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Steve Outing > Parem as máquinas

11/01/2002 16h02

Use a Web para complementar sua edição impressa

Essa é minha mais acalentada esperança para as notícias online em 2002: os jornais (e outras mídias noticiosas tradicionais) vão pensar seriamente em usar a Web para publicar conteúdo suplementar.

Por quê? Porque se perdem muitas oportunidades de colaboração imprensa-Internet e porque os jornais deveriam estar usando a Web para compensar os cortes nas edições impressas causados pela recessão.

O ano passado foi duro para as empresas de mídia, é claro, e os cortes foram comuns - em pessoal e em conteúdo. O que não se está percebendo é que alguns desses cortes podem ser renovados online, mantendo o serviço aos leitores enquanto se cumpre o orçamento.

Quadrinhos são sérios
Considere por exemplo os quadrinhos. O "Washington Post" recentemente retirou várias tiras de suas páginas de humor: "Six Chix", "Tank McNamara" e "Liberty Meadows". Fãs dessas histórias (supostamente impopulares) reagiram com previsível irritação, escrevendo cartas e e-mails furiosos para os editores.

O "San Francisco Chronicle" também eliminou uma série de quadrinhos da edição impressa recentemente: "Baby Blues", "Zippy the Pinhead", "Sylvia", "Curtis", "Amazing Spider Man", "Piranha Club", "Family Circus" e "Marmaduke". A diferença é que algumas das tiras excluídas - "Zippy the Pinhead", "Curtis", "Piranha Club" e "Baby Blues" - continuarão vivas para os leitores do "Chronicle" que visitarem o site do jornal, SFGate.com.

Esse é um ótimo exemplo de manutenção de material que não se justifica mais na versão impressa, mas tem um público fiel. De fato, os quadrinhos são historicamente o material que gera mais polêmica e angústia entre os leitores quando são eliminados das edições. Ao mudar as tiras para o site do jornal, mantêm-se os leitores satisfeitos - eles não ficarão totalmente felizes, é claro - e ainda se deixa espaço para tiras mais novas ou um espaço menor para os quadrinhos, em conseqüência da reestruturação.

Toda página de quadrinhos nos jornais poderia ter uma chamada diária para outros quadrinhos encontrados no site do jornal - o que serviria para mover os leitores entre as edições impressas e online da empresa.

Existe um preço a pagar por simplesmente matar uma história em quadrinhos: você poderia perder um leitor que contava com a publicação para ler um quadrinho. Leitores do "Post" que são fiéis a "Tank McNarama", por exemplo, podem encontrar facilmente tiras atuais em vários outros sites (por exemplo, no portal de notícias canadense Canoe.) O ombudsman do "Post", Michael Geller, me disse que depois que escreveu uma coluna sobre o fato de seu jornal eliminar vários quadrinhos, alguns leitores lhe disseram que passariam a usar a Web como fonte de quadrinhos. Se eles vão para lá, não deveriam pelo menos ser enviados para o site do "Post"?

Não é apenas a perda de histórias em quadrinhos que irrita os leitores de jornais. Em dezembro, o "Arizona Republic" cortou várias tiras de sua edição impressa e (pasmem!) a coluna de Análise Landers (em troca da coluna de conselhos concorrente "Dear Abby"). Mas os quadrinhos e Ann foram transferidos para o site do jornal, o que atenuou as críticas, pelo menos. Segundo o editor-chefe de notícias online, John Leach, o site hoje contém 70 histórias em quadrinhos, contra apenas 20 na edição impressa.

Ações mais magras
Em tempos magros como estes, muitos jornais estão sendo obrigados a cortar conteúdo editorial. O que pode ser cortado?

A Internet torna essa decisão muito mais fácil, porque você pode simplesmente deslocar uma parte do conteúdo para o site e retirá-la da edição impressa. O exemplo clássico são as tabelas de ações.

A idéia de reduzir as listas de cotações na edição impressa e publicá-las online surgiu há vários anos. Mas os editores de economia têm sido compreensivelmente reticentes para eliminá-las completamente do jornal, ou reduzi-las demais. (Eles querem ser justos com aqueles que ainda não usam a Internet.)

Mas os tempos estão mudando, e esta é uma boa época para rever suas tabelas de ações. Junte as exigências de redução de espaço com as estatísticas impressionantes sobre utilização da Internet, e talvez decida que este é o momento adequado para fazer um corte nas listagens. Com 105 milhões de americanos online em dezembro (Jupiter Media Metrix), é razoável reduzir ao mínimo as listas de ações - e remeter os leitores do jornal para a Web, onde encontrarão tabelas completas de todos os mercados.

Afinal, hoje em dia quase todo mundo que leva a sério as ações (nos Estados Unidos e em outros países desenvolvidos) usa serviços de cotação constantemente atualizados na Internet, em vez de ler números de ontem nos jornais. (A exceção talvez sejam os aposentados, que observam de perto as ações mas ainda não embarcaram no trem da Internet. Uma possível alternativa é oferecer-lhes serviços como listagens em audiotexto.)

Seja esportivo
Outra área que está sendo cortada de algumas edições impressas é a de esportes colegiais e estatísticas esportivas em geral.

No "Los Angeles Times", por exemplo, a maior parte dos esportes amadores foi transferida para a Web depois de uma reorganização de suas edições de Orange County e San Fernando Valley. O sumário de jogos colegiais hoje aparece apenas online. Também uma coluna de previsões e palpites semanais chamada "The Prophet" foi cortada do jornal mas continua viva online na seção de esportes colegiais.

Eu também diria que uma boa parte das estatísticas esportivas (em todos os níveis) pode ser transferida para a web e cortada das páginas impressas. Estatísticas completas e extensas podem ser publicadas online - seja com uma chamada para a Web ou estatísticas abreviadas mais o endereço das estatísticas completas online.

Da mesma forma, outras áreas de conteúdo do jornal impresso podem seguir o mesmo modelo: listas de entretenimento, eventos comunitários, relatórios de pesca, relatórios de profundidade da neve nas estações de esqui, notícias de casamento e noivado e (especialmente) cartas ao editor.

Se você está pretendendo liberar espaço, deveria procurar especialmente conteúdo de baixo interesse como relatórios de pesca - valioso para algumas pessoas, mas que não interessa à maioria dos leitores -, que pode ser eliminado na versão impressa e substituído por um calhau de 2,5 centímetros indicando aos leitores a versão da web.

A maior parte desse tipo de conteúdo pode ser tratada de forma dupla, imprensa-online, economizando espaço ao condensar o que é impresso e indicando para os leitores do jornal as listagens completas na web. Por exemplo, a edição impressa poderia dar apenas os nomes dos recém-casados e noivos, acompanhados da URL dos anúncios completos na web. (Economia: possivelmente 1/2 a 3/4 de página da edição impressa.) Os roteiros de entretenimento poderiam cobrir os acontecimentos na área principal de circulação de um jornal, mas os leitores seriam remetidos para as páginas da web para os eventos em áreas periféricas.

Cartas ao editor podem seguir essa abordagem para liberar espaço no jornal. Um punhado das melhores cartas são impressas, com chamadas remetendo os leitores para cartas semelhantes na web. Por exemplo, imprima a melhor carta do dia sobre um assunto polêmico, seguida de uma chamada com a URL para mais cartas sobre o mesmo assunto.

A chave disso tudo, é claro, é algo que eu venho afirmando nesta coluna há anos: promovam o vaivém entre a versão impressa e a online. Recheie o site do jornal com conteúdo suplementar - um benefício adicional para os que pagam para ler seu jornal. (Não estou dizendo aqui que o site de um jornal não deva ser auto-suficiente; oferecer conteúdo suplementar para servir aos leitores da versão impressa é apenas um de seus objetivos.)

Então aqui está meu conselho para o sucesso em 2002: se sua edição impressa está sentindo a mordida econômica da recessão, e há pressão para reduzir o consumo de notícias impressas, faça uma contabilidade séria de seu conteúdo impresso - desde histórias em quadrinhos a ações e esportes amadores, cartas ao editor e uma diversidade de conteúdo secundário - e descubra o que pode ser transferido para a web. Torne sua edição impressa mais magra e significativa, mas continue oferecendo aos leitores o mesmo valor (ou, idealmente, mais) pelo mesmo preço, incrementando seu site.

O futuro da leitura de jornais é uma experiência multimídia.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves





 

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