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Steve Outing > Parem as máquinas

03/07/2001 16h46

O público não está abandonando a rede

Nos últimos meses a indústria da mídia só recebeu manchetes negativas, uma atrás da outra. E o que dizer da mídia online? As notícias são piores ainda. Com o fracasso de tantas empresas pontocom, muita gente de mídia está perdendo a fé na internet como meio viável de divulgação comercial.

Este é um grave problema, pois hoje a realidade econômica da Internet não corresponde aos padrões e às tendências da sua utilização. Tudo indica que a Internet será, de fato, uma mídia importante -tão importante como nós todos acreditávamos, dois anos atrás, que ela seria. Isso acontecerá no seu devido tempo, depois da próxima fase de reaquecimento da economia.

Não compreender este fato agora será um grave erro.

O próximo passo
Tal como muitos leitores, eu também ando deprimido com a situação econômica da Internet. Há pouco, porém, me deparei com uma pesquisa que nos dá esperanças -e também uma boa visão do que precisamos fazer agora, no setor da mídia.

A Lyra Research, empresa de pesquisas com 10 anos de existência, baseada em Massachusetts, fundou há pouco seu grupo Content Intelligence (Informações sobre Conteúdo), que produziu sua primeira publicação mensal em maio. (Essa empresa divulga todos os meses um estudo independente sobre mídia relacionada à internet. A pesquisa é financiada pela venda de assinaturas anuais, no valor de US$ 500, para seus dados e suas publicações.)

Sua segunda pesquisa publicada, a ser divulgada esta semana, inclui informações muito interessantes sobre o comportamento e as atitudes do consumidor em relação aos jornais e à internet. (Na edição de junho a Lyra decidiu concentrar sua pesquisa em jornais; as pesquisas futuras tratarão de outras mídias e sua relação com a Internet.)

Resumindo: numa pesquisa aleatória com internautas, a rede continua em primeiro lugar em termos de importância para os consumidores de notícias, e também em termos de hábitos de utilização. Quanto mais experientes são os internautas, mais eles utilizam a Internet e desfrutam dela, em prejuízo dos jornais.

Por exemplo, os pesquisadores da Lyra perguntaram a uma amostra de mais de 1300 internautas, estatisticamente ponderada, o que é mais importante em sua vida diária: a Web ou os jornais. Cerca de dois terços escolheram a internet; 22% apontaram os jornais. (O restante não respondeu à pergunta.) Note-se ainda que no grupo que prefere os jornais predominam as pessoas de mais de 45 anos.

Os pesquisadores também perguntaram, "Se você tivesse mais tempo livre, gastaria mais tempo com com qual mídia?". O maior grupo, 46%, respondeu que gastaria mais tempo navegando na Internet. Assistir mais televisão veio em segundo lugar, com 29%; ler livros veio em terceiro, com 11%. Ler jornais seria a primeira opção para apenas 5% dos entrevistados. Ler revistas e ouvir rádio ganharam apenas 3% das respostas cada um. (Detalhe interessante: os livros subiram de posição como meio de informação favorito para o tempo livre. Possivelmente, isso se deve ao maior uso da Internet e ao excesso de informações. Talvez os livros preencham uma necessidade de aliviar o estresse, numa sociedade sobrecarregada de informações.)

Ao responder à pergunta sobre qual mídia o entrevistado "mais anseia por utilizar" e "gosta mais", a Internet ganhou dos jornais, numa comparação só entre os dois, por 80% contra 15%. Ao responder qual mídia é a parte "mais importante" da sua rotina diária, a internet ganhou dos jornais por 64% a 22%. E ainda: mesmo quando a pergunta foi "Qual meio oferece a você as informações mais importantes?" a internet superou os jornais por 43% a 40%.

Quanto mais experiência, mais tempo passado on-line
Segundo John McIntyre, editor administrativo da Content Intelligence, o mais fascinante nas conclusões da empresa é que elas indicam uma mudança nos hábitos de utilização da mídia, conforme aumenta a experiência do usuário com a Web. À medida que o internauta ganha experiência, ele aumenta seu tempo online e reduz o tempo dedicado aos jornais impressos (assim como a outras mídias tradicionais).

Mas McIntyre destaca um fato importante: é verdade que os consumidores estão ganhando mais experiência com a Internet, mas isso não traz, necessariamente, um benefício para os sites de jornais. Com o passar do tempo, os leitores de jornais vão adquirindo uma experiência substancial com a rede, e um número cada vez maior passa a navegar regularmente. "Descobrimos que, de modo geral, quando as pessoas passam da mídia impressa para a Internet, elas não optam pelos sites de jornais," diz ele. Em vez disso, procuram outras fontes de informação.

Isso não surpreende, já que existem tantas opções de conteúdo online.

Essa pesquisa indica, naturalmente, que os jornais precisam reforçar os atrativos de seus sites. Assim, à medida que os usuários vão ganhando experiência com a Internet e utilizando menos a mídia impressa, terão incentivo para acessar o site do jornal e lhe dar preferência, em detrimento de todos os outros sites concorrentes. Infelizmente, com a atual recessão muitos sites estão gastando menos na criação de conteúdo original -exatamente o oposto do que deveriam fazer.

Segundo a pesquisa da Lyra, os classificados de empregos são uma das áreas em que os jornais estão sofrendo erosão. Solicitados a escolher entre cinco opções de mídia para procurar emprego, 32% dos entrevistados que são internautas preferem usar a rede. "É um número muito alto," diz McIntyre. Os resultados da Lyra confirmam um estudo recente da Greenfield Online: os internautas preferem, por uma margem de dois para um, procurar emprego online, e não pelos jornais.

A Lyra também notou a tendência dos internautas de buscar informações on-line na área de imóveis, especialmente entre os de maior escolaridade (e portanto, maior renda). Entre os usuários com educação universitária, 59% escolheram a Web como sua fonte preferida de informações imobiliárias, contra 37% que preferiram os jornais.

A Lyra constatou uma diminuição da leitura de jornais até mesmo na tradicional seção dos obituários, e um aumento correspondente no acesso à internet para procurar os óbitos.

Pesquisas, pesquisas, pesquisas
Julgo que a pesquisa da Lyra é notável, em parte, devido à sua independência. Ao que tudo indica, essa empresa não tem interesses particulares em jogo. Além de ganhar dinheiro vendendo assinaturas para suas pesquisas, "queremos apenas saber o que as pessoas pensam," diz McIntyre. Ele acrescenta ainda, "Nós perguntamos coisas que os outros não perguntam." As pesquisas feitas por associações da indústria jornalística (e de outras mídias) abordam a utilização da mídia com objetivos diferentes.

Dentro da indústria jornalística, algumas pesquisas já apresentaram conclusões semelhantes. Um estudo feito no início de 2000, financiado pela Associação dos Jornais da América, concluiu: "O acréscimo da Internet à lista das mídias classificadas pelos usuários revela que o nível de satisfação com a rede é ligeiramente mais alto do que com os jornais diários, e igual ao dos jornais dominicais. [...] Esse nível mais alto de satisfação com a Web entre os usuários regulares sugere que à medida que aumenta a utilização da Internet, aumenta também o nível de satisfação."

A pesquisa dessa associação jornalística americana também registrou um aumento na utilização da Web, juntamente com um declínio no tempo médio gasto lendo jornais. É verdade que esses levantamentos foram realizados antes da implosão das pontocom. Entretanto, a pesquisa da Lyra de 2001 mostra que esse declínio, assim como a recente onda de reportagens sobre a agonia mortal da mídia online, não alteraram as tendências gerais. O uso da rede está aumentando; a satisfação com ela como meio de informação está aumentando; e os consumidores parecem indiferentes às notícias pessimistas sobre a Internet, e continuam a navegar cada vez mais.

Assim, o que temos hoje é um visível descompasso. Por um lado, temos o público -um número cada vez maior de pessoas acessando, e maior tempo médio de navegação à medida que os usuários ganham experiência na rede.

De outro lado, temos os mercados financeiros.

Creio que o caminho a tomar no próximo ano é bastante óbvio. Os milhões de pessoas que adquiriram o hábito de consumir mídia online provavelmente não voltarão a favorecer os jornais ou a televisão em prejuízo da Internet. O público não se importa se os editores dos websites estão morrendo de fome; ele quer apenas suas notícias, seu conteúdo. Cabe aos editores descobrir como ganhar dinheiro.

McIntyre destaca ainda uma lição da história: os jornais sempre perdem uma fatia de público quando surge um novo meio de comunicação, seja o rádio, a TV aberta ou a TV a cabo. O mesmo está acontecendo agora que a Internet vai se tornando um meio de comunicação de massas.

Basta olhar os números. Os principais sites informativos recebem milhões de usuários por mês. Os dados pesquisados pela Jupiter Media Metrix mostram que a MSNBC.com e a CNN.com recebem mensalmente mais de 9 milhões de acessos. Uma vez que o tempo disponível para consumir notícias é finito, é óbvio que esses usuários de mídia online estão reduzindo o tempo que dedicam a outras mídias.

Mesmo que alguns editores jornalísticos queiram se iludir, pensando que a depressão que atinge as pontocom vai mudar esse panorama, a realidade não é essa. O público está voltando sua atenção à mídia digital. Não está desistindo por completo dos jornais, mas está diminuindo sua dependência deles, e encontrando cada vez mais satisfação e prazer no uso da internet.

Sua missão, Sr. Editor /Sra. Editora de jornais, é solucionar o problema financeiro do seu website. O público consumidor de notícias está mudando de comportamento. E ele não se interessa nem um pouco pelos problemas financeiros que você está enfrentando.

Mais idéias sobre boletins eletrônicos
Keith Porter, o guia da About.com para notícias mundiais, escreve: "Acabo de ler sua coluna sobre boletins por e-mail e tive uma idéia. Que tal se os jornais fizessem um pacote, vendendo a assinatura do jornal impresso juntamente com uma assinatura dos seus serviços por e-mail? Digamos, se eu assinar a versão impressa do jornal X, poderia receber a versão eletrônica grátis, ou a um preço muito reduzido. Como você disse, a versão por e-mail poderia conter informações não disponíveis na versão impressa... ou então, links para informações extra sobre as matérias, tanto na versão impressa como na eletrônica. Além disso, a assinatura por e-mail poderia me enviar alertas para notícias de última hora durante o dia todo. Esse serviço iria agregar valor à minha assinatura da versão impressa. Seria possível criar um esquema especial de preços, semelhante aos utilizados pelos jornais para oferecer assinaturas só da edição de domingo, ou só dos dias de semana. Uma iniciativa assim teria o potencial de aumentar as assinaturas do jornal impresso e, ao mesmo tempo, construir uma sólida base de assinantes por e-mail."





 

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