 0-8039-9086-3. Disponível inicialmente em livrarias universitárias e na Border Books. Encomendas diretas pelo telefone 805-499-0721 ramal 7100.

O Processo Midiamórfico

Antes que possamos sequer começar a fazer julgamentos razoáveis sobre as tecnologias emergentes e o futuro dos principais meios de comunicação atuais, precisamos adquirir um conhecimento amplo e integrado sobre as comunicações humanas e os padrões históricos de mudança nesse sistema. O conhecimento é a peça central de nossa compreensão do processo midiamórfico, que eu defino como "a transformação dos meios de comunicação, em geral provocada pelas complexas interrelações entre as necessidades percebidas, pressões políticas e econômicas, e inovações sociais e tecnológicas.

A midiamorfose não é tanto uma teoria quanto uma forma unificada de pensar sobre a evolução tecnológica dos meios de comunicação. Em lugar de estudar cada forma separadamente, ela nos encoraja a examinar todas as formas como membros de um sistema interdependente, e a notar as similaridades que existem entre as formas passadas, presentes e emergentes. Ao estudar o sistema de comunicação como um todo, veremos que novas mídias não surgem de forma espontânea e independente -emergem gradualmente, da metamorfose das velhas mídias. E que quando surgem novas formas de comunicação, as antigas em geral não morrem -continuam a evoluir e a adaptar-se

O exemplo do sucesso tardio das rádios FM e da transformação do rádio de meio de massa em meio que atende a nichos de mercado também pode ser usado para ilustrar esse princípio fundamental de midiamorfose. Quando a TV começou sua grande ascensão, o rádio voltado à audiência de massa entrou em profundo declínio, o que levou os analistas a prever a morte iminente do meio. Mas o rádio não morreu.

E as rádios AM não foram inteiramente substituídas pelas FM. Em lugar disso, as rádios AM se adaptaram e por meio da adoção de novas tecnologias e estratégias de marketing, tornaram-se cada vez mais competitivas em relação às FM. Desde o começo dos anos 90, as rádios AM vêm mostrando fortes sinais de retomada, nos Estados Unidos e em outros países.

A rápida difusão da TV também causou mudanças significativas nas indústrias jornalística, de revistas e cinematográfica, das quais trataremos nos capítulos posteriores. Cada um desses meios foi declarado moribundo e incapaz de competir com o imediatismo e as atraentes imagens da TV, e no entanto todos eles provaram-se mais resistentes e adaptáveis do que o esperado. Isso também ilustra um corolário importante ao princípio da metamorfose: as formas estabelecidas de comunicação devem mudar em resposta à emergência de um novo meio -sua única outra opção é morrer. O princípio da metamorfose, assim como diversos dos outros princípios centrais da midiamorfose, deriva de três conceitos -co-evolução, convergência e complexidade.

Co- evolução

Todas as formas de comunicação estão, como veremos, estreitamente entrelaçadas no tecido do sistema de comunicação humano, e não podem existir independentemente umas das outras em nossa cultura. À medida que cada nova forma emerge e se desenvolve, influencia, com o tempo e em graus variados, o desenvolvimento de todas as outras formas de comunicação existentes. A co-evolução e a co-existência, em lugar da evolução seqüencial e da substituição, tem sido a norma desde que os primeiros organismos fizeram sua estréia no planeta. A riqueza de formas de comunicação que hoje em dia consideramos como dada não teria sido possível se o nascimento de cada meio de comunicação tivesse resultado simultaneamente na morte de um meio mais antigo.

Códigos comunicatórios

Formas específicas de mídia, como espécies, têm ciclos de vida e terminam por morrer, mas a maior parte dos traços que as definem continuarão para sempre como parte do sistema. Da mesma forma que as características biológicas são propagadas de uma geração para outra por meio do código genético, os traços de mídia são incorporados e levados adiante por meio de códigos comunicatórios que chamamos de linguagem. As linguagens têm sido, incomparavelmente, os mais poderosos agentes de mudança no curso da evolução humana.

Como descobriremos no Capítulo 3, o desenvolvimento da linguagem falada, seguido pelo da linguagem escrita, produziram duas grandes transformações, ou midiamorfoses, no sistema de comunicação humano. Cada uma dessas duas categorias de linguagem foi responsável por reordenar e expandir em larga medida a mente humana, de maneiras que tornaram possível a cultura e a civilização modernas. Incontáveis tecnologias de transformação afetando todos os aspectos da vida e comunicação humana foram inspiradas e energizadas por esses dois agentes de mudança.

Agora, uma terceira grande midiamorfose resultante do desenvolvimento recente de uma nova classe de linguagem está uma vez mais pronta para influenciar radicalmente a evolução da comunicação e da civilização. Nos dois séculos passados, as tecnologias da era industrial e da era da informação têm conjuntamente contribuído para o desenvolvimento e divulgação dessa linguagem, que só se tornou conhecida à maioria das pessoas nas últimas duas décadas. Essa nova classe de linguagem é a chamada linguagem digital. É a língua franca dos computadores e das redes globais de telecomunicações.

Domínios de telecomunicação

Desde as origens da linguagem escrita, as formas de mídia co-evoluíram ao longo de três rotas distintas às quais me refiro como domínios. Esses domínios, que serão descritos no próximo capítulo, propagaram conjuntos específicos de traços de mídia que permaneceram relativamente estáveis por quase seis milênios. Mas, como iremos descobrir, a linguagem digital está transformando as formas existentes dos meios de comunicação. É o agente de mudança mais responsável pela presente confusão entre as fronteiras dos domínios históricos da comunicação.

Convergência

Quase todo computador pessoal vendido hoje em dia oferece ao usuário a capacidade de executar CD-ROMs que misturam texto e imagens fotográficas com vídeos e sons, bem como a oportunidade de conectar-se a redes mundiais e nelas obter acesso a vastos arquivos de informação visual, sonora e na forma de texto. Esse é apenas um dos mais óbvios exemplos do que é conhecido como convergência de mídia. A idéia de que tecnologias e formas diversas de mídia estão hoje se aproximando e unindo é quase um lugar comum, mas não muito tempo atrás era considerada visionária.

Em 1979, quando Nicholas Negroponte começou a popularizar o conceito em suas turnês de palestras que visavam levantar fundos para a construção do prédio do MediaLab no Massachusetts Institute of Technology (MIT), poucas pessoas conseguiam compreender a convergência. As audiências freqüentemente ficavam atônitas quando Negroponte revelava que "todas as tecnologias de comunicação estão sofrendo uma metamorfose conjunta, que só pode ser compreendida adequadamente se for tratada como um único assunto". Para ilustrar seu conceito, Negroponte desenhava três círculos sobrepostos com os rótulos "TV e cinema", "computadores" e "grupos gráficos e editoriais". Desde então, a idéia de que esses setores se estão aproximando para criar novas formas de comunicação deu orientação a boa parte do pensamento sobre o futuro das mídias de massa e da comunicação humana.

Formas Multimídia de Comunicação

Negroponte e outros dos professores do MIT merecem crédito por estar entre os primeiros a reconhecer que essa convergência de mídias e tecnologias digitais terminaria por conduzir a novas formas de assim chamada comunicação multimídia. Multimídia, ou mídia mista, como também é conhecida, é uma idéia em geral definida como qualquer meio em que duas ou mais formas de comunicação estão integradas.

Sob a definição mais ampla do termo, a maior parte dos jornais e revistas em papel qualificam-se como formas de multimídia, porque transmitem informação por meio de uma combinação de palavras escritas, fotografia e gráficos impressos na mídia papel. No entanto, as visões de multimídia popularizadas nas últimas duas décadas tendem a descartar o papel como um meio "velho". O meio "novo" predileto para a exibição de conteúdo misto é uma tela eletrônica. Com um meio dotado de mostrador eletrônico, como um monitor de computador ou tela de televisão, novos sistemas multimídia são capazes de transmitir informações por meio de diversas combinações de vídeos de qualidade televisiva, animações e sons, bem como imagens fotográficas e palavras escritas.

Interpretações equivocadas da convergência

Embora o conceito de convergência de mídia, na forma promovida por Negroponte e o MediaLab do MIT, se tenha provado uma ferramenta popular e útil para abarcar algumas das mudanças que estão acontecendo agora dentro dos negócios de mídia estabelecidos, houve também diversos casos de interpretação equivocada. Suposições comuns de que a atual convergência conduzirá a uma redução no número de formas de comunicação ou em última análise à extinção de formas estabelecidas como os jornais e revistas não têm apoio nas evidências históricas. Everett Rogers e outros estudiosos dos meios de comunicação demonstraram claramente que "a história da comunicação é a história de 'mais"'. Em lugar de consolidarem-se ou substituírem mídias mais antigas, as novas formas tendem a divergir e a aumentar o mix de mídias disponíveis. Justiça seja feita, quando Negroponte desenhava os três círculos sobrepostos, ele não estava tentando adivinhar o desfecho do processo, como sugeriram algumas pessoas. Estava apenas apontando para regiões de oportunidade potencial para o desenvolvimento de novas mídias.

Dois outros erros comuns de interpretação são a crença de que a convergência é algo que começou em nossa era e que envolve primariamente fusões. A convergência, na realidade, foi sempre essencial para a evolução e o processo de midiamorfose. Convergências em larga escala como as que estamos vendo nas indústrias de mídia e telecomunicação podem acontecer apenas ocasionalmente, mas as formas de mídia hoje existentes são de fato o resultado de inumeráveis convergências de pequena escala que ocorreram com grande freqüência ao longo do tempo. Mesmo que fusões e convergência sejam usadas como sinônimos, não significam a mesma coisa. Uma fusão implica que duas ou mais entidades (por exemplo companhias, tecnologias ou mídias) se reúnam para formar uma entidade única e integrada. A convergência é mais como caminhos que se cruzam ou um casamento, que resulta na transformação das partes envolvidas e na criação de novas entidades.

Complexidade

Em períodos de grandes mudanças como o que estamos vivendo agora, tudo em torno de nós pode parecer caótico e, em larga medida, o é. O caos é um componente essencial da mudança. Sem ele, o universo seria um lugar morto e a vida seria impossível. Do caos surgem novas idéias que transformam e revitalizam sistemas.

Teoria do Caos

Um dogma central da teoria do caos moderna é a idéia de que eventos aparentemente insignificantes ou pequenas variações iniciais dentro de sistemas caóticos, como o clima e a economia, podem deflagrar cascatas de ocorrências imprevisíveis e cada vez mais intensas que por fim levam a eventos conseqüentes ou catastróficos. Esse aspecto da teoria é freqüentemente ilustrado pelo exemplo de uma borboleta batendo as asas na China e fazendo com que um furacão se desenvolva na costa da Flórida.

Os sistemas caóticos são essencialmente anárquicos. Ou seja, exibem variabilidade praticamente infinita e não há padrões previsíveis de longo prazo, o que explica porque previsões meteorológicas e de desempenho das economias nacionais a longo prazo são para todos os efeitos impossíveis. Também explica porque ninguém jamais será capaz de prever com precisão que novas tecnologias de mídia específicas e que formas de comunicação terão sucesso ou fracassarão.

A importância do caos para a nossa compreensão da midiamorfose e do desenvolvimento de novas mídias está de fato menos na teoria do que em sua conexão a outro conceito correlato -a complexidade. Nesse contexto, complexidade refere-se aos eventos que acontecem dentro de certos sistemas aparentemente caóticos. O estudo da complexidade foi estimulado por um grupo de cientistas de diferentes disciplinas que fundaram o Instituto Santa Fe, no Novo México, na metade dos anos 80. O caos e a ordem, como o nascimento e a morte, são extremos opostos de todos os sistemas complexos, ou sistemas vivos. De acordo com o físico Mitchell Waldrop, a fronteira do caos é "onde" novas idéias e genotipos inovadores estão sempre mordiscando a fronteira do status quo.

Sistemas complexos adaptativos

Pesquisas conduzidas pelo Instituto Santa Fe de Pesquisa conduziram a diversas percepções centrais ao processo midiamórfico. À medida que os cientistas estudavam o comportamento de sistemas complexos, descobriram que a riqueza das interações que ocorrem dentro dos sistemas vivos permite que passem por auto-organização espontânea em resposta a alterações nas condições. Em outras palavras, sistemas complexos são adaptativos, por "não responderem passivamente apenas aos eventos, da forma que uma pedra faz, rolando quando acontece um terremoto. Eles tentam ativamente transformar em vantagem qualquer coisa que acontece".

Ao reconhecer que o sistema de comunicação humano é de fato um sistema complexo e adaptativo, podemos ver que todas as formas de mídia vivem em um universo dinâmico e interdependente. Quando pressões externas são aplicadas e novas inovações são introduzidas, cada forma de comunicação é afetada por um processo intrínseco de auto-organização que ocorre espontaneamente dentro do sistema. Da mesma forma que uma espécie evolui para sobreviver melhor frente a mudanças em seu meio-ambiente, as formas de comunicação e as empresas de mídia estabelecidas evoluem. Esse processo é a essência da midiamorfose.

Contato: Roger F. Fidler, fidler@usa.net

Tradução de PAULO MIGLIACCI

ALGUMA DICA?

Envie para mim. Se você sabe de alguma coisa que mereça atenção sobre novas mídias noticiosas, por favor entre em contato comigo.

steve@planetarynews.com

STEVE OUTING é consultor sobre publicações na Internet e colunista, radicado nos EUA, para a Editor & Publisher Interactive

Esta coluna é atualizada às segundas, quartas e sextas






 

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