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15/03/2002 17h44

Jornal de Washington investe em noticiário interativo

Ken Sands é "editor interativo" do The Spokane Review, em Spokane, no Estado de Washington. Ele é um dos dois indivíduos que têm essa função em meio a uma equipe de 132 pessoas que trabalham para esse jornal diário, que tem uma tiragem superior a 100 mil exemplares. (Um terceiro editor interativo foi remanejado para a função de ombudsman do jornal).

Não, Sands não trabalha para o departamento online. Ele é membro da divisão editorial, e trabalha para o jornal há duas décadas.

E é isso que torna o The Spokane Review um produto diferenciado no universo dos jornais. Trata-se de um jornal que adotou a palavra "interatividade" como um mantra, que designou membros da sua equipe para a função de solicitar e facilitar a interação do público com o jornal, e que se dedicou a colocar a Web em primeiro lugar e a edição impressa em segundo - pelo menos ocasionalmente.

Evolução da Interatividade

Na verdade, o fato de possuir editores interativos na equipe de jornalismo impresso não é uma novidade para o The Spokane Review. O jornal vem adotando esta estratégia desde 1996. A missão da empresa é "inspirar a maior participação dos cidadãos para a resolução dos problemas da comunidade". Mas, a novidade é a experiência realizada pelo jornal com uma intensa cobertura interativa dos eventos esportivos locais. A primeira grande iniciativa foi uma abordagem interativa realizada durante os quatro dias de cobertura do campeonato de basquete das escolas de segundo grau.

Sands se juntou aos repórteres esportivos do jornal para cobrir o torneio, que é um grande acontecimento em Spokane. O jornal geralmente envia vários membros da sua equipe e dedica várias páginas à cobertura do evento. Enquanto os seus colegas faziam as reportagens tradicionais, Sands cobriu o campeonato sob uma perspectiva totalmente diferente:

- Antes de sair para cobrir o torneio, do qual participam as principais equipes de basquete das escolas de segundo grau do Estado de Washington, ele notificou cerca de 100 leitores do jornal, a partir de uma sala de noticias, sobre os seus planos para cobrir o torneio. Os leitores expressaram interesse em se tornarem fontes em potencial para artigos esportivos do jornal.

- Sands levou para o estádio um laptop com uma conexão de telefonia celular à Internet, e, no decorrer de cada dia, escreveu pequenos artigos para uma lista dedicada ao evento, que ele denominou de "Blog". Tais artigos incluíam a narração do evento na primeira pessoa, feita por Sands, bem como observações dos leitores - muitas vezes recebidas através de e-mail ou mensagem instantânea, que chegavam ao seu laptop enquanto ele se sentava na arquibancada do estádio.

- Sands e seus colegas criaram shows de slides interativos online, exibindo fotos de várias atividades do torneio, acompanhadas de áudio. Eles também trabalharam com material de áudio, como, por exemplo, clips sonoros da banda escolar de cada equipe. (Ele observa que várias das bandas eram "uma catástrofe", mas que, não obstante, faziam parte da diversão proporcionada pela cobertura em áudio).

Na verdade, Sands produziu um pacote exótico de informações sobre o popular torneio local. Ele cobriu aspectos do evento que os jornalistas dificilmente encontrariam ou com os quais geralmente não se importariam: dicas de cheerleaders a respeito de como arrumavam o seu cabelo; o acompanhamento da saga da "Dairy Princess" (a moça que representava a associação de empresas de laticínios que patrocinou o campeonato), que procurava sorvete, após o produto ter acabado no estádio; e como "cobrir" uma salsicha alemã de maneira apropriada.

Bem, isso pode soar a muito tempo perdido com coisas sem importância. Será que alguém realmente se importaria com o cabelo das cheerleaders e com salsichas alemãs? Mas Sands afirma que ficou surpreso com a reação à sua cobertura, especialmente no que se refere ao Blog. (O Blog integral só estava disponível online, e a edição impressa trazia apenas alguns trechos selecionados diariamente, com referências ao site). Os leitores foram convidados a enviar sugestões a Sands, e ele recebeu cerca de 200 e-mails e mais "um número indeterminado de contatos pessoais".

"O Blog se tornou tão popular, e eu passei a ser tão conhecido ao final do torneio, que os fãs, e até mesmo os jogadores, se aproximavam de mim para narrar suas histórias", conta o jornalista. "Nunca vi nada parecido nos meus 21 anos de carreira neste jornal".

Sands está entusiasmado com a possibilidade de repetir a experiência de reportagem interativa. "Baseado nessa experiência modesta e única, tenha a sensação de que a tendência pode crescer", diz ele. "Os leitores adoram a interação, não só conosco, mas com outros leitores. Recebemos como nunca antes dicas para fazer matérias"
.
A experiência número dois ocorre neste final de semana, quando a Spokane's Gonzaga University, uma pequena faculdade jesuíta de Spokane que possui um talentoso time de basquete, participará do torneio da NCAA. O The Spokane Review pretende dar o mesmo tratamento a esse evento, e Sands já lançou outro Blog.

Proximo passo: interatividade além das páginas esportivas

O conceito de reportagem interativa está se disseminando para outros tópicos além dos esportes. O jornal ainda não colocou o conceito em prática, mas a idéia é pegar um tópico quente e de grandes dimensões - assim que a oportunidade se apresentar - e também tratá-lo de forma interativa (porém, de forma mais séria).

Como exemplo, Sands teoriza sobre uma matéria onde a câmara municipal debatesse uma lei que exigiria que os donos de gatos tirassem licenças para os seus bichanos. O Web site do jornal organizaria fóruns de discussão e salas de bate-papo, que os repórteres monitorariam. Os leitores, cujos nomes estivesse armazenados em um banco de dados, seriam notificados sobre a cobertura, e convidados a participar com opiniões e sugestões.

Com o acréscimo do elemento que seria um repórter interativo dotado de um laptop conectado à Internet por telefonia celular, dá para imaginar o jornalista sentado nos salões da câmara municipal cobrindo as reuniões, enquanto recebesse simultaneamente e-mailsde cidadãos interessados na questão. Isso é o jornalismo interativo, onde as fontes do repórter não são apenas aquelas "oficiais", mas cidadãos comuns que possuem interesse em determinado tópico que está sendo coberto.

Servir ao leitor e ao jornal

A cobertura interativa é uma convergência do jornalismo impresso e do online. É uma abordagem incomum, no caso da cobertura do torneio de basquete, no sentido de que os editores começaram com o planejamento para a Web, e a seguir retornaram para determinar a cobertura impressa, afirma o editor gerencial do The Spokane Review, Scott Sines.

A equipe interativa examina o pacote total de cobertura, incluindo vários componentes que podem ser apresentados na Web, mas não na versão impressa - tais como resultados ao vivo dos jogos, cobertura de áudio e vídeo, e um Blog que seja atualizado no decorrer do dia. "Queremos proporcionar a experiência completa de ser parte do campeonato", diz Sines, e isso é algo que pode ser realizado com facilidade na Internet - devido aos seus recursos multi-mídia e de publicação instantânea.

Sines explica como a equipe interativa do jornal trabalha regularmente para trazer a voz do cidadão comum até o site e às páginas do jornal. É algo que vai além das "colunas do leitor" e salas de bate-papo. A outra diretora-interativa do The Spokane Review, Rebecca Nappi, fez uma edição especial para a lembrança do aniversário de seis meses dos ataques de 11 de setembro e escreveu artigos sobre a unidade local da Cruz Vermelha e outros voluntários que foram prestar auxílio em Nova York e Washington, D.C. Ao invés de escrever os tradicionais artigos baseados em entrevistas, Nappi ajudou os voluntários a escrever os próprios relatos de suas experiências, atuando como consultora técnica e editora para pessoas que não tinham o hábito de escrever.

Como se pode ver, a equipe interativa do jornal de Spokane está tentando remover o fungo acumulado sobre o jornalismo impresso tradicional.

Lições a se aprender

Há alguns pontos importantes a serem observados na experiência de Spokane com o jornalismo interativo -que ainda está em um estado experimental.

Primeiro, trata-se de uma iniciativa que envolve toda a empresa. Não é apenas uma idéia implementada por um departamento online. De fato, a equipe online (dois funcionários) se concentra especialmente no desenvolvimento da Web. Ao contrário da maioria dos jornais do porte do The Spokane Review, eles não têm que perder tempo inserindo matérias do jornal impresso no Web site. Ao invés disso, os editores foram treinados para fazer publicações na Web. Sines explica que, ao invés de ter duas pessoas capazes de inserir as matérias na Web, o jornal conta com sete ou oito.

Embora esse arranjo seja, obviamente, benéfico sob o ponto de vista gerencial, ele pode ser também uma boa pedida para os editores tradicionais. Eles aprendem novas habilidades para atuar nas empresas de notícias, o que os torna mais valiosos como profissionais, para os seus atuais e futuros patrões, recebendo treinamento em um setor de ponta.

Ao retornarem para o pequeno departamento de mídia online, esses funcionários não recebem a incumbência principal de criar conteúdo original para a Web. Ao invés disso, a redação do jornal - liderada por uma equipe interativa - possui a função de criar conteúdos que sirvam tanto para o produto impresso quanto para o setor online. A longo prazo, o objetivo é expandir a idéia para que os jornalistas produzam não só texto, mas também material de áudio, vídeo e multimídia.

Sines afirma que a equipe interativa foi criada inteiramente através do treinamento do corpo de funcionários já existente. "Não temos condições de contratar uma equipe de 15 pessoas dedicada à Web, e não creio que jornais (do tamanho do nosso) devam fazer tal coisa", diz ele. Os jornalistas contratados pelo jornal devem ser capazes de examinar uma história e dizer, "Isso vai funcionar na Web, e isso na edição impressa".

Com essa abordagem, o Web site do The Spokane Review melhorou - evoluindo de um site de "depósito de artigos", operado por uma pequena equipe, para uma página que publica conteúdo inovador especificamente para a Web.

Sands, que passou a maior parte da sua carreira como repórter ou editor tradicional de jornalismo afirma que está comprometido com a melhoria do jornalismo na empresa. E a reportagem interativa faz exatamente isso, já que capacita os repórteres a expandir as suas fontes de forma a incluir o público.

A experiência interativa de Spokane ainda é imatura. Nem Sines nem Sands dizem estar orgulhosos de certos conteúdos de vídeo divulgados pelo site, mas afirmam estar felizes com o trabalho de áudio. Sines espera que a equipe aprenda a elaborar um conteúdo de vídeo de melhor qualidade - e a competir efetivamente com a televisão local (incluindo até mesmo a estação na mesma rua, que é de propriedade da mesma companhia dona do jornal).

No caso do campeonato de basquete do segundo grau, a cobertura instantânea do torneio feita pelo site pode influir na melhoria do noticiários televisivo. Os usuários da Internet interessados pelo evento contaram com uma satisfação instantânea, ao invés de aguardar pelo noticiário noturno.

Tradução: Danilo Fonseca





 

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