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Steve Outing > Parem as máquinas

23/08/2001 12h23

Dispositivos contra spam bloqueiam e-mails legítimos: Sua mensagem pode não estar chegando ao destinatário


Ao editar um jornal online ou enviar um e-mail você pode enfrentar certos problemas: 1) A sua publicação pode não estar chegando até todos os seus assinantes. 2) Nem todos os seus assinantes que recebem a sua publicação chegam a ter acesso ao seu conteúdo.

Os problemas para os editores legítimos e éticos de mensagens eletrônicas podem se avolumar conforme os provedores de acesso e serviços de e-mail gratuito aumentam os seus esforços para lutar contra o junk e-mail (também conhecido como spam). E, exatamente no momento que os editores de publicações eletrônicas mais se sofisticam e desejam fornecer produtos mais ricos em conteúdo, aumentam as muralhas capazes de bloquear os seus produtos.

Quando um editor envia um jornal online ou uma mensagem eletrônica, é muito raro que 100% daqueles que subscreveram a publicação realmente a recebam. Não se trata de nenhuma novidade. Alguns endereços eletrônicos se tornam inúteis porque as pessoas deixam de utilizá-lo. Alguns deixam temporariamente de receber mensagens porque o servidor do usuário está fora do ar ou a caixa de correspondências eletrônicas está cheia, não podendo receber mais nada. Isso sempre ocorreu, e provavelmente sempre ocorrerá.

A novidade é que as publicações online solicitadas pelos usuários -aquelas que elas optam por receber- têm que passar por mais obstáculos até chegarem aos destinatários. Agradeça aos spammers -aqueles indivíduos que enviam maciçamente mensagens não
solicitadas e indesejadas- por terem tornado mais difícil que as publicações solicitadas cheguem ao seu destino.

Tendência perigosa
Talvez o maior perigo para os editores de publicações eletrônicas seja o sistema de filtragem que vem sido inserido nos maiores serviços de e-mail, tais como o Hotmail e o Yahoo! Mail, bem como no maior provedor de acesso à Internet do mundo, o America Online. Tais serviços têm proporcionado nos últimos anos os controles de filtragem de e-mail, que teoricamente impedem que os spam atinjam os seus usuários.

O Hotmail, por exemplo, um dos mais populares sistemas gratuitos de e-mail (atualmente de propriedade da Microsoft), possui um filtro de junk mail disponível para todos os usuários. O filtro está desligado quando o usuário subscreve uma nova conta Hotmail, mas pode ser facilmente acionado em três diferentes níveis - baixo, alto e exclusivo. As empresas de e-mail não gostam de falar sobre como funcionam esses filtros, já que, revelar as técnicas utilizadas na identificação e bloqueio de junk mail apenas ajudaria os spammers a descobrirem formas de contornar os filtros. Mas nos níveis mais altos de filtragem as únicas mensagens que chegam à caixa eletrônica privada do usuário são aquelas de pessoas conhecidas e autorizadas. E-mails de remetentes desconhecidos ou não aprovados vão automaticamente para a caixa de junk mail do sistema (onde eles ainda podem ser vistos, mas muitas vezes são apenas ignorados).

Uma publicação eletrônica que um usuário do Hotmail tenha assinado não deveria ir para a caixa de junk mail. Porém é isso o que vem ocorrendo cada vez mais quando os usuários ativam o filtro. Por exemplo, se um usuário do Hotmail faz uma assinatura para começar a
receber uma publicação eletrônica publicada por um novo site (digamos que ele se registre na página de assinatura desse site), quando a publicação começar a ser enviada, ela será colocada na pasta de junk mail pelo filtro, já que esse dispositivo não reconhece ainda o endereço de onde se origina essa publicação.

A pergunta a ser feita pelo editor é: Será que esse assinante alguma vez dá uma espiada na sua pasta de junk mail e vê a minha publicação? (E, ainda pior, o que aconteceria se o usuário não pudesse ver a mensagem de confirmação que todos os novos assinantes
recebem para confirmar o seu pedido? Para muitas publicações solicitadas, é necessário que haja uma resposta do assinante para que realmente seja iniciado o processo de envio de e-mails).

Ler ou não ler? Nós não sabemos
Daniel Silver, um executivo da Lyris Technologies, uma empresa especializada em listas de e-mail, afirma que essa tendência rumo à filtragem de spam pelos serviços de e-mail está se tornando um problema sério para os editores éticos. A questão é que não há meios de de se saber quantas publicações solicitadas pelos assinantes com contas Hotmail, Yahoo! Mail e AOL estão sendo despejadas nos arquivos de junk mail. E, entre aquelas que vão parar nesses arquivos, também não se sabe quantas são vistas pelos destinatários que se importam em dar uma espiada na coletânea de junk mail.

Como os editores de e-mail lidam com essa questão? Não há uma resposta fácil. Silver afirma que, embora esteja longe de ser a alternativa ideal, uma solução é enviar mensagens individuais para os usuários desses serviços que assinam a sua publicação, explicando a eles que a publicação solicitada pode estar indo para os arquivos de junk mail. Alerte-os e diga como identificar as publicações, de forma que, no futuro, elas sejam enviadas para as caixas de mensagens. (Pode-se enviar mensagens separadas para os usuários do Hotmail, do Yahoo! Mail, etc, com instruções específicas, relativas a cada servidor).

É claro que, se os usuários tiverem selecionado os filtros mais draconianos, até mesmo essas providências podem não ser capazes de impedir que as suas publicações sejam direcionadas para as caixas de junk mail, e que nunca sejam vistas.

Bloqueio de mensagens sofisticadas
Uma outra preocupação para os editores de e-mail é a possibilidade de que a mídia mais rica e sofisticada seja filtrada. Conforme os editores eletrônicos se tornam mais sofisticados, e mais usuários da Internet utilizam conexões de banda larga, aumenta a tentação dos editores em enviar uma mídia mais rica e complicada, ao invés de apenas simples textos. O envio de e-mails HTML -isso é, o envio de páginas da Web para assinantes registrados- tem sido uma escolha popular entre os editores de publicações eletrônicas. Mas as páginas HTML têm se tornado mais complexas.

Ron Currier, chefe de tecnologia do Publish Mail, um provedor de serviços de e-mail que se especializou em mensagens HTML e em trabalhos com a indústria de notícias, afirma que muitas vezes presencia problemas com as mensagens em HTML que incluem os componentes Javascript -que é muito comum atualmente nos sites. As mensagens que incluem Javascript algumas vezes são rejeitadas por vários filtros nos servidores corporativos e provedores de acesso da Internet, já que os filtros capturam qualquer conteúdo que chegue com scripts executáveis, porque eles podem conter vírus. (A solução para o problema é simples: Retire o código Javascript de todo conteúdo HTML que enviar)

Christopher Knight, presidente da companhia de serviços de e-mail Sparklist, avisa aos seus clientes que os anexos de arquivo Visual Basic e Javascript não propiciam bons formatos de mídia sofisticada. Mas, segundo ele, em geral, outros problemas com a remessa de e-mails sofisticados podem ser resolvidos.

Enquanto os editores no futuro ficarem tentados a incluir mais conteúdo de mídia rico e sofisticado, a questão a ser formulada é a seguinte: Será que os usuários serão capazes de receber a minha publicação? Uma forte tendência atual na Web é a utilização de grandes propagandas interativas. Os editores de e-mail vão querer enviar essa espécie de propaganda para os seus assinantes, mas os vários tipos de filtros anti-spam e anti-vírus implementados pelos serviços de e-mais, provedoress e servidores de corporações podem rejeitar as mensagens com os anúncios de mídia rica caso a tecnologia utilizada venha a ser detectada como se constituindo em uma ameaça.

A chave para a utilização bem-sucedida dos e-mails de mídia sofisticada é primeiro realizar testes. Envie as suas mensagens para contas de vários serviços de e-mail e para os provedoress principais e veja se elas passam pelo processo de filtragem.

Filtros equivocados
Uma outra preocupação é a possibilidade de que o filtro capture e-mails com palavras-chave que tenham uma conotação aparentemente negativa. Alguns sistemas vão examinar as mensagens e rejeitar palavras e frases grosseiras. Essa forma de filtragem é menos sofisticada e pode resultar em muitas rejeições falso-positivas. Currier citou uma mensagem recente, enviada por um dos clientes, em uma publicação da PublishMail, que continha as palavras sex e teen no artigo, mas em contextos diferentes. Um sistema de filtragem do provedor bloqueou a mensagem, já que tinha sido programado para buscar e bloquear o conjunto teen sex (sexo com adolescentes).

Currier afirma que são os servidores de e-mail com características empresariais mais acentuadas os que parecem fazer buscas por palavras-chave. Os provedores que assim procedem são uma minoria. Os servidores corporativos, em particular, podem ter aparatos de filtragem anti-spam que estão longe da eficiência completa. Por exemplo, um administrador elabora um filtro para rejeitar mensagens com a palavra seio, o que acaba bloqueando toda publicação sobre câncer do mama.

Felizmente, quando uma publicação eletrônica é rejeitada por um provedor ou por um servidor, o editor geralmente vai receber uma "mensagem reflexa" que vai fornecer pistas sobre a razão de o e-mail ter sido bloqueado. É importante que os editores monitorem essas mensagens após enviar as suas publicações, e entrem em contato com as organizações responsáveis pelos filtros quando haja problemas.

Envie em pequenos lotes
Uma das piores coisas que podem ser feitas por um editor de e-mails é enviar as mensagens em grandes lotes, o que, em alguns serviços de provedores e de e-mail, pode disparar alarmes contra spam, e bloquear automaticamente as suas mensagens. Os editores que utilizam técnicas menos sofisticadas, tais como enviar uma mensagem com centenas de endereços estão buscando problemas. Tais mensagens têm uma probabilidade alta de serem bloqueados pelos filtros de spam.

Qualquer pessoa que encare com seriedade a atividade de publicação eletrônica tem que, pelo menos, utilizar um software de lista que envie mensagens individuais para cada assinante. Mas, ainda assim, os filtros de spam de provedores algumas vezes serão acionados, já que pode ser detectado que muitas mensagens estão sendo enviadas pelo mesmo enderço. A solução, utilizada há muito tempo por vários departamentos de serviços de e-mail é enviar grandes remessas em pequenos pedaços, de forma que os alarmes não sejam acionados.

(Algumas vezes, provedores como o AOL não chegarão nem mesmo a enviar mensagens de retorno para os editores quando uma grande quantidade de mensagens for bloqueada, e, portanto, você não ficará sabendo que a sua publicação nunca chegou até os usuários do AOL, segundo Currier)

A utilização de serviços de hospedagem não é barata, mas eles tipicamente fornecem a maior garantia de que as suas publicações chegarão aos seus assinantes. Richard Hurwitz, vice-presidente do provedor MessageMedia, afirma que o seu negócio se concentra na otimização das mensagens dos seus clientes (todos utilizam listas de assinaturas) a fim de que possam passar pelas barreiras de filtros de spam que podem interceptar as mensagens legítimas. As suas técnicas incluem as remessas por partes, a monitoração minuciosa das mensagens reflexas e o contato com a empresa responsável pelos filtros, quando os bloqueios são detectados.

Hurwitz afirma que geralmente não há a intenção por parte dos provedoress e serviços de e-mail em bloquear as publicações legítimas. Apesar disso, o fato ocorre com frequência.

Potencialmente um grande problema
Qual é o tamanho da problema? Ninguém sabe quantas publicações por assinatura terminam nos arquivos de junk mail e nunca são lidos. Mas considere que uma típica taxa de leitura por parte dos assinantes fica entre 25% e 35%, segundo a Sparklist's Knight. A partir desse dado, dá para sentir que o fato é preocupante.

O consultor de publicações eletrônicas, Vin Crosbie (que também é um dos fundadores do PublishMail) afirma que para cada um dos seus clientes, a remessa padrão de uma publicação vai ter uma rejeição de 1% motivada pelos filtros de spam (e outro 1% por outros motivos). O PublishMail retira de suas listas os endereços cujas mensagens retornam e tenta resolver os problemas detectados.

O problema é que a quantidade de mensagens desejadas pelo usuário que é capturada pela rede de filtros de vírus e spam deve continuar a subir. À medida que os provedores e serviços de e-mail lutam cada vez mais para conter o fenômeno do spam, uma quantidade maior de editores legítimos vai enfrentar problemas.

E o fato realmente perturbador é que as pessoas que tentam impedir o spam procuram manter em segredo os detalhes relativos à tecnologia e aos procedimentos utilizados. Portanto, quando um editor legítimo de publicações eletrônicas, que se pauta pelas técnicas eticamente aceitas de assinatura, se vê bloqueado por um filtro, é muito difícil que se consiga ajuda para resolver o problema. Conforme muita gente que eu entrevistei para este artigo me disse, os serviços de e-mail querem fazer com que seja cada vez mais difícil burlar os seus sistemas de filtros de spam. Portanto, eles dificultam a tarefa de contornar o bloqueio de mensagens.

Infelizmente, na luta contra o spam, os editores eletrônicos que se pautam pela ética muitas vezes acabam pagando o preço pelos pecados dos outros.




 

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