Publicidade

Boletim grátis
Fique por dentro do que acontece no mundo da tecnologia
Divulgação



AVISO:
Mundo Digital agora é UOL Tecnologia; conheça o novo site

Steve Outing > Parem as máquinas

27/07/2001 18h27

Empresários da indústria online devem abrir as torneiras da criatividade

Na minha última coluna sugeri várias idéias criativas, para serem avaliadas pela indústria de mídia online. A maior parte daquelas sugestões foi feita por membros da própria indústria.

Conforme foi demonstrado naquele artigo, há muita gente competente no setor de mídia online, trabalhando duro para encontrar soluções para os embaraçosos problemas que afetam a lucratividade das empresas do ramo. Ou seja, desde que o capital de risco secou e os lucros advindos da publicidade online despencaram, como é que as empresas de mídia na Internet (bem como as divisões no ciberespaço das tradicionais empresas de mídia) vão sobreviver e se tornar lucrativas?

Neste momento em que mais se precisa do pensamento criativo, eu me pergunto se as empresas do setor estão tomando o rumo correto. Precisamos de mais criatividade e inovação, mas estamos vendo esses dois fatores escassear progressivamente, conforme as empresas se retraem e os orçamentos são cortados.

As oportunidades para estimular a criatividade estão sendo desperdiçadas. Por exemplo, na semana passada a nova conferência da Connections, sob os auspícios da Newspaper Association of America, que teve como tema principal as estratégias de lucro interativas, contou com uma mirrada audiência de cerca de 200 participantes. O evento era uma sombra daquilo que foi no passado. Conferências como a da Connections são a base para que aqueles funcionários que desempenham um papel chave na nova indústria aprendam uns com os outros, além de compartilharem inspiração. Porém, a participação em conferências está entre os primeiros itens a serem cortados dos orçamentos em tempos difíceis. Mas, a meu ver, essa é uma medida equivocada.

Tradicionalmente, os períodos de recessão (ou qualquer outra denominação que se queira dar ao atual desaquecimento econômico) são freqüentemente aqueles em que as empresas ativam a criatividade. Roger von Oech, um consultor empresarial de criatividade e palestrante conhecido, além de autor de livros clássicos sobre criatividade, como "A Whack on the Side of the Head" e "A Kick in the Seat of the Pants", afirma que está no ramo da criatividade empresarial desde a década de setenta, e que os períodos de recessão são aqueles durante os quais ele vê o número de clientes se multiplicar. A reação de várias empresas à crise é mandar gerentes e empregados "pensarem de maneira diferente", como forma de se adaptarem à mudança econômica.

Pergunte aos gurus
Eu pedi a Oech e a vários outros gurus da criatividade individual que dessem à indústria de mídia online alguns conselhos sobre como pensar em soluções para o dilema do modelo de lucros. O senso comum sugere que podem ser encontrados modelos de negócios para a mídia online - nós simplesmente ainda não os descobrimos. Talvez as respostas possam ser descobertas ao se observar indivíduos brilhantes que não trabalham no setor de mídia.

O organizador de seminários de criatividade, Lenny Dave, que trabalha regularmente com clientes de corporações, afirma que um número muito grande de organizações não estimula a criatividade entre o seu corpo de funcionários. E um período de crise econômica é exatamente o momento em que uma empresa precisa de recorrer ao pensamento criativo de todos os seus funcionários.

Dave afirma que todos têm a capacidade de ser criativos, embora em uma empresa típica somente uma pequena minoria de funcionários que possuem confiança nas suas habilidades criativas expresse as suas idéias publicamente. O restante tende a permanecer em silêncio, porque:
- Eles desenvolveram as sementes de uma boa idéia, mas ficaram frustrados ao tentar conferir a ela mais substância, e, então, desistiram.
- Ficaram com receio de que a idéia fosse criticada quando apresentada em uma reunião de avaliação, de forma que se sentissem embaraçados.
- Eles auto-censuram as suas idéias, já que não têm confiança de que ela possam resistir ao escrutínio alheio.

O que se faz necessário, especialmente agora, é que os diretores empresariais criem uma atmosfera que encoraje os indivíduos a apresentar idéias criativas. O ambiente de trabalho deve ser tal, que, se um gerente ou um funcionário apresentar uma idéia que seja 80% positiva, mas que ainda seja 20% problemática, a reação seja: Muito bom! Eis uma idéia que promete. Vamos deixar que o restante da empresa procure achar uma solução para os 20% que não têm solidez. Segundo Dave, a natureza humana parece ditar que os indivíduos tendem a eliminar as idéias que tem uma relação entre positivo e negativo de 80/20, concentrando-se nos 20% da solução que apresentam problemas. Essa abordagem do tipo "deixe-me fazer o papel do advogado do diabo" asfixia a expressão de criatividade, exceto entre aqueles que tem uma auto-confiança excepcional nas suas habilidades criativas e que sabem também como lidar com as críticas.

Observe a grandeza do passado
Michael Mechalko, um guru da criatividade e autor dos livros, "Thinkertoys" e "Cracking Creativity", este último uma análise de como trabalhavam os gênios criativos da história, sugere que as empresas deveriam conceder aos seus inovadores uma espécie de "quotas de idéias". O grande inventor, Thomas Edison, para dar um exemplo, elaborou para si uma agenda para criar uma pequena invenção a cada 10 dias, e uma grande invenção a cada seis meses.

De fato, vários dos mais criativos indivíduos do passado foram grandes produtores. Edison teve um número recorde de patentes em seu nome; Van Gogh pintava 800 quadros em um período de dez dias; Einstein publicava centenas de trabalhos.

A idéia, segundo Michalko, é que a imaginação humana trabalha como uma torneira. Quando você abre o registro pela primeira vez, ela engasga um pouco e a água pode sair turva. Mas, com o passar do tempo, a água se torna límpida e flui com rapidez. O mesmo ocorre com as idéias criativas. Quando mais elas forem liberadas, com mais rapidez e facilidade fluirão. Imagine, então, conceder aqueles indivíduos que têm a tarefa de resolver problemas que requerem soluções criativas uma quota para apresentarem novas idéias. (Elas não têm que ser perfeitas).

Um problema que aflige muitos de nós é que fomos educados para descobrir a resposta definitiva para qualquer dilema que nos seja apresentado. Porém, pensadores realmente criativos examinam e avaliam várias idéias - e depois pensam na melhor solução, segundo Michalko. Eles não pensam em uma solução e param. Portanto, deve-se encorajar funcionários e gerentes a apresentarem várias idéias, e não só aquelas que eles se esforçam para tornar aplicáveis.

Dê uma olhada para fora de si
Especialmente em períodos de dificuldade econômica, faz sentido chamar consultores externos de criatividade para dinamizar a sua equipe e encorajar o fluxo de idéias. Von Oech foi um dos pais da criatividade empresarial moderna, quando começou a escrever, a fazer consultoria e a dar palestras, na década de setenta. Mas hoje há centenas de indivíduos que se apresentam como facilitadores e gurus da criatividade.

Joyce Wycoff, que criou a Innovation Network, uma equipe de especialistas em criatividade e inovação para oferecer serviços de consultoria e auxiliar os especialistas em inovações dentro das corporações, afirma que os consultores muitas vezes podem ajudar a fornecer um ímpeto para a mudança da abordagem de uma organização, no que diz respeito a criatividade e inovação. Mas para realmente transformar uma organização não-criativa em uma criativa, deve-se examinar a prática de contratação de funcionários adotada.

"A diversidade é um fator crítico para a criatividade", diz ela. Portanto, comece a contratar tipos diferentes de pessoas para ativar um processo de criatividade. Empresas de mídia, que têm que enfrentar problemas difíceis, tais como descobrir formas de tornar lucrativa a publicidade na Internet, devem considerar a possibilidade de romper com a prática tradicional quando fizerem novas contratações. Pense em contratar alguns especialistas em inovação, que vêm de universos exteriores ao setor de mídia.

Um método correlato, e mais barato, é fazer com que as pessoas de diferentes departamentos troquem temporariamente de função, sugere Michalko. Os chefes de departamento provavelmente podem aprender muito ao contar com os pontos de vista e com as idéias de gente de outros setores, trazida por um período breve.

Wycoff afirma que a nova indústria da mídia provavelmente sofre, em parte, de imaturidade. Empresas maduras como a Pillsbury, por exemplo, estabeleceram procedimentos e programas a serem adotados quando a criatividade se fizer necessária. Quando a companhia quer apresentar novos produtos, a sua equipe faz coisas como observar as pessoas comendo e fazendo o café da manhã, a fim de buscar idéias para tornar as suas vidas mais fáceis. A maior parte das empresas de mídia não tem uma existência longa o suficiente para ter desenvolvido tais processos.

Agora que a mídia interativa está se tornando uma indústria mais madura - e os negócios não são mais tão divertidos como costumavam ser, e os profissionais têm que encarar com mais seriedade a tarefa de identificar e satisfazer as necessidades dos clientes - o foco de atenção deve se centrar mais na aquisição de conhecimentos sobre aquilo que os clientes querem e precisam, e na aplicação da criatividade sobre essas descobertas.

Conexões malucas
Uma técnica simples para os especialistas em criatividade é encarar os problemas olhando para fatos que não tenham relação aparente entre si e tentar encontrar conexões. Os grandes pensadores, desde a época de Leonardo da Vinci, utilizaram esse método, segundo Michalko. A idéia é pegar o problema que aflige a sua indústria e, a seguir, selecionar palavras aleatórias, fotos e outras coisas, e pensar em como essa miscelânea pode ser conectada. A chave para se fazer esse exercício clássico é selecionar coisas aleatoriamente, por exemplo, as fotos de uma revista.

Nos seus seminários, Dave muitas vezes faz com que os participantes pensem sobre alguns aspectos de suas empresas, e a seguir tentem compara-los com um animal, uma tábua de jogos, etc... Objetivo é estimular o pensamento criativo sobre a sua empresa, fazer com que o cérebro trabalhe de uma maneira diferente. Aparecem conexões que normalmente não ocorreriam quando se pensa sobre a companhia, e novas soluções podem emergir.

Uma variação dessa técnica é pensar em uma empresa de outro setor e justapô-la à sua. Quais são as relações entre publicação online e a poda de árvores? Ou as estações de esqui? Ou a indústria farmacêutica? A idéia pode parecer sem sentido, mas ela faz com que apareçam idéias para as quais nós podemos estar cegos, devido à visão de túnel com relação ao nosso ramo de negócios.

E a mídia online seria uma indústria criativa? Vários de nós que entramos para o setor , o fizemos devido à oportunidade de criar algo novo. Muita criatividade foi utilizada para que a indústria de mídia online chegasse ao seu estágio atual de desenvolvimento.

Mas o verão do Hemisfério Norte de 2001 representa uma época em que a mídia online necessita de uma grande dose de criatividade, caso queira ficar à altura do seu potencial. Devemos todos abrir bem as torneiras.

Tradução: Danilo Fonseca






 

 28/11/2002

Convergência entre mídias diferentes é alternativa para o jornalismo

 22/11/2002

Conselhos para a salvação dos cadernos de empregos dos jornais

 01/11/2002

Os sites de notícias precisam de dieta

 01/10/2002

Google News pode mudar o setor de notícias online

 12/09/2002

Não esconda seu conteúdo multimídia

 03/09/2002

Veja as notícias do futuro no Starbucks

 15/08/2002

Examinando o futuro do conteúdo pago

 01/08/2002

Filtros de spam bloqueiam mensagens legítimas de e-mail

 18/07/2002

A Knight Ridder Digital cede parte do controle

 26/06/2002

Embarquem no vagão dos blogs antes que seja tarde

 13/06/2002

Especialistas oferecem dicas de usabilidade
Sites de notícias têm muito o que aprender


 29/05/2002

Bibliotecas ameaçam arquivos pagos de notícias online

 15/05/2002

Sistemas de editoração de conteúdo sufocam design de notícias

 29/04/2002

Você se esqueceu das mensagens instantâneas?

 12/04/2002

Sites jornalísticos repetem os erros do passado

 15/03/2002

Jornal de Washington investe em noticiário interativo

 28/01/2002

O efeito das tendências de publicidade na TV sobre a Web

 11/01/2002

Use a Web para complementar sua edição impressa

 20/12/2001

Empresas devem ajudar os sites de notícias
E fazer os consumidores pagarem por esse tipo de produto


 03/12/2001

Jornais falham em promover seus sites

 15/11/2001

Usando a "Web Invisível" para pesquisas

 02/11/2001

Sites das Ligas Esportivas competem com a mídia

 15/10/2001

Como a Web pode homenagear indivíduos, quando milhares morrem

 04/10/2001

Os sites de jornais estariam condenados?
Executivo do setor diz que eles estão sobrevivendo à crise


 25/09/2001

Sites de notícias devem tirar lições do ataque
Eles foram excelentes sob certos aspectos, mas falharam sob outros


 04/09/2001

Impedindo alterações não-autorizadas em sites
Uma avaliação do Gator e outros aplicativos


 23/08/2001

Dispositivos contra spam bloqueiam e-mails legítimos: Sua mensagem pode não estar chegando ao destinatário

 27/07/2001

Empresários da indústria online devem abrir as torneiras da criatividade

 03/07/2001

O público não está abandonando a rede

 18/06/2001

Jornais e sindicatos vão comercializar informativos eletrônicos