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Steve Outing > Parem as máquinas

02/11/2001 20h00

Sites das Ligas Esportivas competem com a mídia

Faz algum tempo que os sites de ligas esportivas e equipes têm evoluído, deixando de ser apenas instrumentos promocionais e tornando-se entidades de mídia.

O atual fã de esportes pode escolher entre a mídia independente (a ESPN.com ou a seção online de esportes do The Washington Post, por exemplo) e os sites de organizações esportivas montados em formato de mídia (por exemplo, o NFL.com, o DenverBroncos.com ou o NASCAR.com).

As coisas estão ficando tão indistintas que, para certos fãs, não há muita diferença entre os dois tipos de sites de esporte.

E isso significa uma mudança significativa no ambiente competitivo das notícias esportivas.

O que um fã deve fazer?
Digamos que você seja um fã de futebol-americano e, após o jogo, deseje entrar na Internet para ver a cobertura. Hoje em dia, dá para conseguir tanta informação de certos sites de ligas esportivas quanto daqueles da mídia tradicional. Se você acessar o NFL.com, por exemplo, o site oficial da Liga Nacional de Futebol (NFL), com certeza encontrará uma substancial cobertura dos jogos que ocorreram na liga e de outros detalhes relativos aos jogos -recapitulações, páginas dedicadas a um determinado jogo, sumário do jogo, seção de fotos da partida, áudio, vídeo clips e bate-papo online com jogadores e técnicos.

Grande parte da cobertura editorial do futebol-americano na NFL.com é feita por serviços de notícias (assim como grande parte do conteúdo que você encontrará nas páginas de esporte da mídia tradicional). E a NFL.com vai direcionar o usuário para os sites oficiais das equipes da NFL, para uma cobertura mais aprofundada das suas equipes favoritas.

No NHL.com, o site da Liga Nacional de Hockey (NHL), um dos recursos mais interessantes é o "My Vídeo Highlights", através do qual os usuários da Internet que navegam em banda larga podem obter em vídeo as partes principais dos jogos que perderam. Trata-se de um recurso poderoso.

Alguns sites de equipes individuais estão levando a sério a noção de que são operadores de mídia. O site oficial do Cincinnati Bengals, da NFL, por exemplo, possui um jornalista exclusivo (que trabalhou vários anos em um jornal) para elaborar as notícias e escrever as matérias de cobertura do time. Ele não escreve apenas textos positivos. Às vezes, há também críticas à equipe. (Esse trecho foi retirado da cobertura do jogo do Bengals no domingo da semana passada: "Tantas coisas saíram erradas para os Bengals no domingo que parecia que os torcedores que foram ao estádio Pontiac Silverdome para assistir a um jogo de futebol-americano acabaram virando platéia de um espetáculo circense")

Esse fato deveria disparar as luzes de alarme para os sites de esporte da mídia. Ele significa que há um novo tipo de concorrência no ciberespaço, com o dinheiro e a sofisticação técnica para criar uma experiência significativa para os fãs de esportes que navegam na Internet. Os novos sites podem até operar sob um código de regras diferente do site típico de esportes da mídia, que é gerenciado por jornalistas e não por especialistas em marketing, mas isso só faz com que eles representem uma concorrência mais desafiadora pela lealdade dos torcedores. Pode ser que a ameaça ainda não seja muito séria, mas tudo caminha para que venha a sê-la.

O quadro geral
O consultor de mídia esportiva online, Steve Klein, ex-editor de esportes do USAToday.com, está preocupado com essa tendência de as organizações esportivas partirem para a edição de notícias. Por hora, mas talvez não por muito tempo, segundo ele, os sites esportivos operados através da mídia ainda levam a dianteira sobre os sites de ligas e de equipes. Essa vantagem se baseia na cobertura objetiva, nos insights dos colunistas célebres e nas personalidades que fazem a cobertura dos times.

Mas, segundo ele, o problema com vários fãs de esportes é que eles às vezes se aborrecem quando os repórteres esportivos e a mídia tradicional criticam os seus amados times ou os seus astros do esporte. Possuindo uma alternativa que lhes fornece aquilo que querem, sem os comentários negativos, alguns torcedores podem migrar para os sites das ligas e dos times.

Não faz muito tempo que a mídia esportiva era a primeira a dar as notícias em primeira mão -sobre a aquisição de um novo jogador, negócios, novidades médicas sobre um jogador-chave etc. Essa ainda é a regra predominante, já que as organizações esportivas não podem publicar notícias sobre um negócio até que ele esteja definitivamente fechado, de forma que os jornalistas da mídia ainda contam, à vezes, com o benefício do furo da notícia. Mas os sites de equipes e ligas estão se posicionando para serem os primeiros a noticiar os fatos, caso assim o desejem. Se um site oficial de um time quiser estabelecer uma política para que seja a primeira a dar os furos esportivos -seja publicando-os na sua página eletrônica ou enviando-as para as listas de assinatura via e-mails-, nesse caso, a tradicional vantagem da mídia tradicional será significantemente degradada. As equipes não vão sonegar notícias da mídia esportiva independente -afinal, é do seu interesse conseguir publicidade adicional- mas os torcedores que desejam receber rapidamente notícias das suas equipes podem aprender a recorrer aos sites das ligas e das equipes.

Mostrando o dinheiro
Enquanto que as equipes e as ligas estão preocupadas basicamente com a venda de ingressos, comércio e direitos de transmissão, a maior parte delas descobriu nos últimos anos que também existem possibilidades de lucro na aventura editorial. E, atualmente, tudo o que é necessário é um site e alguma capacidade promocional (à qual as entidades esportivas têm pronto acesso). As equipes e as ligas não podem e não vão competir razoavelmente através da criação de seus próprios jornais e estações de TV. Mas, com relação a um site, a questão fica mais simplificada.

Cada vez mais pode-se presenciar sites de ligas e de equipes com anunciantes e patrocinadores nas suas páginas. Tipicamente, esse fato é o resultado de contratos múltiplos de patrocínio -segundo os quais uma empresa como a Budweiser pode comprar um conjunto de pôsteres em um estádio, além de espaço nos painéis eletrônicos, propagandas nos programas e anúncios nos sites. No entanto, os sites das organizações esportivas representam um novo potencial de lucros para as empresas -e, com o alto tráfego nos sites esportivos (especialmente das equipes profissionais e daquelas das principais universidades), isso pode representar, teoricamente, dinheiro. (Mas só quando um modelo lucrativo de publicação na Web for finalmente elaborado).

À medida em que os sites esportivos se parecem mais com a mídia tradicional, eles começam a atrair negócios exclusivamente online. Por exemplo, na semana passada um contrato publicitário na Internet foi anunciado entra a equipe de hockey Dallas Stars e a AT&T. A gigante das telecomunicações recebeu o acesso direto aos usuários do site do Stars através de um programa "sniffing". Quando um usuário é detectado fazendo uma conexão com o site por meio de uma ligação telefônica, aparece uma oferta de um serviço de banda larga da AT&T dirigida a esse cibernauta. Esse tipo de negócio é bem mais lucrativo do que as tradicionais caixinhas de propaganda (e mais eficazes, sob o ponto de vista dos publicitários).

Controle é a palavra-chave
A idéia por detrás de tudo isso é o desejo dos times e ligas esportivas em controlar as suas próprias mensagens -e não confiar, como no passado, no processo de divulgar notícias para a mídia, esperando obter a cobertura desejada. Utilizando os seus próprios sites, as organizações esportivas podem obter o controle sob esse processo.
Segundo Klein, o próprio conceito de organizações esportivas se transmutando em entidades de mídia online "enfraquece a mídia tradicional". Se os sites dos clubes esportivos tiverem sucesso em conquistar os usuários dos sites tradicionais de mídia esportiva, os torcedores nunca receberão notícias negativas sobre as suas equipes e sobre o esporte em geral. "Não creio que esse processo seja saudável", afirma Klein. "Para mim, temos uma situação perigosa quando uma entidade controla a sua própria mensagem".

Klein, que leciona jornalismo online na Universidade George Mason, diz que se preocupa com o fato de os torcedores jovens, em especial, não parecerem diferenciar o conteúdo que obtém nos sites dos clubes daqueles disponíveis nos sites da mídia. Pessoas que não são consumidores experimentados da mídia podem não reconhecer o fato de que estão recebendo apenas o lado positivo do esporte. Eles ficam alienados devido aos recursos técnicos e as estatísticas oferecidas por esse site.

O acesso assegura a facilidade
Há cerca de dois anos, times, ligas esportivas e organizadores de eventos estavam com reservas quanto a fornecer credenciais de imprensa aos jornalistas online. Devido ao fato de estarem administrando sites próprios, as organizações esportivas muitas vezes negaram credenciais aos jornalistas de entidades online -gerando críticas quanto a violações da 1ª Emenda da Constituição norte-americana. Essa confusão parece ter se aquietado, em parte devido ao fim de vários sites esportivos da Internet dedicados apenas aos jogos. Agora a indústria foi reduzida a uns sites de mídia esportiva - portanto ficou fácil para as equipes e ligas descobrir que entidades esportivas na web são legítimas, e não existe muita demanda nas salas de imprensa dos estádios, onde há apenas uns poucos assentos.

As questões problemáticas nos próximos anos dirão respeito ao que os sites de mídia podem publicar na Internet -especialmente quando se estiver falando da banda larga, com recursos como trechos dos jogos em vídeo. Staci Kramer, colunista do Online Journalism Review e um jornalista free-lancer especializado em assuntos de mídia esportiva, prevê que as ligas esportivas vão ficar mais rigorosas quanto às restrições sobre o que a mídia online pode publicar -e exigir contratos substanciais de licenças pagas para permitir a veiculação em banda larga. O resultado será que somente os maiores organismos de mídia esportiva online serão capazes de arcar com os custos.

Esse é o sistema de livre iniciativa em funcionamento, afirma Klein, "mas não acredito que seja algo de saudável".

O que podem fazer os sites de mídia
Conforme os leitores continuam a ser atraídos pelos sites de clubes esportivos, os gerentes dos sites esportivos da mídia precisam pensar em como fazer frente a essa ameaça. Os sites dos clubes podem atingir ou superar a sofisticação técnica dos sites online da mídia tradicional. E muitos já o fazem. Os sites da mídia precisam se concentrar em como vão fazer propaganda de si próprios (como repórteres objetivos do cenário esportivo) e enfatizar os seus pontos fortes. Entre as sugestões dadas por alguns especialistas que eu entrevistei para este artigo, estão as seguintes:
Ser interativo. Parte do que tentam fazer os sites dos clubes é procurar criar uma comunidades de fãs que sejam devotados a uma equipe ou a um esporte. Os sites da mídia precisam ser a comunidade de reunião online para os torcedores - e não apenas uma fonte de notícias de mão única. Os sites de clubes oferecem dispositivos interativos, e é dessa forma que devem proceder os sites da mídia.

Produzir um jornalismo de boa qualidade, objetivo e original. E promovê-lo. Um bom conteúdo e reportagem que não trabalhem a reboque do clube ainda se constituem na principal vantagem dos sites esportivos da mídia. À medida em que os sites das organizações esportivas aumentam os seus atrativos para os fãs dos esportes, os sites da mídia têm que promover a sua vantagem fundamental.

Tentar trabalhar com equipes e ligas de forma cooperativa. Tal como criar promoções conjuntas e contatos de cobertura de eventos -embora possa já ser muito tarde para negociar esse tipo de acordo.

Se focalizar no nicho no qual você se considera melhor do que os outros. Se você dispõe de um colunista que é a maior autoridade mundial e uma celebridade bem conhecida no time da universidade local, esse jornalista pode ser aquilo que é necessário para impedir que os usuários da Internet migrem para os sites de clubes, não importa o quão atraentes eles sejam e o quanto as suas ofertas online sejam semelhantes à mídia.

Utilize os seus pontos fortes. Não tente fazer de tudo, mas se concentre naquilo que o seu site faz de melhor. Faça links com outros bons sites esportivos ao invés de realizar um trabalho medíocre.

Personalidades duplas
Será que existe realmente uma ameaça séria às organizações de mídia? Há controvérsias sobre isso dentro da comunidade de mídia esportiva. Terry Lefton, editor do Sports Business Daily e observador do cenário da mídia esportiva, afirma o seguinte sobre os sites de equipes e de ligas: "Eles estão chegando lá, em termos de oferecer uma experiência similar à da mídia. Eles reconheceram que não são capazes de receber visitas repetidas se agirem como jornais internos, para as equipes. Portanto, sites como o NHL.com tomarão medidas como veicular notícias que possam conter teor negativo sobre as suas organizações". Mas sites como o NFL.com, embora possam ser primorosos para a divulgação de abobrinhas estatísticas, ainda desempenham o papel de órgãos domésticos.

Mesmo assim, alguns dos melhores sites de clubes estão atuando mais e mais como organizações de mídia. De fato, considere o site do time profissional de hockey do Washington Capitals, um dos melhores sites de clubes. O sócio majoritário é o bilionário Ted Leonsis, do AOL -que conhece a mídia e a comunidade online.

Em suma, esse é um assunto que deve ser acompanhado com atenção.

Tradução: Danilo Fonseca




 

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