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Steve Outing > Parem as máquinas

26/06/2002 21h09

Embarquem no vagão dos blogs antes que seja tarde

Pensem em algumas das tendências mais quentes da Internet -leilões online, serviços de emprego online, comércio eletrônico, guias urbanos online etc.

Em quase todos os casos, o setor de notícias percebeu a tendência cedo o suficiente, mas fez quase nada por aproveitá-la. O eBay decolou como um foguete com seus leilões online, enquanto os jornais simplesmente arranhavam a superfície da idéia, sem decidir se ela merecia envolvimento sério. Hoje, o eBay é o gigante dos leilões online, e o sucesso desse serviço certamente teve impacto negativo sobre os classificados dos jornais. (Por que pagar pelo anúncio de um produto no jornal quando o eBay é mais eficiente e barato?)

A Monster.com levou os anúncios online de emprego a sério alguns anos atrás, enquanto o setor jornalístico esperava para ver. Hoje, a Monster é um dos motivos principais para que os classificados de emprego dos jornais tenham despencado -e o setor jornalístico continua correndo atrás do prejuízo para superar a liderança da empresa.

O ponto é que o setor jornalístico historicamente não se mostrou capaz de perceber uma tendência quente na Internet e agir a respeito dela rápido o bastante para derrotar os concorrentes que operam apenas na Internet.

E se da próxima vez que o setor jornalístico perceber uma tendência, decidir tratá-la com seriedade? Podemos começar com os blogs.

Vocês ouviram, blogs.

Se fosse preciso identificar uma tendência quente na Internet agora, os blogs certamente se qualificariam. Milhares e milhares de pessoas publicam blogs hoje em dia -de crianças em idade escolar a aposentados, de acadêmicos a celebridades. Empresas que operam sites de blogs, como a Blogger, estão atendendo à demanda insaciável de uma ampla gama de pessoas e organizações que adotaram o conceito. Não resta dúvida de que os blogs são uma tendência quente.

No setor de notícias, enquanto isso, os blogs são em sua maioria apenas uma experiência, até agora. A MSNBC.com é líder em termos de blogs de jornalismo (como acontece freqüentemente no caso de conteúdo para a Internet), e recentemente criou cinco blogs de colunistas: Michael Rogers; Eric Alterman; Michael Moran; Alan Boyle; Jan Herman; além de Chris Matthews, o apresentador do programa de entrevistas "Hardtalk", na MSNBC Cable.

O muito respeitado colunista de tecnologia do "San José Mercury News", Dan Gillmor, escreve há muito um blog chamado eJournal. Na "Slate", uma revista eletrônica financiada pela Microsoft, a mais recente contratação é o colunista político Mickey Kaus e seu blog. O site do jornal "Christian Science Monitor" na Web oferece diversos blogs, entre os quais o MonitorBlog, coluna de tecnologia em forma de blog pelo repórter Tom Regan.

Tudo isso é muito bom, mas não o bastante. Os blogs surgiram como uma idéia nova e quente há dois anos, e no ano passado se tornaram bastante comuns. Assim, será que não é mais que hora de as empresas de mídia levarem a sério esse segmento?

Eis algumas idéias para que as companhias jornalísticas avancem com os blogs:

1. Ofereçam a cada repórter, colunista e fotógrafo da redação um blog pessoal.

Ordenar que todo mundo mantenha um blog provavelmente não seria boa idéia, mas não custa oferecer a oportunidade a todos. Imagine se cada repórter, por exemplo, tiver um veículo para apresentar o material que não se enquadra no produto impresso de sua publicação. Um repórter que cobre a prefeitura levanta uma série de informações importantes a cada dia, mas nem todas elas podem ser impressas; algumas poderiam ser publicadas no blog do jornalista. Não estou falando aqui de material "insuficientemente bom" para publicação, mas de informação "privilegiada" que talvez não interesse a uma audiência geral de jornal. O conteúdo do blog de um jornalista como esse poderia interessar muito a um público para o qual notícias sobre a prefeitura são importantes (o serviço poderia até se transformar em assinatura paga, desde que o conteúdo fosse bom o bastante e não representasse simplesmente uma reprodução de material publicado em outras seções).

Imagine o que poderia ser um jornal que não só imprimisse as reportagens de interesse geral de seus repórteres mas as publicasse online (em blogs), com cobertura corrente e próxima de diversos assuntos e áreas por jornalistas especializados. Isso aumentaria significativamente o valor do jornal e de seu site na Web para o público.

Promover esses blogs em jornais é bem simples. Além da promoção de marketing rotineira na edição em papel e no site do jornal na Web, cada assinatura de um repórter especializado teria uma nota com o endereço do blog ("para ler mais sobre notícias criminais e de Justiça, vá ao blog da repórter Jane Smith em...")

Os blogs não são bons apenas para os escritores. Eles são um veículo muito atraente para os fotógrafos de uma publicação, que jamais conseguem publicar tudo o que desejariam na edição impressa de um jornal. Para um tópico importante, o fotógrafo pode postar na Web diversas fotos obtidas durante seu trabalho de reportagem. Na versão impressa, a foto ou duas que são selecionadas poderiam ser acompanhadas de uma nota convidando as pessoas; "vejam mais fotos do incêndio no edifício de escritórios no blog do fotógrafo Joe Jones..."

Uma possível variação é criar blogs de grupo. Todos os jornalistas esportivos que cobrem o futebol americano, por exemplo, poderiam contribuir para um único blog, em lugar de manterem blogs individuais. Isso não só é um pouco menos oneroso do que publicar inúmeros blogs individuais como também pode ser mais atraente para os leitores -que talvez estejam mais interessados em um determinado assunto do que no trabalho de um jornalista específico.

Você diria que é trabalho demais para um repórter cuidar de um blog, além de manter em dia sua agenda profissional já lotada? Há duas respostas possíveis para isso. Primeiro, a do mundo ideal. Dê a qualquer jornalista disposto a manter um blog referente à sua especialidade algumas horas semanais de tempo para dedicar-se a isso. Uma boa maneira de justificar o dispêndio desse tempo, no caso de um colunista, seria ter uma coluna em papel por semana com o melhor do conteúdo do blog.

A outra resposta é que não seria difícil aos jornalistas acrescentar o blog às suas tarefas correntes, já que manter um blog atualizado não é tarefa onerosa, especialmente se o jornalista estiver entusiasmado a respeito do projeto. A maior parte dos sistemas de publicação de blogs oferecem formulários na Web que o titular do diário digital simplesmente preenche. Os blogs de jornalistas não fariam, com que eles precisassem trabalhar mais horas buscando reportagens, porque a idéia central seria aproveitar material valioso que os repórteres de qualquer forma recolhem mas até agora não tinham onde divulgar.

Há também a questão da edição do conteúdo dos blogs de jornalistas. O mais provável é que os jornais queiram que o conteúdo seja editado pelo copidesque ou editor de área antes que o material seja colocado online. Isso custará algum tempo aos editores se muitos dos repórteres decidirem manter blogs.

2. Dê ao público o que ele quer: blogs

A outra área importante que as organizações noticiosas precisariam considerar no mundo dos blogs é onde armazená-los. Hoje, há muitas soluções de software e serviço na Web para os blogs. Uma das maiores é a Blogger, que tem mais de meio milhão de usuários registrados. Desde o começo, a Blogger oferece serviços gratuitos, mas recentemente lançou uma versão "Pro" que custa US$ 35 ao ano (o preço subirá a US$ 50 anuais depois de um período promocional).

Dado o número de pessoas que mantêm blogs no momento, e o crescimento significativo desse universo, serviços de blogs em breve se transformarão em um negócio de dimensões consideráveis. Os jornais locais, especialmente, estão bem posicionados para lançar o conceito dos blogs junto aos seus leitores -muitos dos quais jamais ouviram falar a respeito-, e podem lucrar oferecendo espaço de armazenagem para blogs. As possibilidades incluem cobrança pelo serviço (à maneira da Blogger Pro), venda de software de blogs ou venda de espaço publicitário nos serviços públicos de blogs gratuitos

A abordagem de venda de software de blog para os usuários pelas empresas jornalísticas vem sendo promovida pela Userland, uma empresa de Massachussets que trabalha com software de administração de conteúdo. A Userland vende um software chamado Radio Userland, que se integra a um browser para a Web e facilita a manutenção de blogs. Com a Blogger, é uma das estrelas no setor de blogs. De acordo com John Robb, presidente da Userland, sua empresa está começando a trabalhar com outros grupos (entre os quais uma empresa jornalística não identificada) para venda de software ao público, em um esquema de receitas compartilhadas.

O Radio Userland é especialmente interessante dada a forma pela qual ele vincula os blogs participantes uns aos outros em uma rede, permitindo que os leitores de blogs "assinem" determinados assuntos. Isso pode ser útil para um site local de notícias que contenha muitos blogs, já que ele poderia oferecer aos usuários um serviço de entrega de conteúdo de blogs (diversos deles), atendendo às necessidades específicas dos usuários.

Fazer com que o público compre essa idéia se enquadra bem à primeira sugestão feita na presente coluna, a de dar blogs a todos os jornalistas em uma redação. Robb diz que esses blogs "da casa" servem como semente para estimular os leitores de um jornal na criação de seus próprios blogs -abrigados no site do jornal.

É preciso pensar além dos serviços de blogs para pessoas físicas, e pensar em blogs que atendam pessoas jurídicas e comunidades, um conceito que vem sendo defendido por Dave Winer, ele mesmo autor de um blog bem conhecido.

Os grupos comunitários são especialmente interessantes. Muitos se beneficiarão da manutenção de blogs que ganhem visibilidade via exposição em um site de notícias ou portal urbano de grande tráfego. O site de notícias se beneficia ao se tornar um portal para organizações comunitárias locais.

(Alguns anos atrás, a "publicação comunitária" era a moda no setor de notícias online. Empresas como a Koz, hoje extinta, ofereciam soluções dispendiosas que permitiam que grupos comunitários publicassem conteúdo em sites de jornais. A idéia é que isso fosse financiado por publicidade -mas o conceito provou-se frágil demais e os sistemas caros demais para sobreviver à crise das empresas de Internet. A idéia de uma empresa noticiosa local abrigando os blogs comunitários pode servir agora como substituto mais barato e menos complexo para sistemas como o da Koz.)

Também interessante é o conceito de armazenar blogs para empresas locais -cobrando delas uma taxa mais alta do que a cobrada a pessoas físicas ou grupos comunitários. As empresas jornalísticas podem pensar em serviços de blogs para companhias locais como forma alternativa de publicidade -que seria divulgada no site e na versão impressa da publicação.

Um exemplo de blog de empresa local poderia ser uma agência de viagem que mantenha um blog com histórias e fotos das viagens de seus clientes -entremeadas com mensagens de marketing e promoções especiais. Um blog assim poderia obter sucesso se o conteúdo tivesse valor de informação ou entretenimento suficiente para atrair usuários da Web, e continuaria a atender às necessidades de marketing da empresa que o patrocine.

Convencido?

Os blogs se tornarão uma indústria grande e lucrativa? Ninguém sabe. Ninguém sabe ainda de que maneira o modelo e negócios dos blogs se desenvolverá. Será que os blogs serão nada mais do que uma técnica elegante de publicação pessoal que captura corações e mentes mas não é uma proposição viável em termos de negócios? Não posso oferecer resposta definitiva, mas acredito que haja oportunidade de negócios ali, além de uma oportunidade editorial. Como no caso de muitas idéias novas da Internet, será preciso tempo e experiência para encontrar as respostas.

John Hiller, editor do Microcontent News, um blog sobre blogs, diz que talvez eles venham a oferecer mais oportunidades para empresas com fontes de receita já estabelecidas, aumentando o faturamento e atraindo novos clientes. O setor jornalístico deveria pensar a respeito.

Os blogs capturaram a atenção do público. Não resta dúvida quanto a isso. Assim, vamos correr com essa idéia e aplicá-la ao setor jornalístico. Talvez dessa vez os jornais não se deixem ficar para trás.

Tradução: Paulo Migliacci





 

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