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Steve Outing > Parem as máquinas

12/04/2002 12h22

Sites jornalísticos repetem os erros do passado

Ainda não reconhecemos o poder da interatividade.

Eu faço parte de e venho cobrindo o setor de jornalismo online desde 1994. É um ramo fascinante, e ao mesmo tempo frustrante.

Durante todos esses anos, aprendemos muito como indústria. Experimentamos e experimentamos, mais e mais. Tentamos este e aquele modelo empresarial. Ao longo dos anos pontocom, conheci muitas pessoas inteligentes e ambiciosas que trabalharam duro para criar um novo meio de comunicação de massas economicamente viável.

E através disso tudo muitas dessas pessoas inteligentes continuaram errando, e às vezes não enxergando o óbvio. Apesar da popularidade da Internet, ainda somos um setor problemático em conseqüência disso.

Catalogando os erros

Enquanto participei de conferências e eventos sobre jornalismo online este ano, fui marcado pela sensação de que o setor continua cometendo os mesmos erros - pistas erradas tornam mais difícil construir uma indústria de mídia comparável à mídia tradicional como jornais, revistas, televisão e rádio.

Nos últimos meses participei de dois eventos sobre jornalismo online. Em ambos, oradores, debatedores e participantes muitas vezes pareciam ter uma idéia em comum. Sua mensagem: pouquíssimas pessoas na indústria de notícias reconhecem o valor da verdadeira interatividade online e de se criar serviços com conteúdo único para o meio online.

Sejamos mais específicos:

Erro Nº 1: continuamos agindo como se não compreendêssemos o meio online. Ainda publicamos principalmente pelas regras antigas, disseminando a informação que nós achamos que o público quer, de uma maneira geralmente de mão única. Nós ainda falamos (na maioria das vezes) para nosso público, e não com ele.

Certamente, a maioria dos sites de notícias hoje oferece grupos de discussão; eles publicam os endereços de e-mail dos repórteres para solicitar feedback; incluem nas matérias links de "faça seu comentário". Foram necessários alguns anos para que essas práticas se tornassem comuns nos sites de notícias. Isso é interativo (o que é bom), mas não suficiente.

Os diretores de jornalismo online precisam examinar mais fundo. Ver o que estão fazendo os outros no espaço da comunidade online. Não é difícil encontrá-los. Procure em Slashdot.org, ou no mais novo Kuro5hin, comunidades online em que os usuários controlam a experiência. Kuro5hin foi criado para ser a antítese da típica organização jornalística. Seus usuários se reúnem numa comunidade online e escolhem o conteúdo que querem publicar, comentar e debater. É uma sociedade debatedora misturada com uma publicação jornalística.

O fundador de Kuro5hin, Rusty Foster (que é um programador, e não um jornalista) disse recentemente ao público da Conferência sobre Jornalismo Online da Universidade do Sul da Califórnia que "a mídia tradicional precisa entender isso". O que eles precisam entender é o conceito de que é bom convidar os leitores para sua comunidade e desenvolver ferramentas online para servir a essa comunidade - facilitar a construção e a manutenção de comunidades de interesse.

Uma das idéias de Foster de que eu realmente gosto é a de construir comunidades de interesse (muitas delas) ao redor de repórteres e colunistas. Façam os jornalistas irem além de receber e-mails e participar de fóruns de discussão. Incentive-os a usar ferramentas de software para construir uma comunidade online na qual eles ocupam o centro, cercados por leitores, fãs e críticos que reagem ao que foi escrito, sugerem novas idéias e até corrigem o jornalista.

Um ponto importante é que criar essa comunidade interativa só é possível na mídia online, e em nenhuma outra. Esta é uma técnica poderosa para tornar a experiência da mídia Internet diferente de todas as outras. Em nenhum outro meio de comunicação os consumidores de notícias podem ter essa experiência.

Erro Nº 2: a maioria dos sites de notícias esperam que os usuários visitem e leiam alguma coisa, escutem ou vejam. Isso é a mesma coisa que a mídia tradicional.

Mas para tornar a mídia online diferente e única, pense que os visitantes devem fazer alguma coisa, em vez de apenas ler. Nora Paul, diretora do Instituto de Estudos da Nova Mídia e conhecedora das formas inovadoras de narrativa online, afirma que a visita a um site da web deve ser uma "atividade". (Ela também criticou asperamente a maioria dos sites de notícias, dizendo à platéia da Conferência sobre Jornalismo Online que "a maioria dos sites de notícias hoje são muito chatos".)

Acho que isso está no centro dos problemas do jornalismo online hoje. O conteúdo que a maioria de nós produz são coisas que você lê, e não coisas com que você interage. O instituto de Paul tem entre suas missões explorar novas formas digitais de narrativa. (Ela prefere chamar isso de "fazer histórias".) O instituto realizou sessões em que reuniu jornalistas e criadores de jogos, jornalistas e artistas plásticos - para explorar novas maneiras de se comunicar com o público.

O jornalismo online, para ter sucesso, precisa ser mais aventureiro, tentando novas formas de apresentar as histórias. Ele precisa enfocar mais as "coisas que você faz" e não as "coisas que você lê". Então o jornalismo na Internet torna-se algo novo - e não apenas uma variação do conteúdo apresentado em outros formatos de mídia.

Isso poderia ser o que está basicamente errado no jornalismo online? Acho que sim. E você pode rever a história da mídia para encontrar precedentes. A televisão começou como "rádio com imagens" - isto é, câmeras enfocando pessoas que liam scripts. Quando o meio amadureceu, a televisão adotou suas próprias formas de conteúdo original. A Internet ainda está no meio dessa transição - ela começa a desenvolver suas próprias formas de reportagem, mas o conteúdo tradicional ainda é a regra.

Sim, existem muitos exemplos de conteúdo original de notícias online. Os prêmios SND.ies da Society of News Design, anunciados no início deste ano, a cada mês honra exemplos destacados de conteúdo multimídia. Mas a verdade é que esse conteúdo continua sendo raro. No início, o SND.ies teve muito poucos candidatos, o que confirma o problema.

Eis o que deveria ser lugar-comum quando os internautas visitam novos sites: conteúdo com o qual eles podem interagir, da mesma maneira que você interage com um jogo de computador; conteúdo que não seria possível em nenhum outro meio. Por exemplo, uma matéria sobre uma proposta de aumento de impostos territorial poderia ter uma aplicação interativa (criada com algo como Flash) com a qual o visitante do site pudesse digitar o valor de sua casa e ver como o aumento afetaria seu imposto especificamente. Uma receita culinária pode ser interativa fazendo-se o usuário especificar o número de porções que deseja, clicar num botão, e então os ingredientes da receita seriam ajustados para o tamanho das porções desejadas.

Erro Nº 3: nós ignoramos tendências óbvias por muito tempo.

Vejam os Weblogs como exemplo básico. A tendência Weblog já é óbvia há algum tempo, e os blogs são centenas de milhares. Procure Weblogs nos sites das principais organizações de notícias. Você encontrará alguns, mas o setor de notícias claramente ainda não adotou o conceito.

Por que os blogs são importantes para as organizações jornalísticas? Porque eles podem dar uma voz ao público. Por exemplo, o Observer-Reporter de Washington, Pensilvânia, recentemente lançou um "Weblog público" chamado Off The Record. A idéia por trás dele é que qualquer pessoa pode apresentar um artigo (sobre qualquer assunto relativo à Internet) e o editor do blog aprova as sugestões. Para muitas pessoas, esta é a maneira mais fácil de ter seus nomes publicados pelo Observer-Reporter.

Acho que os Weblogs ainda não pegaram de maneira generalizada no setor de notícias porque eles ameaçam o status quo. Eles incentivam a participação do público, a voz do público. E não são rigidamente reeditados (ou simplesmente editados) como o conteúdo jornalístico tradicional.

Mas os blogs e outras tendências originais da Internet são exatamente o que as organizações de notícias precisam adotar. Eles representam mais uma forma de comunicação que um site jornalístico pode empregar para ser originalmente online.

Quando a indústria de notícias realmente adotar a idéia de oferecer uma experiência online única para os internautas, talvez os problemas financeiros do setor desapareçam. O jornalismo online estará adulto.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves






 

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