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Steve Outing > Parem as máquinas

20/12/2001 20h07

Empresas devem ajudar os sites de notícias
E fazer os consumidores pagarem por esse tipo de produto


A era dos produtos gratuitos na Web está chegando a um fim abrupto (foi isso que escreveu Scott Rosenberg em um artigo recente para a revista Web Techniques).

Esse é o meu maior temor com relação à indústria de notícias online. Temo que aquilo que a indústria da Web construiu nos últimos anos seja destruído por editores de visão limitada, que, no desespero para contornar os atuais apuros com relação à publicidade, que afligem o setor, coloquem "cadeados" no conteúdo desses sites. O resultado seria a ruína daquilo que a Web faz de melhor. E tal medida seria um golpe sobre a capacidade de as notícias online se tornarem um negócio viável.

Existe uma alternativa, mas isso exigiria uma ampla cooperação da indústria. É sobre isso que fala esta coluna.

A cornucópia de notícias da Web
Eis o que é bacana com relação a Web, e algo que não podemos perder: com a Web e somente com a Web, um consumidor de mídia poder ter acesso a uma cornucópia global de notícias. Atualmente, ainda é possível ler reportagens e análises confiáveis e de qualidade sobre Osama Bin Laden, por exemplo, no The New York Times, Financial Times, Le Monde, BBC, CNN, The Age (da Austrália), Der Spiegel e outros. Tudo de graça.

Não há dúvidas de que se trata de um serviço incrível de notícias para consumidores em todo o mundo. É algo como se os PCs desses consumidores fossem bancas de jornais trazendo as edições atuais de todo grande jornal, revista e noticiário do mundo. E eles sequer têm que pagar.

Mas imagine que algumas dessas organizações de mídia decidissem parar de oferecer gratuitamente o seu conteúdo na Web. Os usuários da Internet navegariam pela Web buscando notícias de várias fontes, mas seria comum encontrar barreiras. Eles com frequência chegariam a sites que imitassem o Salon.com, onde parte do melhor conteúdo (no caso do Salon, os principais artigos noticiosos e de política) só seria disponível por meio de assinatura paga. Para se ter acesso a cada um dos sites o consumidor teria que contar com a assinatura específica.

Será que isso poderia acontecer?
Ainda não se sabe se os editores de mídia online exigiriam assinatura para acesso a seus sites noticiosos. Em uma matéria publicada em outubro deste ano no site da Borrell & Associates, "The Free vs. Paid Debate" (A polêmica entre o Pago e o Gratuito), o autor afirma que somente uma dúzia de jornais diários criou acesso pago para os seus sites - mas que 350 estão pensando em faze-lo. Desses sites noticiosos que instituíram o sistema de assinaturas, o melhor resultado conseguido foi o equivalente a apenas 2,5% do número de assinantes da versão impressa. A maioria se saiu pior, inclusive aqueles que já tinham programas de assinatura havia dois anos.

(A recomendação da Borrell: "Não cobre ainda pelo acesso ao site, mas pense sobre a possibilidade de instituir serviços de informação "privilegiada", já que os consumidores têm demonstrado grande disposição em pagar... Adotar um modelo de assinatura para um Web site hoje em dia seria tão arriscado quanto adotar um modelo de "conteúdo gratuito" em 1995... Atualmente parece haver mais riscos em abrir mão do terreno conquistado na Internet durante seis anos, do que em renunciar a qualquer lucro que possa ser obtido de uma base de consumidores que, na melhor das hipóteses, é cética quanto ao valor daquilo que recebem em uma assinatura da Web).

Eu espero que os editores da mídia online levem a sério as palavras da Borrel - e resistam à tentação de instituírem programas de assinatura.

A alternativa lógica
Acredito que a solução de longo prazo para as publicações noticiosas na Web seja fazer com que elas sirvam a dois objetivos: 1) preservar a capacidade dos consumidores em conseguir notícias de maneira fácil, utilizando a gama mais ampla possível de fontes noticiosas de boa qualidade e, 2) apoiar os editores de notícias que disponibilizem o seu conteúdo na Web.

Isso seria possível, mas seria necessário que houvesse uma organização intermediária que administrasse a coleta de dinheiro dos usuários e a distribuição para os editores de notícias na Web.

Eis o cenário. Os sites de notícias na Web criam diferentes níveis de acesso para o seu conteúdo:

  1. Acesso gratuito para todos. Qualquer usuário de um site de notícias verá as manchetes e as chamadas dos artigos (ou os primeiros dois parágrafos de qualquer matéria). Quando um usuário que não é assinante clicar para ver um artigo na íntegra, aparecerá uma mensagem indicando que é necessária a assinatura para se ter acesso ao material. As opções de assinatura estão no número dois ou três abaixo.
  2. Acesso pago através de um serviço de assinatura de notícias na Web. Existiria um serviço de assinaturas de notícias na Web, que possibilitaria o acesso a determinados conteúdos de qualquer site noticioso. Mediante o pagamento de uma taxa anual, mensal, ou até mesmo diária, um usuário da Web teria acesso a todo o conteúdo noticioso que atualmente é gratuito no ciberespaço - pagando, entretanto, por esse privilégio. Visite o Salon.com, por exemplo, e o conteúdo integral do site estará disponível. Os assinantes de tais sites contariam com um acesso sem empecilhos. A Web seria como é hoje. O conteúdo apareceria sem que se tivesse que subscrever ou pagar por qualquer site em particular.

    As notícias participativas e os sites compartilhariam das taxas de assinatura pagas aos serviços online de notícias. Uma organização central administraria as assinaturas e distribuiria o dinheiro entre os editores, com base no tráfego monitorado dos sites participantes.
  3. Acesso pago via assinaturas de sites individuais "privilegiados". Tal cenário não faria com que os editores da Web deixassem de contar com a opção de possuírem os seus próprios serviços privilegiados de assinatura. Essa ainda seria uma opção viável, mas os serviços privilegiados teriam que oferecer mais atrativos para seduzir os assinantes.

    Por exemplo, se você, como internauta, pudesse ter acesso a um conteúdo privilegiado no Salon.com, provavelmente não haveria motivos para que pagasse pelo serviço Salon Premium, que custa cerca de US$ 30 anuais. Por US$ 10 anuais pelo serviço geral da Web, você teria acesso ao conteúdo privilegiado do Salon, e a mais centenas de outros sites de notícias. Portanto, para que o Salon fizesse com que as pessoas pagassem US$ 30 por ano, ele teria que oferecer outros produtos. Poderiam ser oferecidos "presentes", tais como a possibilidade de se visitar um site sem propagandas, camisetas e xícaras de café gratuitas, acesso ilimitado aos arquivos, acesso as reportagens de pesquisa que, caso contrário, teriam um preço significativo, acesso a bancos de dados privilegiados etc...

Quanto cobrar?
Qual deveria ser o preço cobrado pela assinatura de um site geral de notícias? Creio que não deveria ser muito caro, mas ser alto o suficiente para que os editores participantes se beneficiassem quando recebessem as suas fatias do lucro. Suponhamos que esse preço fosse de US$ 10 por mês. Esse valor seria similar ao de outros serviços de conteúdos na Web, tais como os serviços de rádio por satélite nos Estados Unidos, que transmitem centenas de canais de música e notícias para assinantes que contam com aparelhos adaptados para receber esse tipo de serviço.

Há também a possibilidade de tipos diferentes de serviço. Uma conta básica de US$ 10 por mês poderia fornecer acesso a conteúdo privilegiado sem que, necessariamente o consumidor tivesse acesso aos sites gerais de notícia. Mas, por uma assinatura de US$ 20 por mês, você teria também acesso ilimitado aos arquivos dos sites de notícia.

Poderia haver uma outra assinatura mais cara que daria acesso a um conteúdo privilegiado em sites especiais de notícia. Isso representaria uma alternativa ao pagamento de taxas extras para se ter acesso aos sites de revistas de negócios, que atualmente cobram taxas individuais de assinatura. Imagine a assinatura para se ter acesso ao conteúdo privilegiado de todos os sites da indústria de modas, entretenimento, etc...

A lógica é que as assinaturas individuais de conteúdo privilegiado são difíceis de se vender - especialmente se houver muitos competidores para um mesmo espaço de mídia. Uma assinatura "multi-site" venderia de forma mais fácil e atingiria uma audiência mais ampla. Os sites individuais ainda podem vender assinaturas mais caras por conta própria, mas eles têm que fornecer um produto melhor. Dois modelos de lucro com assinaturas são melhores do que um único.

Preservando a essência da Web
É claro que esse sistema faz com que os editores de sites de notícias paguem pelo conteúdo que publicam nos seus sites - com o dinheiro que vem dos consumidores desse conteúdo (através de um intermediário central).

Ele também realiza aquilo que eu sugeri no início deste artigo. A Web continua sendo aquilo que é hoje: uma cornucópia de fontes noticiosas, acessível na forma mais conveniente. Se a indústria da mídia for capaz de colocar esse esquema em execução, ninguém vai reclamar de que os novos executivos arruinaram esse maravilhoso recurso noticioso na Web. Ele ainda existiria, assim como hoje.

A diferença seria que os usuários teriam que pagar. Contanto que as taxas pagas pelas notícias não fossem muito altas, a quantia seria razoável para proporcionar aos usuários da Web notícias de qualidade.

Essa fonte de recursos é agregada à publicidade, que seria muito afetada em outras circunstâncias. Se um número suficiente de sites noticiosos de expressão participar de tal plano, os usuários da Internet aprenderão que terão que pagar um preço pelas notícias online. Se houver poucos sites noticiosos gratuitos oferecendo acesso integral às noticias, nesse caso os consumidores não terão para onde ir. Em tese, eles mudariam a sua atitude e manteriam em alta o tráfego nos sites noticiosos pagos.

Nenhuma alternativa
Não estou certo de que haja uma alternativa a esse plano que permitisse que a indústria de mídia online se tornasse lucrativa. Os sites que adotassem o sistema de taxas individuais de assinaturas fracassariam, com a exceção de uns poucos sortudos, já que há um excesso de sites lutando pelos dólares dos consumidores e uma falta de consumidores dispostos a pagar. Até o momento, os sites gratuitos de notícias patrocinados pela publicidade não conseguiram sustentar a publicação na Web, e até mesmo uma recuperação econômica pode não modificar tal situação.

A solução definitiva é convencer os consumidores de notícias online de que precisam pagar por esse produto. Buscar o dinheiro do consumidor de site em site não é uma tarefa prática. Somente atuando em conjunto a indústria poderia ter sucesso.

É óbvio que essa não seria uma decisão fácil para a indústria da mídia. Mas, nada mais tem funcionado no sentido de tornar as notícias online lucrativas. Talvez seja a hora de começar a levar a sério algumas idéias que a princípio parecem meio malucas. É melhor do que deixar que algo de grandioso como a cornucópia de notícias da Web seja destruída pelo modelo de assinaturas baseadas em sites específicos, que está destinado a levar à falência não só os sites individuais, mas também toda a indústria de notícias online.

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