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Steve Outing > Parem as máquinas

03/09/2002 16h33

Veja as notícias do futuro no Starbucks

Recentemente, um marco foi estabelecido com o lançamento comercial das conexões de Internet sem fio e banda larga, conhecidas como Wi-Fi, nos cafés Starbucks em todos os Estados Unidos (e em base experimental na Europa). Outro marco, relacionado ao sistema Wi-Fi do Starbucks, vai surgir dentro de dois meses, com o lançamento do Tablet PC, um dispositivo eletrônico para leitura.

Se sua empresa trabalha no ramo de notícias -online, em papel ou ambos-, são desdobramentos importantes para o seu futuro.

Comecemos pelo Wi-Fi, também conhecido como padrão técnico 802.11b (e seu primo mais veloz, o 802.11a), uma tecnologia que conquistou o mundo da Internet nos últimos 12 meses. Os assinantes domésticos de acesso de banda larga à Internet agora podem adquirir um ponto de acesso sem fio à rede por US$ 100. Os preços do equipamento Wi-Fi são modestos o bastante para que redes sem fio estejam surgindo em escritórios de todo o país. Redes públicas de Wi-Fi estão começando a ser criadas por diversas organizações -e em alguns locais pode-se obter acesso a redes públicas de graça. Em casa, no apartamento e no escritório, proliferam as redes Wi-Fi. Há até mesmo banda larga Wi-Fi "grátis" disponível para qualquer pessoa equipada com um laptop ou organizador pessoal dotado de cartão de acesso sem fio que esteja perto de uma rede Wi-Fi com baixa segurança.

Agora que o Starbucks entrou no cenário, o acesso público a redes Wi-Fi está sendo comercializado. O maior nome no ramo de redes sem fio públicas no momento é a T-Mobile, divisão de telefonia sem fio da Deutsche Telekom. O lançamento oficial de 1.200 "hot spots" de acesso sem fio nos cafés do Starbucks, depois de um ano de testes beta, faz dela, no momento, a maior empresa no segmento de acesso Wi-Fi público. O outro nome importante é a Boingo, uma agregadora de pontos de conexão Wi-Fi pagos (e alguns gratuitos) em todos os Estados Unidos, que cobra taxas diárias ou mensais pelo acesso nos pontos a que serve.

Isso é apenas o começo da mania do Wi-Fi. A Internet sem fio será onipresente em poucos anos -especialmente nas principais áreas metropolitanas dos Estados Unidos e partes da Europa. Escrevendo recentemente em artigo para a News.com, da CNET, John Patrick, antigo executivo da IBM, disse que "quando as pessoas vão ao centro da cidade elas naturalmente esperam que haja infra-estrutura, como semáforos, hidrantes e estacionamentos. Em breve, creio que passarão a esperar que exista conectividade Wi-Fi. Sentar em um banco de parque e verificar o e-mail não parecerá mais tão estranho. De fato, será uma exigência para algumas pessoas".

Para o profissional móvel

Uma rede Wi-Fi como acompanhamento para seu café mais sofisticado é apenas o começo. A T-Mobile e a Boingo também oferecem conectividade Wi-Fi em alguns aeroportos, saguões de hotel, salões de convenção e restaurantes -lugares onde os profissionais móveis de negócios tendem a se congregar. A Boingo também apóia alguns hot spots comunitários gratuitos, possivelmente bibliotecas, universidades, praças, parques, de acesso gratuito.

O Wi-Fi público provavelmente ficará limitado a lugares usados por empresários e executivos e por estudantes. Sarah Kim, analista do Yankee Group, diz que os pontos de acesso preferenciais variarão de país a país. Enquanto nos Estados Unidos os cafés Starbucks são um ponto comum de reunião para profissionais, no Japão as lojas da rede McDonald's estão sendo usadas como hot spots de Wi-Fi -porque lá as lanchonetes são mais freqüentadas por executivos e empresários do que nos Estados Unidos.

É certo que estamos dando apenas os primeiros passos na tecnologia. A maioria dos usuários online continua aprisionada às suas mesas porque usam computadores pessoais não portáteis. Os laptops não são tão comuns ainda, e uma minoria de usuários dispõe de cartões de acesso sem fio. Uma pesquisa do Yankee Group estima que um quarto dos trabalhadores são considerados móveis, e passam 20% de seu tempo longe de seus locais de trabalho -isso representa cerca de 40 milhões de profissionais móveis nos Estados Unidos.

Mas o que impulsiona a tendência de conexão sem fio são novos modelos de laptop que já vêm com funções Wi-Fi. É até mesmo possível acrescentar um cartão Wi-Fi a um organizador pessoal como o Handspring Visor, o que faz dele um aparelho de acesso em banda larga à Internet. No futuro, a maior parte dos organizadores pessoais terão acesso Wi-Fi à Internet.

Por enquanto, os mercados-alvo do Wi-Fi são os pioneiros nas tendências de comunicação e os empresários e executivos que viajam muito com seus laptops. Bryan Zidar, porta-voz da T-Mobile, diz que sua empresa planeja expandir sua cobertura para mais aeroportos, hotéis executivos e centros de convenção. Com o tempo, esses serviços atingirão uma audiência maior de consumidores. Mas isso vai demorar.

Um problema inicial com o Wi-Fi público é o preço definido pelos operadores comerciais. A T-Mobile cobra US$ 29,99 ao mês por uma conta que permitirá aos usuários acesso a redes Wi-Fi nas unidades locais da cadeia Starbucks e US$ 49,99 por acesso Wi-Fi em qualquer hot spot da empresa nos Estados Unidos. Existe também uma opção de acesso horário, a US$ 12. A Boingo cobra entre US$ 25 e US$ 75 por mês, ou US$ 7,95 por acesso diário à sua rede Wi-Fi.

Isso é caro se considerarmos que o usuário doméstico típico da Internet já paga entre US$ 20 e US$ 50 ao mês por acesso à Internet via provedor tradicional. Embora os usuários empresariais possam considerar esses custos como despesas, os serviços pagos de acesso Wi-Fi provavelmente não vão decolar no mercado de massa até que surjam pacotes oferecendo acesso tradicional e Wi-Fi conjunto por preço único. O porta-voz da T-Mobile disse que o provável é que sua empresa ofereça um pacote de acesso Wi-Fi e telefonia móvel, sob a suposição de que os profissionais móveis procurarão acesso Wi-Fi nos hot spots, e usarão seus telefones móveis para acesso à Internet em outras circunstâncias, com o aumento da velocidade de acesso propiciado pela tecnologia de terceira geração (3G) e outras.

Embora as redes de acesso público Wi-Fi não sejam novidade, a adição da poderosa marca Starbucks as conduz a um novo nível. Kim aponta que poucos consumidores estão cientes, até agora, dos serviços da Boingo, e que a T-Mobile é uma marca quase invisível por enquanto. A marca Starbucks dá ao conceito de Wi-Fi público um importante estímulo, musculatura de marketing e o coloca de novo no centro do palco, diz ela.

O acesso Wi-Fi público representa oportunidades de participação para a mídia local. O consultor Mark Potts, que atende o setor de notícias online, sugere que os jornais locais poderiam procurar a Starbucks quanto a uma possível inclusão no programa, ou como fornecedores de um serviço local de notícias ou home page, que os usuários do Starbucks receberiam ao se conectarem aos hot spots. O porta-voz da T-Mobile disse que isso não é possível no momento porque as páginas são servidas aos usuários do Hot Spot de um ponto central. Mas ele não descarta a possibilidade de parcerias locais no futuro próximo.

Chegando em breve

Estreitamente relacionado às redes Wi-Fi públicas temos o lançamento do Tablet PC, para o qual a Microsoft desenvolveu um sistema operacional Windows XP. Programado para chegar às lojas em outubro ou novembro, produzido por diversos fabricantes e a custo estimado de US$ 2 mil, o Tablet PC é uma mistura de laptop e organizador pessoal. Trata-se de um aparelho portátil do tamanho de um livro ou revista -com conectividade Wi-Fi disponível. Ele seria perfeito para uso no Starbucks, na leitura de publicações eletrônicas e na execução de outras tarefas de computação.

A visão do futurista do setor de notícias Roger Fidler finalmente começa a se realizar. Fidler, que passou boa parte de sua carreira na Knight Ridder e hoje dirige o Instituto de Ciberinformação na Universidade Estadual Kent, começou a escrever sobre o uso de leitores digitais portáteis de notícias em 1981. O que ele tinha em mente nos anos 80 e 90 se assemelha muito ao Tablet PC que surge no mercado agora e à proliferação do Wi-Fi público -ainda que ao longo de muito desse período, "as pessoas achassem que eu fosse louco", diz.

Fidler esperava que seus aparelhos portáteis recebessem grande quantidade de dados via rede, com ou sem fios, e que o conteúdo pudesse ser lido online ou não. Isso parece estar acontecendo agora. O que difere de sua visão é que os primeiros aparelhos com valor comercial sério parecem ser computadores com plena capacidade -capazes de realizar o que os laptops fazem, bem como de servir ao consumo de mídia digital. A primeira idéia de Fidler era de que os leitores fossem basicamente sistemas de consumo de informação de periódicos como revistas e jornais, e não computadores de plena capacidade.

O instituto de Fidler está no momento trabalhando em um protótipo do Tablet PC orientado a jornais digitais. A pesquisa foi subvencionada pela Adobe e conduzida em cooperação com "uma grande editora" (cujos executivos preferem se manter anônimos). Ele diz que o protótipo tem por objetivo tomar um jornal e convertê-lo adequadamente -inicialmente usando designers e editores humanos- para apresentação em um Tablet PC. O sistema combina o melhor dos jornais e da Web em um formato único.

A apresentação de conteúdo em um Tablet PC não é só questão de criar uma réplica digital de uma edição em papel -a abordagem tomada por empresas como a NewsStand, que convertem conteúdo em papel para o formato digital e acrescentam alguns truques interativos. A equipe de Fidler está retrabalhando o conteúdo de forma que ele se adapte ao formato do Tablet PC e acrescentando elementos multimídia e interativos que convençam os anunciantes a pagar a mais para que sua publicidade seja incluída na edição digital. Trata-se de adaptar o jornal ou periódico ao aparelho, e não de aproveitar formatos de conteúdo existente em uma nova mídia, e tudo isso com um modelo de negócios lucrativo em mente.

Fidler diz que a expectativa é de que o protótipo seja usado por outros jornais (e revistas) para criar edições para Tablet PC, assim que a editora participante lançar a sua versão. Ele espera que o protótipo final fique pronto no ano que vem.

Por muitos anos, os executivos de jornais talvez tenham considerado a pesquisa de Fidler como fantasia. Mas embora o dia em que a maioria das pessoas lerão suas notícias em leitores eletrônicos de pequeno porte esteja ainda longe no futuro, o lançamento do Tablet PC e o crescimento das redes Wi-Fi públicas são sinais de que esse dia chegará.

Fidler diz que as editoras de jornais e revistas deveriam pensar agora em criar produtos noticiosos múltiplos -não só em papel e não só para a Web. "Precisam pensar quer a Web não é a única forma de editoração eletrônica que deveriam explorar", diz.

Para estudar essa mídia do futuro, basta ir a um Starbucks vizinho -e as chances são de que haja uma loja da rede muito perto.

Tradução: Paulo Migliacci





 

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