Publicidade

Boletim grátis
Fique por dentro do que acontece no mundo da tecnologia
Divulgação



AVISO:
Mundo Digital agora é UOL Tecnologia; conheça o novo site

Steve Outing > Parem as máquinas

12/09/2002 20h06

Não esconda seu conteúdo multimídia

Podem me incluir entre os defensores do conteúdo "rico" -a contagem de histórias multimídia online usando técnicas e formatos como áudio, vídeo, animação em Flash, shows de slides, recursos gráficos "de imersão", bancos de dados interativos etc. São essas formas de conteúdo que fazem da Internet uma nova mídia -não apenas uma réplica das mídias tradicionais como os jornais ou a televisão na tela de um computador.

O conteúdo rico ou multimídia é, evidentemente, dispendioso e leva tempo a produzir. Assim, as empresas que se dão ao trabalho de gerá-lo querem que muitos de seus usuários o vejam. Mas infelizmente esse não é sempre o caso -porque os links para esses pacotes estão muitas vezes escondidos ou são apresentados de maneiras que os usuários da Internet não vêem com facilidade.

A maioria dos sites noticiosos, ao que parece, trabalham muito mal quanto a dar destaque ao seu conteúdo multimídia. Um dos juízes do Online Journalism Awards (http://www.onlinejournalismawards.org/) me disse recentemente que "o que me parece mais estranho é quantos sites têm conteúdo multimídia a oferecer, mas guardado em algum lugar inacessível -ou seja, não integrado ao conteúdo relevante. Além disso, conteúdo especial, de exibição, contendo texto, recursos gráficos e multimídia fabulosos, termina freqüentemente largado em algum canto".

O desafio para as empresas que operam sites na Web e produzem conteúdo multimídia é conseguir que as pessoas cliquem nos links que conduzem a esse dispendioso conteúdo. Assim, estudemos algumas boas maneiras de convencê-las a clicar.

Colocando em órbita

O caso mais comum, especialmente nos sites de jornais, é que o conteúdo multimídia esteja incluído como parte de um pacote online, e não como material isolado. A norma é que o principal elemento do conteúdo seja uma longa reportagem em formato texto, provavelmente acompanhada por uma foto ou fotos. Depois, surgem links para outras formas de conteúdo -talvez um clipe de vídeo, uma entrevista em áudio, ou um banco de dados em apoio á história. No mundo do jornalismo, esse material periférico de apoio seria conhecido como "box".

No mundo online, os boxes surgem em muitos formatos. Alguns Web designers empregam o termo "conteúdo orbital" para descrever esse material suplementar. Em torno da peça principal, há vários outros materiais de conteúdo orbitando. Os visitantes online precisam perceber os links para esses elementos adicionais da história. Os designers de páginas na Web desenvolvem diversos truques para fazer com que as pessoas percebam esses elementos orbitais -de simples links em palavras inseridas no texto a aperitivos gráficos promovendo o elemento multimídia.

A MSNBC.com oferece um exemplo clássico dessa abordagem em muitas de suas reportagens. O site noticioso produz mais conteúdo multimídia do que praticamente qualquer concorrente -e boa parte desse conteúdo não funciona isoladamente, mas sim como suplemento a uma história em formato texto. Por exemplo, na reportagem da segunda-feira sobre os esforços do presidente Bush para angariar apoio á sua iniciativa quanto ao Iraque, ao longo do texto há diversas áreas onde se lê "veja o vídeo", que funcionam como links. Elas contêm pequenas fotos e descrições em texto do que o usuário encontrará nelas.

Os links para esse tipo de conteúdo precisam -em um espaço compacto- atrair a atenção do usuário e convencê-lo rapidamente a clicar. O ponto em que muitos sites noticiosos fracassam é simplesmente instalar um link dizendo "vídeo" ou "gráfico interativo" e esperar que as pessoas cliquem nele sem que estejam informadas sobre o que contém, e convencidas a visitá-lo.

Brian Storm, que era o guru da divisão multimídia da MSNBC.com e hoje é vice-presidente da Corbis explica que "a chave é ter forte atração visual e um incentivo para ação inseridos contextualmente na reportagem. Um link aleatório no texto não atrai muitos cliques. Uma pista visual bem posicionada com um contexto bem escrito e corretamente posicionado produziu excelentes resultados para a MSNBC.com".

A regra número um, portanto, é permitir que o usuário da Web saiba o que obterá ao clicar no link multimídia. Especialmente para os vídeos mas também para animações em Flash e outras, os usuários online se preocupam, legitimamente, com o tamanho do conteúdo e quanto demoraria para que seja exibido. No caso de usuários com baixa largura de banda, especialmente se eles não souberem exatamente o que estão por receber, é provável que hesitem antes de clicar.

Repita-se

Quando se trata de convencer usuários a clicar em mídia suplementar, repetição não atrapalha. Por exemplo, em um artigo publicado em janeiro passado sobre uma nova montanha russa, o texto da reportagem de Robert Niles no "Los Angeles Times" incluía um link de texto logo no topo (abaixo da assinatura) onde se lia: "VÍDEO: Faça um passeio na X". Na metade do texto, há outro link, em um box contendo foto, para o mesmo vídeo gerado pela equipe do jornal. Nem todos que estariam potencialmente interessados no vídeo clicariam no link que existe no topo da matéria sem ler a reportagem, de modo que o segundo link oferece uma nova chance de visita. A matéria em questão não incluía um terceiro link para o vídeo ao final do texto -mas eu recomendaria que fosse incluído. O vídeo é um elemento importante desse pequeno pacote, e você quer que os usuários o vejam.

O pacote da montanha russa é bastante simples -um artigo de texto isolado e um vídeo paralelo. Mas alguns projetos de notícias online contêm muito mais elementos. Isso pode ser um problema, se você tiver elementos demais competindo pela atenção do visitante.

Um exemplo disso pode ser visto em outro pacote do "Los Angeles Times", sobre crianças abandonadas e órfãs que chegam aos 18 anos sem nunca terem encontrado pais adotivos. Isso originou um pacote de matérias na edição em papel, mas diversos elementos multimídia foram acrescentados para a apresentação online simultânea, entre os quais perfis em vídeo e entrevistas com diversas pessoas, mais shows de slides em Flash e galerias fotográficas.

O conteúdo desse pacote, especialmente os elementos multimídia em que você pode ouvir o depoimento das crianças abandonadas diretamente, é atraente. Mas temo que muitos dos leitores do pacote não tenham tido tempo de clicar em todas as ofertas multimídia, dada a maneira pela qual foram apresentadas. É volume demais para que um leitor absorva.

Possivelmente uma solução melhor seria entremear fotos de cada pessoa -contendo links para um perfil em vídeo, show de slides e galeria fotográfica- no texto da reportagem principal ou perto dele. Longas listas de opções de conteúdo multimídia não terão impacto suficiente caso as escolhas sejam muitas. É melhor entremeá-las em pontos contextuais lógicos.

É o marketing que conta

Conseguir que os usuários online visitem o conteúdo suplementar é em larga medida um esforço de marketing. Stephen Downes, um arquiteto da informação canadense, sugere que os editores do site se concentrem em técnicas básicas de marketing para tentar encorajar as visitas ao conteúdo multimídia. Quando criarem links e anúncios para os recursos multimídia, diz Downes, "descrevam ao leitor o que receberá. Dêem-lhe uma razão para acreditar que o produto tem valor. E quantifiquem os benefícios".

Pensem também sobre a forma que deve tomar essa mensagem de marketing. De fato, os anúncios internos de conteúdo online não são diferentes de publicidade paga. Para atrair o uso dos recursos multimídia, você pode usar alguns dos truques do mundo da publicidade.

Uma coisa que aprendemos sobre anúncios online é que às vezes links simples de texto funcionam melhor do que banners ou anúncios de conteúdo rico. Colocados no lugar certo e com um texto eficaz, eles podem atrair muitos usuários. Vale a pena testar a idéia. (Percebam que isso contradiz o conselho que Storm deu acima.)

No extremo oposto, considerem empregar técnicas publicitárias inovadoras para encorajar o tráfego aos elementos multimídia. Por exemplo, quando os usuários clicarem em uma página que apresente artigo em texto, faça abrir uma nova janela que os convide a visitar conteúdo em Flash correlato -copiando as técnicas tão usadas nos anúncios pop-up e assemelhados. Ou crie pequenos anúncios gráficos e animados que ajudem a atrair a atenção para o conteúdo suplementar.

Uma abordagem ligeiramente diferente implica em que as organizações de mídia também trabalhem melhor em usar suas operações offline para promover projetos multimídia de qualidade, diz Laura Ruel, do Centro Estlow de Jornalismo e Novas Mídias, que supervisiona o concurso de conteúdo multimídia da Sociedade de Design de Notícias, o "SNDies".

Ruel menciona um recurso usado pela MSNBC.com alguns meses atrás que permitia que os usuários fingissem ser verificadores de bagagens em aeroportos. Foi um projeto notável de multimídia, que deveria ter atraído muita atenção, com menções nos programas jornalísticos da rede de televisão NBC, mas isso não aconteceu. "Essa abordagem de jornalismo isolado não funciona para manter as pessoas a par de todas as suas opções de informação", diz Ruel.

Mantenha-o sozinho

Mais e mais, começaremos a ver conteúdo multimídia funcionando sozinho, e não como suplemento. Para grandes projetos multimídia como o recente artigo "O Plano Mestre: Reconquistando o Local do Ataque", da "New York Times Magazine", não existe mais a necessidade de primeiro mostrar ao usuário uma página introdutória em HTML e depois disparar o conteúdo real. Cada vez mais, percebo sites noticiosos (como o "NYTimes.com", que às vezes o faz) incluindo links em sua home page e nas home pages de seus cadernos que lançam conteúdo multimídia ou interativo diretamente, às vezes sequer sem notificar que o conteúdo que se segue não está em HTML.

No começo da semana, a washingtpost.com destacou um projeto chamado "Um Ano Mais Tarde". O link na home page conduzia diretamente a uma página em Flash, sem indicação de que o conteúdo não estaria em HTML. O "USA Today", da mesma forma, recentemente ofereceu "documentários interativos" colocados na posição da foto principal de sua home page.

Será que os sites noticiosos devem mesmo oferecer links de multimídia em suas primeiras páginas sem alertar os usuários? A consultora de informação na Web e arquiteta da informação Jennifer Kronstain diz que a população em geral ainda não está preparada tecnologicamente para receber a multimídia que os grupos de notícias na Web querem fornecer. Ela sugere que continua a ser vital identificar a tecnologia que o usuário encontrará e necessitará para ver o conteúdo -Flash, RealPlayer, Quicktime etc.

Kronstain argumenta que "a maneira de fazer com que as pessoas usem o conteúdo multimídia é torná-lo parte integral da experiência. No momento, ele é apenas decoração de vitrine. Ele deve ser interativo, deve ser parte da função do site, de alguma maneira".

O futuro é multimídia

Uma coisa é clara: o conteúdo multimídia está ganhando popularidade com os usuários online. Na "NYTimes.com", mais de cem peças multimídia foram produzidas em abril de 2002, atraindo 3,2 milhões de page-views (total que subiu a 4 milhões no mês seguinte). Particularmente popular no site, de acordo com Christine Mohan, porta-voz da empresa, é o "Photographer's Journal", um recurso que oferece fotos na forma de slide shows interativos com narração em áudio pelos fotógrafos do "New York Times". O primeiro desses diários fotográficos foi lançado em outubro de 2001, e o episódio "Fronteiras da Guerra" gerou 450 mil page-views desde lá.

Estamos em meio a uma transição evolutiva, aqui. O conteúdo multimídia se tornou bastante comum, e muitos grupos de notícias na Web estão ávidos por usar mais elementos interativos em ofertas aos seus usuários. Mas os sites noticiosos precisam aprender ainda de que maneira deixar que estes usuários saibam como localizar e desfrutar desse conteúdo rico e informativo.

Tradução: Paulo Migliacci





 

 28/11/2002

Convergência entre mídias diferentes é alternativa para o jornalismo

 22/11/2002

Conselhos para a salvação dos cadernos de empregos dos jornais

 01/11/2002

Os sites de notícias precisam de dieta

 01/10/2002

Google News pode mudar o setor de notícias online

 12/09/2002

Não esconda seu conteúdo multimídia

 03/09/2002

Veja as notícias do futuro no Starbucks

 15/08/2002

Examinando o futuro do conteúdo pago

 01/08/2002

Filtros de spam bloqueiam mensagens legítimas de e-mail

 18/07/2002

A Knight Ridder Digital cede parte do controle

 26/06/2002

Embarquem no vagão dos blogs antes que seja tarde

 13/06/2002

Especialistas oferecem dicas de usabilidade
Sites de notícias têm muito o que aprender


 29/05/2002

Bibliotecas ameaçam arquivos pagos de notícias online

 15/05/2002

Sistemas de editoração de conteúdo sufocam design de notícias

 29/04/2002

Você se esqueceu das mensagens instantâneas?

 12/04/2002

Sites jornalísticos repetem os erros do passado

 15/03/2002

Jornal de Washington investe em noticiário interativo

 28/01/2002

O efeito das tendências de publicidade na TV sobre a Web

 11/01/2002

Use a Web para complementar sua edição impressa

 20/12/2001

Empresas devem ajudar os sites de notícias
E fazer os consumidores pagarem por esse tipo de produto


 03/12/2001

Jornais falham em promover seus sites

 15/11/2001

Usando a "Web Invisível" para pesquisas

 02/11/2001

Sites das Ligas Esportivas competem com a mídia

 15/10/2001

Como a Web pode homenagear indivíduos, quando milhares morrem

 04/10/2001

Os sites de jornais estariam condenados?
Executivo do setor diz que eles estão sobrevivendo à crise


 25/09/2001

Sites de notícias devem tirar lições do ataque
Eles foram excelentes sob certos aspectos, mas falharam sob outros


 04/09/2001

Impedindo alterações não-autorizadas em sites
Uma avaliação do Gator e outros aplicativos


 23/08/2001

Dispositivos contra spam bloqueiam e-mails legítimos: Sua mensagem pode não estar chegando ao destinatário

 27/07/2001

Empresários da indústria online devem abrir as torneiras da criatividade

 03/07/2001

O público não está abandonando a rede

 18/06/2001

Jornais e sindicatos vão comercializar informativos eletrônicos