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Steve Outing > Parem as máquinas

25/09/2001 11h25

Sites de notícias devem tirar lições do ataque
Eles foram excelentes sob certos aspectos, mas falharam sob outros


Os ataques terroristas aos Estados Unidos foram, e continuam sendo, um desafio monumental para a mídia. Para o mais novo veículo de notícias, a Internet, os ataques em si e a "declaração de guerra" contra o terrorismo são as maiores notícias a agitar a sua recente história. (O ataque à bomba contra Oklahoma City é comparativamente modesto)

Como é que as empresas de notícia online estão aparelhadas para lidar com tais eventos épicos? Vamos analisar essa questão cuidadosamente.

O problema da largura de banda

O primeiro fator a ser considerado é a natureza da tecnologia da Internet. Na manhã de 11 de setembro, após o primeiro jato ter se chocado contra o World Trade Center, a mídia da Internet também sofreu um choque direto. Milhões de pessoas tentaram conseguir informações dos maiores sites de notícias dos Estados Unidos, mas não conseguiram acessá-los porque os servidores dessas páginas foram incapazes de lidar com o volume do tráfego. Naquele que deveria ter sido o maior dia da história da mídia na Internet, a infraestrutura falhou, e a audiência online foi obrigada a retornar à mídia tradicional -em sua maioria as redes televisivas.

Um relatório divulgado na semana passada pelo projeto Pew Research Center's Internet & American Life concluiu que durante a semana dos ataques terroristas, o papel desempenhado pela Internet foi o de um meio de informação suplementar. (Entre os norte-americanos, 81% se informaram sobre os ataques pela TV; 11% pelo rádio e, apenas 3% por meio dos recursos da Internet). Os números referentes aos recursos online poderiam ter sido maiores, caso as páginas noticiosas de maior expressão tivessem se ajustado à demanda inicial.

Alguns analistas sugerem que isso demonstra a incapacidade da Internet para servir como um meio de comunicação de massas. Quando um assunto adquire uma proporção muito grande, a capacidade de transmissão, ou largura de banda fica reduzida. Sob esse ponto de vista, a Internet é mais semelhante aos jornais do que à televisão. Os jornais possuem um espaço finito para impressão, tendo que imprimir mais caso a demanda ultrapasse a capacidade da tiragem normal. Já a televisão transmite um sinal e milhões de telespectadores extras podem acompanhar a cobertura de uma grande história.

Isso realmente não se constitui em um problema de infraestrutura de rede. Durante o tráfego colossal da semana do atentado, os canais principais da Internet deram conta do recado. Foram os sites individuais da web que não conseguiram acompanhar a demanda. A MSNBC.com. por exemplo, acusou na terça-feira pelo menos 400 mil tentativas simultâneas de acesso à página. Segundo a CNN.com, o seu site recebeu 162 milhões de visitas no dia do ataque, sendo que a média diária é de 14 milhões de visitas.

A minha esperança é que, da próxima vez em que houver uma grande notícia (e uma resposta aos eventos daquela terça-feira deve acontecer em breve), os sites nacionais estejam melhor preparados tecnicamente. (Mesmo os sites locais de notícias precisam estar preparados para uma tragédia. Até mesmo esses sites registraram na terça-feira 11 um tráfego cinco ou dez vezes mais intenso do que o normal). Na semana passada, a maior parte desses sites jornalísticos de grandes dimensões se adaptaram à nova conjuntura, incorporando mais servidores e largura de banda, além de terem enxugado as suas páginas. Da próxima vez, tais providências têm que ser tomadas imediatamente de forma que os sites online não percam tráfego para a televisão. A Web pode ser um grande meio de divulgação de notícias inéditas -ela é especialmente útil para atingir aquelas pessoas que estão no trabalho, e que podem não ter um aparelho de televisão disponível-, mas a mídia na Web necessita estar melhor preparada.

Mau momento para o desastre

O fato de a maior manchete da história da Internet ter acontecido agora é um infortúnio (como, claro, é toda a tragédia causada pelos terroristas). Com a maior parte da indústria da mídia atravessando um péssimo período em termos de publicidade (e a mídia online estando em um mau momento, com equipes reduzidas), o impacto econômico dos ataques pode representar um choque drástico para essas empresas.

Aquilo que vimos na semana passada foi o conjunto de redes de televisão cortando propagandas comerciais por vários dias, perdendo coletivamente centenas de milhões de dólares. Os jornais lançaram caras edições especiais e experimentaram uma queda no volume de publicidade no pico da crise. Os web sites jornalísticos arcaram com os custos da explosão do tráfego, o que fez com que o custo da largura de banda disparasse. E eles eliminaram as propagandas por um determinado tempo. No curto prazo, nenhuma empresa do setor de mídia se saiu financeiramente bem. (Pode-se argumentar que a explosão de tráfego da Internet na semana passada vá resultar em um nível de tráfego bem maior do que era antes do dia 11 de setembro -e que isso teria o potencial para aumentar os lucros advindos da publicidade).

O que preocupa é o fato de que, para as companhias noticiosas, as despesas com a cobertura dos eventos da semana passada na Web (e dos eventos subseqüentes nos próximos meses) vai criar pressões que poderiam enfraquecer ou mesmo liquidar com os web sites jornalísticos. Isso já era um problema devido à crise atravessada pela economia e à falta de um modelo adequado de negócios. No exato momento em que as notícias online têm a sua maior audiência de todos os tempos, as empresas de notícias descobrem que não possuem a capacidade para lidar com um volume maior de informação.

E o que devem fazer os executivos dessas empresas? Basta examinar a utilização das notícias divulgadas pela Internet na semana passada para se concluir que o fato reforça a importância da mídia online. É especialmente importante neste momento que as empresas de jornalismo não abandonem os seus compromissos para com a Internet. Conforme observou o relatório Pew, pouca gente confiou nos jornais para obter informações imediatas, enquanto os eventos se desenrolavam em Nova York e em Washington D.C. Os web sites representaram a forma competitiva encontrada pelos jornais para lidar com uma manchete que acontecia de forma muito rápida para esperar pelos rolos de impressão.

Apesar das despesas, os editores de jornais têm que continuar a fornecer cobertura noticiosa online de qualidade. Agora, e especialmente agora, não é a hora para se reduzir ainda mais os quadros de funcionários da indústria online. Na verdade, há razões até para que se contrate mais pessoal. E os jornais devem continuar a trabalhar na busca de um modelo de negócios funcional para sustentar as suas operações na Internet.

Os custos de operação dos novos sites online que vão lidar com grandes manchetes, como a da semana passada, são o fator que vai ditar os modelos adotados pelas empresas. Os fatos de 11 de setembro apontaram para a necessidade de que as companhias de notícias integrem de forma mais eficiente a nova mídia com a mídia tradicional. Pode até ser que a maioria das empresas de mídia mista não consiga mais arcar com os custos de manter uma divisão online independente. Uma divisão online com a capacidade de cobrir de forma adequada uma história como a da semana passada é uma necessidade. Isso exige apoio e integração com as grandes empresas de notícias.

A impressão deixada pela cobertura dos atentados

Eu passei um bom tempo analisando a cobertura online dos ataques terroristas e dos fatos que a eles se seguiram. Francamente, o que eu vi pode ser descrito, em grande parte, como uma abordagem do tipo "linha de frente" com relação à manchete. Os sites dos jornais, em particular, se tornaram fundamentalmente um foco de veiculação imediata exigido para que esses jornais atingissem o público com notícias inéditas, ao mesmo tempo que a televisão.

O que eu não consegui ver foi um tipo de cobertura que fosse exclusivo da mídia online. Havia boletins e longos artigos textuais. Vi galerias de fotos e vídeo clips. Havia os infográficos (alguns utilizando animação, o que ajudava a passar a informação de forma mais concisa). Tudo isso foi muito bom, e deve fazer parte de qualquer cobertura de uma campanha de terror. Mas onde eu acho que a mídia online fracassou foi em criar conteúdos e serviços que tirassem vantagem daquilo que só está ao alcance da Internet.

Nos próximos meses, conforme a história se desenrole, haverá muitas oportunidades para que os novos sites aprimorem a sua cobertura, tornado-a mais adequada ao meio. Por exemplo:

Enfatizar a discussão pública. Conforme demonstraram os altos índices de utilização dos fóruns de discussão nos sites noticiosos (a ABCNews.com, por exemplo, teve milhões de mensagens transmitidas para os seus fóruns na semana passada), as pessoas querem e precisam falar sobre os eventos da semana passada. Os sites noticiosos podem suprir essa necessidade, oferecendo fóruns online que enfatizem o discurso inteligente. Isso significa a monitoração daquilo que é dito, e a remoção de mensagens e imagens de teor sarcástico, racista e de ódio.

Esses sites poderiam também convidar o público para participar de salas de discussão ao vivo e de mesas redondas online. Eles poderiam convidar especialistas -em terrorismo, fundamentalismo islâmico, segurança aérea, em como lidar com o pesar, em como explicar às crianças o que é o terrorismo, etc...- para liderarem esses eventos online, onde os convidados responderiam às perguntas feitas pelo público.

Criação de recursos online úteis. A Web tem muito talento para fazer com que as questões complexas se tornem mais facilmente entendidas pelo público. É mais fácil acessar um banco de dados online em busca de um vôo atrasado do que ligar para um balcão super ocupado de uma companhia aérea. É também mais fácil contribuir com doações financeira através de uma página da Web do que preencher um cheque e enviá-lo pelo correio. Os sites de notícias podem examinar as necessidades dos usuários -familiares e amigos das vítimas, equipes de resgate, passageiros de linhas aéreas, etc...- e criar serviços que os beneficiem. Por exemplo, um site poderia trabalhar conjuntamente com um banco de sangue a fim de montar um sistema de reservas online, de forma que as pessoas não tivessem que esperar em uma fila para doarem sangue.

Lembrar as vítimas. A profundidade que é possível de se atingir na Web cria oportunidades para que se homenageie as vidas que se perderam nos ataques. As vítimas do World Trade Center, do Pentágono e dos quatro aviões seqüestrados eram nativas não só dos Estados Unidos mas de todo o mundo. Os sites de notícia poderiam criar memoriais para as vítimas oriundas de regiões específicas, publicando informações biográficas, fotos e deixando que a família e os amigos escrevessem relatos e expressassem sua saudade com relação às vítimas. Esse tipo de atividade não pode ser feito na mídia tradicional. É nisso que a Internet supera os outros.

Telefones celulares. Não tem se falado muito sobre o novo papel desempenhado pelos celulares durante os atentados, mas esse papel é potencialmente significativo. Na semana passada, ouvimos relatos de pessoas que estavam em aviões e aeroportos no momento dos ataques ao World Trade Center. Aqueles nos aeroportos norte-americanos perderam contato com a sua maior fonte de notícias de última hora, quando a Rede CNN para Aeroportos foi desligada, já que as linhas aéreas e os aeroportos não apreciam a idéia de que os seus usuários vejam imagens de jatos comerciais sendo jogados contra prédios.

Alguns passageiros que levavam celulares equipados com PDAs foram capazes de ter acesso a notícias de última hora, e de divulgá-las aos outros passageiros. Eu ouvi falar de passageiros que já estavam dentro de aviões que taxiavam e que estavam fazendo o mesmo.

As organizações de notícias deveriam dar mais atenção ao fornecimento de notícias de última hora aos equipamentos celulares. Eles vão se proliferar nos próximos anos e fornecem um meio para se atingir uma audiência que antes era inalcançável.

Tradução: Danilo Fonseca






 

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