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Steve Outing > Parem as máquinas

01/08/2002 12h11

Filtros de spam bloqueiam mensagens legítimas de e-mail

Porque não tenho interesse em autocensurar esta coluna, há chances consideráveis de que alguns de meus leitores não a recebam via e-mail -ou terminem com o texto em suas pastas de "correio indesejado". Isso é porque ao longo da coluna eu pretendo usar diversas palavras que estão bloqueadas por diversos filtros de spam de e-mail nos provedores de acesso à Internet e servidores corporativos -palavras como "spam", "Viagra", "sexo", "seio", "pênis", "pornô", "amante", "opcional" e "e-mail". Eu pretendo até ESCREVER ALGUMAS PALAVRAS EM CAIXA ALTA.

Se você nunca usa palavras assim "controvertidas " em seus boletins de assinatura opcional, ou seja publicações distribuídas por e-mail que os assinantes solicitaram receber de graça, ou pelas quais pagaram assinaturas, as chances de que seus assinantes recebam esse tipo de mensagem aumentam muito. Se você usar qualquer uma das palavras mencionadas, aumenta a probabilidade de que a assinatura de seus clientes não seja honrada (e caso eles estejam pagando por sua publicação, decerto se irritarão).

Como me disse um especialista em leis relativas a provedores de acesso à Internet, os novos esforços de combate às mensagens não solicitadas de e-mail, conhecidas como "spam", cada vez mais "apanham golfinhos em suas redes junto com os atuns". E a melhor e mais garantida maneira de evitar ser um golfinho azarado é editar seu conteúdo de maneira que não contenha palavras que acionem os filtros. E assim termina a liberdade de expressão na Internet.

Ironicamente, quando enviei esta coluna ao meu editor na "Editor & Publisher", ele não a recebeu porque ela foi bloqueada pelos filtros de spam que a empresa dele emprega. Depois de diversas tentativas sem sucesso, tive de enviar a coluna a um endereço pessoal de e-mail dele na Earthlink.

O SpamAssassin agrava o problema

Isso é problema há muito tempo porque alguns provedores de acesso e empresas usam filtros de spam que não são muito inteligentes -eles apanham o boletim médico que trata de câncer de mama na mesma rede que bloqueia o e-mail pornô contendo as palavras "seios enormes"-, se bem que isso normalmente afete uma porcentagem pequeno dos assinantes de um boletim eletrônico de notícias. Mas recentemente as dificuldades se agravaram devido à popularidade de um sistema de bloqueio de spam conhecido como SpamAssassin, que aumenta a proporção de mensagens de e-mail opcionais (ou seja, éticas, não indesejadas) que são bloqueadas na companhia do spam.

O SpamAssassin está sendo usado por um número crescente de provedores de acesso à Internet, entre os quais alguns de grande porte, como o The Well, além de corporações. (O software também pode ser usado por indivíduos.) É um esforço colaborativo e comunitário de combate ao spam que solicita o apoio de programadores de toda a Internet. O que faz do sistema um inimigo eficaz do spam é que ele oferece centenas de regras de filtragem com base nas quais o software analisa as vantagens de e-mail -não só as linhas de assunto e títulos, mas todo o conteúdo de uma mensagem- e determina se a mensagem pode ser spam. Regras podem ser oferecidas por qualquer programador e se o administrador do projeto SpamAssassin as aprovar, elas são incluídas nas novas versões do software.

Assim, novas regras de filtragem são acrescentadas o tempo todo -de forma que uma empresa que use o e-mail legitimamente para divulgar suas mensagens não pode estar certa de que não acionará filtros acionados pelo SpamAssassin.

O sistema na verdade não bloqueia as mensagens de e-mail que identifica como spam. Em lugar disso, é uma ferramenta usada por provedores de acesso à Internet e administradores de servidores para localizar spam; cabe aos administradores do provedor decidir o que fazer com as mensagens, diz Matt Sergeant, um dos líderes do projeto SpamAssassin. O provedor The Well, por exemplo, envia os e-mails suspeitos de serem spam para as pastas de mensagens indesejadas de seus usuários; outros provedores podem optar por apagar os e-mails definidos como spam, ou enviá-los de volta ao remetente.

Um problema que o software vem criando, de acordo com John Buckman, presidente da Lyris Technologies, uma empresa que desenvolve software de e-mail e administra listas de discussão via e-mail, é que muitos provedores de acesso e administradores de servidores corporativos estão definindo fronteiras muito rígidas para capturar o spam. Quando o SpamAssassin analisa uma mensagem, atribui-lhe um "placar" baseado em quantas de suas regras de filtragem a mensagem viola. Se o administrador de um provedor estabelece um limiar de tolerância baixo, número maior de mensagens legítimas será apanhado na companhia do spam -e isso vem acontecendo cada vez mais.

Um segundo problema, diz Buckman, é que algumas das regras de filtragem do SpamAssassin são "dúbias" na forma que têm. São amplas demais, e terminam apanhando muitas mensagens inocentes de e-mail.

Vin Crosbie, um consultor de publicações via e-mail, concorda em que são os provedores de acesso que estão causando o problema. "Os provedores estão bloqueando conteúdo de maneira muito teimosa", diz, procurando por palavras em geral empregadas pelos praticantes de spam, mas que usuários éticos de e-mail também podem usar de quando em vez. Uma abordagem mais sofisticada é necessária.

A situação é um lixo!

Os usuários éticos de e-mail nem sempre sabem que suas mensagens estão sendo entregues corretamente. Alguns servidores corporativos simplesmente apagam mensagens que supõem sejam spam, de modo que a menos que um assinante se queixe de não ter recebido um boletim solicitado, o responsável pela publicação via e-mail não sabe que tem um problema.

Mais freqüentemente, ele receberá suas mensagens de volta com indicações do motivo para o bloqueio decretado pelo provedor de acesso. A melhor maneira de descobrir o motivo do bloqueio, é que um assinante envie uma cópia da mensagem na forma e,m que possa ter sido encaminhada diretamente à caixa de mensagens indesejadas em sua máquina. O título dessa mensagem deve contar uma lista das regras de filtragem que a mensagem tenha violado (presumindo que o provedor do assinante esteja usando o SpamAssassin).

Se você opera publicações por e-mail de maneira ética e descobre que suas mensagens estão sendo bloqueadas por filtros de spam, é difícil conseguir um desbloqueio. É preciso contactar o provedor envolvido e pedir que você seja incluído em uma "lista branca" que permita que seus e-mail (solicitados) cheguem aos assinantes. A maior parte dos provedores de acesso não facilita essa tarefa, e em geral é difícil localizar a pessoa autorizada a permiti-lo. É por isso que trabalhar com uma empresa que distribua e-mails profissionalmente é útil. Essas empresas em geral têm um funcionário cuja função é verificar as mensagens rejeitadas e contactar os provedores para resolver o problema.

Número crescente de empresas que operam legitimamente via e-mail vem descobrindo que suas mensagens acionam as regras de filtragem da SpamAssassin. Infelizmente, o sistema da SpamAssassin depende de queixas, e quem grita mais sempre ganha. Se uma regra de filtragem termina por bloquear muitas mensagens legítimas de e-mail, um número suficiente de queixas pode levar os administradores da SpamAssassin a mudar ou eliminar o filtro. Mas isso talvez demore, e enquanto isso mensagens solicitadas continuam a não ser entregues.

Qual é a solução?

Uma solução imediata, da perspectiva do jornalismo, é inadequada: editar o conteúdo de seu boletim de modo que ele passe pelos filtros. Não use palavras que os ativem. Reformule suas frases de maneira a evitar determinadas combinações. Qualquer jornalista competente hesitaria diante da idiotice de ser impedido de usar a palavra "Viagra" em um artigo sobre disfunções sexuais masculinas, ou "spam" em um artigo sobre e-mail não solicitado, mas essa é uma maneira de contornar o problema.

O que ainda não existe é um serviço na Web sob o qual as empresas possam submeter seus boletins noticiosos distribuídos por e-mail para avaliação, e que identifique problemas técnicos ou de conteúdo que provavelmente ativariam os filtros de spam antes de mandar a mensagem. (O problema de um serviço como esse é que os praticantes de spam também tentariam usá-lo para aprovar suas mensagens.)

Uma maneira simples de averiguação é o envio de uma mensagem individual a uma conta de teste em um provedor que use o SpamAssassin. Se a mensagem passar, não haverá problemas. O SpamAssassin não usa o número de mensagens em suas regras, de modo que todos os usuários daquele provedor que forem assinantes receberão a mensagem. E passar pelos filtros de um provedor equipado com o SpamAssassin facilitaria a passagem pelos demais.

Os especialistas em e-mail que entrevistei para esta coluna sugerem que a melhor solução é simplesmente verificar se suas mensagens estão sendo bloqueadas, e se queixar (ruidosamente) ao provedor. Porque as empresas que distribuem boletins por e-mail tipicamente não têm relações com os provedores que as bloqueiam, é importante apresentar ao provedor uma queixa legítima de um dos consumidores que não tenha recebido um e-mail solicitado.

Buckman sugere igualmente que uma boa solução geral seria que alguma organização estabelecesse uma "lista branca" geral da Internet que incluísse informação sobre os usuários éticos de e-mail, que os filtros de spam seriam forçados a autorizar. Uma organização como essa poderia se espelhar na TRUSTe, um site na Web que garante que seus membros cumpram diretrizes severas de privacidade na Web e no e-mail.

Existe um aspecto legal?

À medida que os filtros de spam como o SpamAssassin expandem suas redes em um esforço por capturar mais mensagens indesejadas, e bloqueiam indevidamente mais mensagens legítimas, pode-se argumentar que a filtragem de spam está causando danos econômicos aos usuários éticos de e-mail. Especialmente no caso daqueles que vendem assinaturas pagas, mensagens não entregues podem resultar em clientes furiosos e assinaturas canceladas.

Existe solução judicial, portanto? O consenso parece ser negativo.

Paul Michael DeCicco, um advogado de San Diego que se especializa em leis relativas aos provedores de acesso, diz que as empresas que distribuem seu conteúdo por e-mail não têm posição legal para solicitar indenização a um provedor, porque não existe relação entre as duas partes. Caberia ao assinante da publicação, caso não a receba por uma regra do provedor, contestá-lo judicialmente. O provedor não tem obrigação de distribuir as mensagens recebidas de terceiros, segundo DeCicco.

Um possível argumento seria o de que os filtros dos provedores interferem com a relação monetária entre editora e assinante -mas ele não acha que isso seria aceito.

DeCicco também aponta que os provedores estão "entre a cruz e a caldeirinha" quanto a esse problema. Se não filtrarem o e-mail, os clientes podem ser atingidos por vírus, e isso representa maior risco judicial para o provedor do que a filtragem de spam e o bloqueio acidental de algumas mensagens de e-mail "boas", vindas de empresas com as quais o provedor não tem relações de negócios.

Isso é realmente um problema?

Quantas mensagens "boas" terminam presas pelos filtros? Há controvérsia a respeito, mas Buckman, da Lyris, diz que nas últimas três semanas ele viu queixas crescentes de clientes, porque mais provedores passaram a usar o SpamAssassin.

Há muitos exemplos de bloqueio de mensagens solicitadas. (Nem todos envolvem o SpamAssassin.) Eis alguns:

* A Mystery Lovers Bookshop envia por e-mail um boletim aos seus clientes, mas descobriu que um provedor do Oklahoma estava bloqueando suas mensagens por causa do uso da palavra "lover" (amante").

* O Lockergnome, um popular boletim de dicas sobre o Windows, recentemente foi apanhado nas malhas do SpamAssassin porque as mensagens eram enviadas com um título de "mensagem-ID" que incluía o símbolo # -usado às vezes pelo praticantes de spam mas também por editoras legítimas. (Esse exemplo demonstra que fatores técnicos também podem ativar os filtros de spam.)

* O TidBITS, um boletim de dicas sobre Macintosh que tem ampla circulação via e-mail, foi muito prejudicado pelos filtros de spam no ano passado. As rejeições definidas pelos servidores de provedores variam da casa das centenas à dos milhares a cada semana -baseadas em palavras usadas pelos autores do boletim. Em um artigo recente, intitulado "Filtragem de e-mail: A morte do aplicativo matador", Geoff Duncan, da TidBITS, dizia que em uma edição que incluía a palavra "Viagra", 2,5 mil entregas foram rejeitadas. Duncan escreveu que "estamos começando a ver sinais de que o e-mail, muitas vezes descrito como aplicativo matador na Internet, está correndo o risco de se tornar pouco confiável e censurado".

* Jeff Laurie, que publica um popular boletim chamado Sex News Daily, com notícias divertidas relacionadas ao sexo, registra que é comum que seja apanhado em filtros de spam -porque regularmente emprega vocabulário que os filtros consideram "de mau gosto". (Viagra, pênis, vagina etc.)

* Randy Cassingham, que distribui versões pagas e gratuitas de seu boletim de humor This Is True por e-mail, também se queixa de que foi bloqueado devido ao uso dessas palavras. Ele comenta que "se você não pode usar terminologia médica adequada, o que se pode usar? Preciso mesmo usar 'pipi' quando cito um relatório médico? Mal consigo imaginar os problemas que os boletins de saúde via e-mail estarão encontrando!"

Cassingham resume bem o dilema entre spam e filtragem de spam. "Essa complicação é a espécie de coisa que venho prevendo desde 1996, quando o spam começava a crescer e eu escrevi o primeiro capítulo do meu Spam Primer (Guia do Spam). Temo que as coisas continuarão a piorar até que algo drástico seja feito quanto ao spam"

Tradução: Paulo Migliacci




 

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