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Steve Outing > Parem as máquinas

04/10/2001 20h00

Os sites de jornais estariam condenados?
Executivo do setor diz que eles estão sobrevivendo à crise


Agora que mergulhamos na crise que atinge o setor pontocom e que nos aproximamos de uma recessão que atingiu duramente todas as empresas de notícia, qual é a situação do setor de jornais online?

Comparados às novas empresas do setor pontocom, os jornais sempre adotaram uma abordagem conservadora na hora de investir na Internet. Com umas poucas exceções, a maior parte dos editores de jornais entrou vagarosamente no ciberespaço, criando pequenas equipes e utilizando orçamentos limitados, voltados para a nova mídia. Embora jornais como o "The Washington Post" sejam capazes de formar equipes de mais de 100 funcionários para atuar na nova mídia, a regra no setor é que essas equipes não sejam maiores do que 10 ou 20 indivíduos, se tanto.

Os editores jornalísticos têm sido castigados pela sua frugalidade, mas os sites de jornais permanecem firmes e fortes, enquanto que os competidores das pontocom afundaram ou estão se agarrando a bóias salva-vidas.

Na verdade, todos foram atingidos pela nova economia que se seguiu aos ataques terroristas. Mas até que ponto os jornais online foram afetados? E será que eles têm fôlego suficiente para enfrentar o restante da crise, para um dia voltarem a crescer e criar um lucrativo segmento industrial?

Nesta coluna, eu tento responder a essas questões -pesquisando uma série de operações dos jornais que atuam na nova mídia, enfocando tópicos como tamanho das equipes e saúde média do setor. Eu procurei descobrir como ficaram essas empresas após a depressão do ano passado que se abateu sobre o setor pontocom. E ainda tento determinar se elas estão preparadas para o aumento da demanda pela cobertura das notícias, após os ataques terroristas.

Poderia ser muito pior
Em geral, os sites de jornais parecem estar absorvendo a crise. Embora eu tenha me deparado com alguns casos de redução das equipes, a maioria dos sites não diminuiu de tamanho, ou sofreu reduções mínimas, nos últimos doze meses. Essas equipes estão trabalhando de forma mais intensa, e quando os funcionários deixam o emprego ou se aposentam, podem não ser substituídos. Mas o compromisso da gerência para com os sites permanece firme, apesar da onda de boatos no noticiário que afirma que a mídia online morreu.

Um exemplo típico é o site do "The News & Observer" (Raleigh, Carolina do Norte), um jornal de médio porte, do grupo McClatchy. A atual equipe de jornalismo online da empresa conta com 8 funcionários de tempo integral, e mais cinco pessoas no setor de marketing e propaganda. Segundo o gerente, John J. Jordan III, a equipe conta com um funcionário a menos do que no ano passado. Quando a equipe foi desfalcada de um funcionário, no ano passado, foram feitos ajustes que, segundo Jordan, mais do que compensaram pelo desfalque.

Embora um aumento do tamanho da equipe certamente fosse representar um fator positivo, Jordan afirma que este ano de dificuldades obrigou as equipes da mídia online a se tornarem mais produtivas, e de avaliar a melhor forma de utilizar os seus recursos.

O ano passado não foi um período de retração e, até o momento, McClatchy tem se comprometido a não impor cortes de orçamento sobre o programa na Internet do "News & Observer". O argumento que os gerentes dos sites têm utilizado para evitar a redução de suas equipes é o seguinte: à medida que as empresas pontocom se vêem em apuros e os concorrentes que entraram na Internet sem muita seriedade vão à falência, chega o momento de tomar a iniciativa para assegurar a primeira posição para o nosso negócio.

Jordan cita o caso do Raleigh CitySearch, que apresentou uma queda em termos de tráfego local na Web, ficando atrás do NewsObserver.com e do WRAL.com (o site popular das estações de TV). O CitySearch, que se baseia exclusivamente na Internet e que foi um sucesso nos anos do boom pelo qual passou a Internet, é vítima de boatos constantes, segundo os quais a empresa estaria atravessando dificuldades. Em determinado momento, o site local do CitySearch foi o principal rival do News Observer.com. Um outro concorrente de âmbito nacional que tinha a sede em Raleigh -o site de notícias econômicas e de negócios, dBusiness.com -também foi à bancarrota. Este é o momento de fazer melhorias nos sites para conquistar o "primeiro lugar", já que a competição não é mais tão acirrada. Não se trata, entretanto, de despejar mais dinheiro sobre o site, mas sim de adotar medidas gerenciais mais eficazes dentro do orçamento disponível.

Cortes moderados
Alguns sites de jornais sofreram moderadamente no ano passado. A equipe do ChicagoTribune.com, por exemplo, foi reduzida de 12 para oito membros. (Estamos falando apenas da equipe do site do jornal, que se concentra principalmente em manchetes locais, não incluindo os funcionários de outros sites da área de Chicago, que operam sob o controle do "The Chicago Tribune").

A equipe do ChicagoTribune.com sofreu uma redução gradativa. À medida que alguns indivíduos partiam para novos empregos ou se aposentavam, a empresa não substituía os lugares vagos. Por exemplo, a equipe encarregada do site trabalhava com processamento de vídeo multimídia, mas agora a tarefa foi transferida para um outro grupo, que trabalha no jornal impresso. Tais mudanças de atribuições, facilmente realizáveis no âmbito de grandes empresas que dispõe de muitos recursos, se encaixam na categoria de "tornar-se mais eficiente" enquanto se reduz os gastos com orçamento da mídia online.

O editor do ChicagoTribune.com, Ben Estes, repete o mantra do dia: o seu site tem que aprender como utilizar melhor os recursos remanescentes -e o mais importante, a nivelar esses recursos com os do jornalismo impresso. A principal medida tomada pelo site no ano passado, segundo Estes, foi se concentrar em melhorar a qualidade das notícias do Tribune. Agora há menos artigos escritos originalmente para a mídia online, e mais matérias feitas em harmonia com o jornal impresso. Os jornalistas impressos, que fornecem matérias para os sites, são agora mais importantes do que nunca, e um novo "vigilante de tráfego" foi contratado para ficar na sala de redação e selecionar matérias para o site, no decorrer do dia.

"O fato mais importante é que adotamos uma postura mais holística", afirma Estes. Não se pensa mais no nosso grupo como sendo uma equipe online. Os novos rumos da economia criaram uma tendência segundo a qual as operações do jornal impresso e da publicação online se desenrolam em harmonia. Sempre se achou que tal integração entre jornalismo impresso e online fosse uma boa coisa, mas a execução dessa meta não foi fácil. Agora, a crise econômica está obrigando as editorias a se agruparem.

É uma situação semelhante à do NYTimes.com, onde, segundo o editor Bernard Gwertzman, "não há mais gordura a ser cortada". O site do "The New York Times" sofreu uma redução de pessoal, como parte de uma onda de demissões promovida pela empresa em janeiro deste ano, mas os departamentos de sistemas e de administração foram mais afetados do que o setor editorial. Gwertzman supervisiona uma equipe editorial com mais de 40 pessoas. O maior desafio, segundo ele, é o fato de haver poucos substitutos para cobrir as ausências por doença e férias.

A maior integração com a editoria do jornal é o aspecto mais importante para se lidar com a nova agenda e, neste período pós-ataques terroristas, a demanda que deve incidir sobre a atual equipe do NYTimes.com será grande. Gwertzman afirma que a sala exclusiva do setor online, na redação do jornal, que é paga pelo site, foi muito importante nas últimas duas semanas, quando a equipe lutava para colocar as manchetes na Internet o mais rapidamente possível. Gwertzman não espera ser capaz de aumentar a sua equipe em um futuro próximo. Portanto, a integração entre a editoria do jornal impresso e a da equipe online será o método utilizado para fazer frente às crescentes necessidades.

Alguns fazem cortes drásticos, outros não
Embora essa não pareça ser a regra, alguns sites de pequenos jornais experimentaram reduções em suas equipes de trabalho. O site do "The Morning News", de Springdale, no Arkansas, por exemplo, viu a sua equipe de jornalismo online ser reduzida de cinco para apenas dois funcionários. Segundo o diretor de criação, Jeff Norris, o site perdeu um assistente de web, o editor de web, e o gerente de vendas online no ano passado. Segundo Norris, os cortes levaram à eliminação de alguns "ótimos boletins e-mail", e tornaram difícil a manutenção de certos sites que dependiam de jornalistas autônomos.

Bem mais comum é a simples estagnação da curva de crescimento. "Há um ano, éramos pequenos; e, atualmente, continuamos do mesmo tamanho", afirma Barry Friedman, do The Ledger Online. O jornal de Lakeland, Florida, emprega quatro funcionários na sua equipe online.

"Ainda que não tenha havido mudanças na equipe, creio que estamos trabalhando mais, já que lidamos com um volume maior de produtos do que há um ano", diz Friedman. O site do Ledger opera de forma praticamente independente do jornal impresso.

No caso do "Albuquerque Journal", do Novo México, a equipe está também segurando a barra com um número modesto de funcionários, que não aumentou desde o ano passado.

Funcionar com aquilo de que se dispõe, e aumentar a carga de trabalho dos funcionários é um tema comum, já que muitos gerentes de sites noticiosos não sentem a necessidade de aumentar a qualidade dos seus produtos, mesmo em períodos de crise. Quando os tempos difíceis finalmente terminam, os executivos do jornalismo online querem emergir com serviços de qualidade que vão atrair tanto a audiência quanto os anunciantes.

Na AP Digital (a divisão online da "The Associated Press"), existe uma equipe de 45 funcionários, um número igual ao do ano passado. Mas, apesar de não ter havido crescimento, a divisão, que produz o serviço de notícias online, The Wire, utilizado por vários sites de jornais, conseguiu aumentar a qualidade do serviço, segundo a diretora editorial, Ruth Gersh.

O negócio é mostrar lucro
Praticamente todos os entrevistados para esta coluna citaram os problemas que enfrentam quanto aos lucros. Há uma demanda por parte dos altos executivos das empresas para que os projetos evidenciem um retorno razoável do investimento. E, é claro, não se pode nem pensar em prejuízos. "Não podemos mais nos dar ao luxo de realizar certos projetos apenas porque eles são legais", disse-me um gerente de um jornal online.

Como exemplo, o gerente do site do "Daily Camera", de Boulder, Colorado, Christopher Ryan, diz o seguinte: "O que a empresa espera de nós é que justifiquemos as nossas despesas e demonstremos retorno do investimento". Desde o ano passado não há novas contratações para a equipe online (nem tampouco demissões), mas os recursos são adequados o suficiente para que eles ousem se engajar em novos projetos.

O exemplo principal de um projeto que foi elaborado para gerar lucros é o novo sistema de classificados online do "Camera", que permite que os usuários da Internet coloquem anúncios online. Segundo Ryan, o serviço gera atualmente um lucro diário de cerca de mil dólares (R$ 2,7 mil).

O impacto sobre os salários
Leah Gentry, uma das gerentes do Finberg-Gentry, The Digital Futurist Consultancy, afirma que a sua experiência com os clientes indica que os departamentos online dos jornais foram poupados, no ano passado, durante uma onda de redução de custos e de demissões. Devido ao investimento conservador na nova mídia por parte dos executivos dos jornais, as equipes online em geral não tinham excesso de funcionários, não havendo, portanto, justificativa para cortar pessoal.

Um dos efeitos da crise, segundo Gentry, pode ser observado nos salários dos jornais, que foram afetados tanto no setor impresso, quando nos sites. No auge da onda da Internet, os salários foram empurrados para cima, conforme os jornais procuravam impedir que os seus talentos migrassem para os empregos bem pagos das pontocom. Agora, essas pressões se desfizeram, o que reduz a pressão financeira sobre os editores.

Jordan, do News & Observes diz: "Hoje, mais do que um ano atrás, posso achar talentos muito melhores -e conto com um mercado bem mais amplo para fazer escolhas". Após ter convencido os seus editores, no início deste verão, a procurarem um projetista de informação, Jordan recebeu uma grande quantidade de currículos de alto nível. Vários dos candidatos afirmaram estar dispostos a arcar com as despesas da mudança.

"Não há duvida de que os salários da nova mídia -bem como o de outras funções na arena da alta tecnologia- vão sofrer neste novo período em que acabamos de entrar".




 

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