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Steve Outing > Parem as máquinas

29/04/2002 16h47

Você se esqueceu das mensagens instantâneas?

Para a maioria dos usuários da Internet com menos de 25 anos -e especialmente para os adolescentes- as mensagens instantâneas (MI) são um modo de vida. Enquanto o usuário adulto médio prefere o e-mail e a web para se comunicar e receber notícias e informações, para muitos estudantes de segundo grau conversar com os amigos através do AOL Instant Messenger, do MSN Messenger ou do ICQ é a coisa mais importante em suas e-vidas.

Hoje existem centenas de milhões de usuários de mensagens instantâneas (somente o AOL Instant Messenger relatou 140 milhões de usuários registrados). Mas apenas recentemente as mensagens instantâneas começaram a ser usadas em algo mais que comunicação pessoal: em marketing e como plataforma de publicação de conteúdo.

Os editores de notícias deveriam levar em conta essa tendência. Segundo a especialista em conteúdo online e marketing Anne Holland, editora de MarketingSherpa, "qualquer pessoa com menos de 25 adora essa coisa. O futuro da publicação na Internet é a mensagem instantânea".

Seja meu amigo

Vejam como funciona a publicação em MI: os usuários de serviços de MI criam "listas de amigos" -as pessoas com quem desejam conversar, e quando dois usuários online que estão nas respectivas listas de amigos querem se comunicar, simplesmente clicam o nome do outro, digitam uma breve mensagem e a enviam. O modo como os editores podem entrar em cena é criando seus próprios "amigos" e convencendo os usuários a acrescentar esses amigos empresariais a suas listas pessoais.

Uma companhia de software de dois anos chamada ActiveBuddy está na vanguarda dessa tendência. A firma, que tem escritórios em Nova York e no Vale do Silício, na Califórnia, está fazendo um trabalho digno de nota criando "agentes" MI ou "bots" (robôs). Por exemplo, a ActiveBuddy recentemente criou um amigo chamado ELLEgirlBuddy para a revista feminina Elle. Esta promoveu o amigo MI para seu público leitor e a utilização de ELLEgirlBuddy se espalhou de boca em boca (principalmente entre adolescentes, que acharam a personagem eletrônica suficientemente "bacana" para falar sobre ela a suas amigas).

ELLEgirlBuddy finge que está batendo papo em MI com uma pessoa real, mas na verdade é um agente inteligente que responde instantaneamente às perguntas. Uma usuária de MI poderia mandar para ELLEgirlBuddy a mensagem: "Qual é meu horóscopo para amanhã? Sou de Capricórnio", ou "Que cor de cabelo você usa?" e a agente retornaria uma resposta. Ela está programada para ser ágil e bem-humorada, e aborda questões sobre moda, beleza, entretenimento e outros assuntos interessantes para garotas.

ELLEgirlBuddy também terá links para o site da web ELLEgirl.com e poderá incluir um pequeno anúncio ou promoção abaixo da resposta. O segredo é dar respostas divertidas e informativas, para que o usuário não tenha a impressão de que está apenas sendo alvo de material promocional.

A porta-voz do ActiveBuddy, Emily Lenzner, disse que até agora os marqueteiros parecem estar mais avançados nas experiências com o uso de MI para atingir clientes potenciais. Por exemplo, sua companhia criou um amigo para a New Line Cinema chamado RingMessenger, para promover o filme "O Senhor dos Anéis". Quando você acrescenta esse amigo a sua lista, pode fazer perguntas como "Quando será lançado o próximo 'Senhor dos Anéis'?" e "O que é um hobbit?"

Esse marketing provavelmente tem uma vida limitada para qualquer usuário. O efeito-novidade é tal que depois de algumas utilizações a maioria dos usuários geralmente "fala" com um amigo-robô, ou o retira de sua lista de amigos. No entanto, os números são impressionantes. O robô LindsayBuddy, criado para a Warner Brothers para promover um novo artista musical no ano passado, conseguiu que mais de 500 mil pessoas o acrescentassem a suas listas de amigos, e o LindsayBuddy recebeu mais de 38 milhões de mensagens.

Pense nas possibilidades

A publicação em MI começa a interessar às # empresas editoras quando se avaliam suas possibilidades de informação e conteúdo. Lenzner salienta que o ActiveBuddy começou demonstrando sua tecnologia com um agente MI chamado SmarterChild (que atraiu cerca de 7 milhões de amigos humanos). SmarterChild é um amigo MI que você acrescenta a sua lista e pode lhe fazer perguntas sobre notícias ("Quais são as manchetes de hoje?"), meteorologia, resultados esportivos, horários de cinema, etc.

ActiveBuddy também tem um amigo de beisebol, o AgentBaseball, que responde a perguntas em MI. Por exemplo, ele pode lhe dar a situação detalhada de um jogo dos New York Yankees (os dados vêm da Sports Ticker). Imagine funcionários de um escritório sentados em suas mesas usando um aplicativo de MI para verificar periodicamente a situação de um jogo, porque não podem escutar o rádio ou assistir ao jogo pela TV.

A empresa espera incentivar mais companhias de notícias e informações a desenvolver agentes-amigos (a ActiveBuddy é basicamente uma empresa de desenvolvimento de software, e abriga os agentes em seus servidores como ajuda aos editores). Ela está trabalhando um pouco com a Reuters, e o serviço de notícias é um dos investidores da ActiveBuddy. Enquanto a empresa não tem muitos acordos fechados com a indústria de publicação, porque o conceito é muito novo, Lenzner diz que as empresas de mídia esportiva parecem especialmente interessadas, incluindo uma grande liga esportiva que quer criar um agente-amigo.

Algumas outras possibilidades: um amigo do tempo (que sabe o seu código postal e lhe dá as condições e previsões locais); amigos da Bolsa ("Como estão meus investimentos neste momento?"); anúncios classificados ("Há vagas para cozinheiros?"); amigo estudante ("Minha escola está fechada por causa da tempestade de neve?"); etc.

A ActiveBuddy também criou agentes-amigos para a eBay, para que os usuários de leilões online possam verificar rapidamente seus lances, e está trabalhando com algumas companhias de viagens online para oferecer serviços de MI que permitam aos clientes verificar a posição dos vôos.

Mais rápido que a web

Você não precisa procurar muito para perceber que muitos desses agentes-amigos MI realizam serviços de informação que também poderiam ser obtidos na web -obter resultados de esportes, previsão do tempo, valor de ações, etc. A diferença está na velocidade e na conveniência. Os aplicativos de mensagens instantâneas permitem uma comunicação muito mais rápida que o e-mail; os agentes-amigos também dão informações mais depressa.

Os amigos MI corporativos acrescentam as mensagens instantâneas ao crescente número de plataformas da Internet nas quais as empresas de mídia podem publicar.

O conceito do amigo corporativo deveria interessar aos editores de notícias por alguns motivos. Primeiro, a mensagem instantânea é claramente a preferência do jovem internauta. Uma empresa de notícias que busca interagir com um público mais jovem deve explorar a utilização de amigos MI (é claro que o conteúdo desses amigos deve interessar a essa faixa etária; os adolescentes não vão se interessar muito por previsões meteorológicas em MI, mas podem ser atraídos por usos mais criativos dos amigos corporativos, como conversar com versões robô de celebridades. Não ria; a ActiveBuddy descobriu que esses robôs-celebridades atraem grande número de usuários).

Em segundo lugar, os amigos corporativos estendem o interesse pela mensagem instantânea além dos jovens. Certamente pessoas com mais de 25 anos usam aplicativos de MI, mas é entre os jovens que a MI é realmente grande. Se os editores criarem agentes-amigos MI que ofereçam acesso conveniente a notícias e informações -como amigos da Bolsa e amigos do beisebol-, os internautas mais velhos gravitarão para eles devido à velocidade e à conveniência dos agentes-amigos em comparação com as informações na web ou por e-mail.

Como ganhar dinheiro

Parece ótimo, mas os editores de notícias poderão ganhar dinheiro com os amigos MI? A principal fonte de renda provavelmente será com patrocínio e publicidade, que podem ser acrescentados às respostas dos amigos. Os anúncios devem ser curtos -apenas algumas palavras- e incentivar os usuários a clicar no link da página do anunciante. Lenzner diz que os de maior sucesso até hoje foram frases publicitárias curtas, como "Ganhe [qualquer coisa] grátis!" Ela cita uma experiência com o amigo SmarterChild em que a Keebler promoveu um concurso para ganhar entradas para um jogo de futebol, que gerou um índice de # clickthrough de 6,5% a partir das respostas do amigo para os usuários -resultado muito melhor que o de um típico anúncio banner da web.

É claro que não há motivos para que os amigos corporativos sejam gratuitos. Um amigo da Bolsa, por exemplo, poderia ser um serviço pelo qual as pessoas pagariam. (Pense no MI não apenas em computadores, mas em dispositivos portáteis sem fio; um amigo da Bolsa portátil seria definitivamente um candidato a uma assinatura paga.) Alternativamente, um amigo corporativo pode simplesmente servir como ferramenta de referência/marketing para o site de um editor na web -onde se ganha dinheiro.

Se a idéia dos amigos MI corporativos lhe interessou, experimente. Simplesmente abra o AOL Instant Messenger e acrescente alguns dos amigos mencionados nesta coluna à sua lista de amigos: AgentBaseball, SmarterChild, ELLEgirlBuddy, RingMessenger.

Cartas ao editor

Minha coluna anterior, "Sites de notícias repetem erros do passado", deu origem às seguintes cartas:

O problema da interatividade

Como antigo jornalista e desenvolver da web no tempo livre, li com interesse sua crítica aos jornais online.

Concordo com Nora Paul quando ela diz que a maioria dos sites de notícias são "muito chatos", mas acho que isso é conseqüência do desempenho pobre, e não apenas da falta de interatividade. Muitas homepages de jornais são um amontoado de textos e imagens. Anúncios piscando, caixas de promoção da empresa, fotos de colunistas e vários conjuntos de links se confundem com a informação que queremos que as pessoas leiam ou vejam. Muitas vezes o olhar não sabe para onde se dirigir. Isso é diferente das primeiras páginas regulares, que geralmente não têm anúncios e promoções. Existem exceções, como o site do Observer Reporter citado em sua reportagem. Mas muitos jornais têm um longo caminho a percorrer para tornar seus sites visualmente atraentes.

Quanto à interatividade, adoro na teoria. Mas vejo barreiras, sendo uma delas a consolidação dos sites de notícias pelas empresas matrizes. Um programador em San Jose, Califórnia, não vai ter tempo para escrever um pequeno script para que os leitores de Sioux Falls possam calcular o aumento do seu imposto sobre propriedade. E os poucos membros da equipe em Sioux Falls que não foram enviados para a divisão da empresa online provavelmente não terão tempo para construir as interessantes ferramentas interativas que você imagina.

Ironicamente, talvez sejam os pequenos jornais -com liberdade para experimentar e maior contato com os leitores- que levarão a indústria de notícias mais longe na era da informação. Espero que alguém o faça.
Michael Bazeley
Repórter
"San Jose Mercury News"

"Por dentro" demais

Se eu quisesse "interatividade" em vez de notícias, eu iria para fark.com ou algo parecido. Quando quero notícias, quero notícias. Esqueça a interatividade. Isso é tão interativo quanto eu quero ser.

Como editora de uma empresa de publicações no oeste, conheço as armadilhas que você pode cavar para si mesma (e cair nelas) quando tenta ser... "por dentro" demais.
Deb Black

Faça o que eu digo, e não o que eu...

Steve, me parece que seu artigo "Sites de notícias repetem erros do passado" faz a própria coisa que está criticando. Para mim ele diz que a interatividade é ótima na teoria, mas difícil na prática.
Sandra Bardocz

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves









 

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